Que Ética na desinformação?

Susana Mexia Professora de Filosofia

 

De uma forma, por vezes, confusa, todos sentimos que alguma coisa não está bem no funcionamento deste sistema de informação, embora ninguém negue a sua função indispensável na existência duma Democracia.

O rápido desenvolvimento dos meios de comunicação, a revolução tecnológica e a informática permitiram e promoveram a generalização à escala planetária do acesso da população a todo um sistema global de circulação da informação.

Um grande bem ou um grande mal nos pode advir do uso dos mass media, conforme forem usados para finalidades positivas e de modo correcto, ou para finalidades negativas, se de um modo incorrecto e injuriante.

A nós cabe-nos exercer o dever cívico que nos assiste, apresentando o nosso agrado ou o nosso descontentamento, quando não são cumpridos os compromissos deontológicos a que os profissionais de Comunicação estão vínculados, segundo o Código Deontológico do Sindicato dos jornalistas estes profissionais devem relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade, devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso.

A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público. Mais: deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos. Deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja.

A qualidade e a liberdade dos mass media estão cada vez mais ameaçadas pelo apetite económico dos grandes grupos industriais e mediáticos ou mesmo pelos poderes políticos e estatais.

De uma forma, por vezes, confusa, todos sentimos que alguma coisa não está bem no funcionamento deste sistema de informação, embora ninguém negue a sua função indispensável na existência duma Democracia. É “difícil não vermos o lado extremamente uniformizante, empobrecedor e acrítico” que ele “produz, aliada a uma certa passividade e desencanto”, como nos conta Karl Popper, no livro “Televisão, um perigo para a Democracia” (Gradiva, 2012)

A comunicação social tem o imenso poder de promover a felicidade e a realização humana, pois toda ela é um serviço aos outros, é um esforço para a comunhão entre os homens no sentido do bem comum, da verdade acerca da vida, da promoção da liberdade e interdependência reciprocas.

A maioria das comunidades dos profissionais de comunicação deseja utilizar os próprios talentos para servir a humanidade, mas sente-se inquieta e insegura face às crescentes pressões económicas e ideológicas para reduzirem os seus padrões ético-profissionais.

Aos jornalistas, sobretudo aos da televisão que têm cada vez mais poder, cabe a exigência de uma maior reflexão sobre a extensão da sua força, que nunca pode ser de omnipotência ou prepotência.

O desenvolvimento positivo dos media ao serviço do bem comum é uma responsabilidade que a todos nos assiste, é seu dever informar com veracidade, nas palavras e nas imagens, pois o seu poder não nos afecta só a nós, mas atinge toda a humanidade influenciando o seu sentido de vida, da capacidade de pensar, amar, edificar, denegrir ou destruir.

A todos, os que promovem a informação e os que a recebem, é imperiosa uma participação activa, na denúncia dos desvios que deturpam a procura da verdade, centralidade de um espírito de cidadania.

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