O tempo que se tem

Mariana Alves de Sousa, Formada em Sociologia e Música

Há um momento em que a escuta espelha a essência, como se a alma pudesse chorar.

Várias são as vezes em que uma música identifica, mas também são várias as vezes em que faz duvidar. É um constante contra-senso entre o que a alma precisa e o que a alma não quer.

Há um vazio que teima em ser preenchido e um copo meio cheio que não se quer mais erguer. Há uma parte que se quer alicerçada e há um desvio que se acentua. Assim são também as voltas que a vida dá, rotas alternadas entre os caminhos que queremos e os que não são para nós.

Há diferença considerável nisto por ser mais desafiante o que não se alinha connosco (as pessoas, o trabalho, a casa, o tempo das coisas), e nesse último se prende o maior desafio: quanto tempo estamos dispostos a dedicar a cada desvio ou alicerce?

Que tempo é a medida entre o que nos acalma e o que nos atormenta? Afinal quem somos entre esses tempos distintos?

E fica sempre a questão do tempo: o que não temos, o que temos e achamos não ter…que afinal parece pouco para tanta coisa. Que tempo nos fica?

Será pouco para o “vai-se andando” e muito para o agora? Pode ser que sim, porque como nos é informado o  tempo do passado já se deu e o do futuro ninguém sabe.

Pelo menos temos o momento, aquele em que escolhemos a escuta e percebemos a essência, quando a alma pode enfim chorar.

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