O Município de Óbidos anunciou oficialmente a sua candidatura à Capital Portuguesa da Cultura 2028, assumindo o desafio como “uma oportunidade para lançar o debate e promover uma reflexão sobre o papel da Cultura no desenvolvimento de Portugal e das comunidades”.
Entre os embaixadores da candidatura estão Pilar del Río, Mia Couto, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso entre outros.
A proposta apresenta a criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento, com biblioteca contemporânea, centro de criação artística, espaço de investigação, auditórios, galerias e residências criativas.
O objetivo da autarquia de Óbidos é ambicioso: recolocar a Cultura no centro do projeto coletivo do país.
A candidatura pretende mobilizar cidadãos, escolas, universidades, instituições culturais, agentes criativos, entidades sociais, parceiros nacionais e internacionais, bem como a região Oeste, em torno de um projeto
participado, aberto e com ambição europeia, segundo a nota de imprensa a que o Magazine Estado com Arte teve acesso.
A visão que Óbidos apresenta ao país tem o apoio de algumas das mais relevantes vozes da Literatura e da Cultura contemporâneas, que aceitaram associar-se a esta candidatura enquanto seus embaixadores. Pilar del Río, jornalista, tradutora e Presidente da Fundação José Saramago, Mia Couto, escritor moçambicano e uma das vozes maiores da literatura de língua portuguesa, José Luís Peixoto, escritor e um dos autores portugueses mais traduzidos da atualidade; Gonçalo M. Tavares, escritor distinguido internacionalmente pela originalidade e profundidade da sua obra; José Eduardo Agualusa, escritor angolano cuja escrita constrói pontes entre geografias, memórias e identidades; Afonso Cruz, escritor, ilustrador e músico, cuja obra cruza diferentes linguagens artísticas; Dulce Maria Cardoso, uma das mais importantes romancistas portuguesas contemporâneas; Valter Hugo Mãe, poeta e romancista que tem renovado o imaginário literário português; Tatiana Salem Levy, escritora brasileira reconhecida pela sua obra e reflexão sobre identidade, memória e pertença são alguns os embaixadores da Candidatura.
Mais do que um gesto de reconhecimento institucional, este apoio traduz “a convicção de que a Literatura, a
leitura e a criação artística podem desempenhar um papel central na construção de sociedades mais livres,
mais críticas e mais preparadas para os desafios do futuro.”
A diversidade destes percursos, geografias e sensibilidades representa aquilo que Óbidos pretende afirmar
através desta candidatura: “uma ideia de cultura aberta ao mundo, enraizada na língua portuguesa,
comprometida com a liberdade de criação e com a capacidade de a literatura nos ajudar a compreender
melhor quem somos e quem queremos ser”.
A estes embaixadores junta-se uma comunidade mais ampla de cidadãos, escolas, bibliotecas,
universidades, associações, artistas e instituições que reconhecem nesta candidatura uma oportunidade
para recolocar a Cultura no centro do projeto coletivo do país.
“Óbidos acredita que chegou o momento de afirmar uma nova centralidade para a Cultura nas políticas públicas. Não como um setor periférico da ação do Estado, mas como um investimento estratégico no desenvolvimento do país. Investimento em conhecimento, em educação, criatividade, em pensamento crítico, em participação cívica e em coesão social”, afirma Filipe Daniel, presidente do Município. O edil acrescenta que vivemos “num tempo marcado pela aceleração tecnológica, pela fragmentação social, pelos desafios da democracia e pela necessidade de qualificar pessoas e territórios.”
A candidatura de Óbidos à Capital Portuguesa da Cultura “nasce desta convicção simples e exigente: os países que investem na inteligência, na imaginação e na capacidade crítica das suas comunidades são os países que melhor se preparam para o futuro.” Óbidos propõe a Portugal uma visão ambiciosa e mobilizadora: fazer da Literatura “uma verdadeira política pública”. “Uma política pública capaz de aproximar escolas e bibliotecas, apoiar a criação artística, reforçar hábitos de leitura, qualificar a democracia, combater desigualdades, valorizar os territórios, e criar oportunidades para as novas gerações”, defende Filipe Daniel.
Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015

Óbidos desenvolveu, ao longo da última década, uma experiência singular que lhe permitiu demonstrar que a Cultura gera resultados concretos: fortalece comunidades, atrai talento, cria valor económico, reforça a identidade dos territórios, e melhora a qualidade da participação cívica, afirma a comunicação da candidatura.. “Chegou o momento de colocar essa experiência ao serviço do país”, sustenta o Presidente do Município.
Mas a candidatura é também uma proposta sobre o lugar de Portugal no mundo. “Num contexto internacional marcado pela reorganização das cadeias de valor, pela centralidade da economia do conhecimento e pela competição global pelo talento, Portugal dispõe de um ativo estratégico singular: a sua condição atlântica e a língua portuguesa”, adianta, Ricardo Duque, vereador com o pelouro da Cultura na autarquia.
“Mais de 300 milhões de pessoas partilham hoje a língua portuguesa como espaço de criação, cooperação e
circulação de conhecimento. Óbidos acredita que Portugal deve assumir plenamente essa responsabilidade
histórica e essa oportunidade de futuro, posicionando-se como o grande hub transatlântico de criatividade,
conhecimento e cooperação cultural entre a Europa, África e a América Latina”.
A partir da sua experiência como Cidade Criativa da UNESCO, Óbidos quer contribuir para essa visão,
“afirmando-se como uma das portas atlânticas da Europa: um lugar onde escritores, artistas, investigadores,
tradutores, empreendedores criativos e instituições culturais se encontram para produzir pensamento,
inovação e futuro”, sustenta Ricardo Duque. “Mais do que apresentar uma candidatura, Óbidos apresenta
uma proposta: demonstrar que a Cultura pode ser uma das mais poderosas ferramentas de transformação
coletiva de que Portugal dispõe”.
Reforçar redes de leitura, apoiar a criação artística
A proposta de Óbidos assenta “num investimento estratégico orientado para o longo prazo, capaz de
produzir efeitos muito para além do ano da distinção. Pretende reforçar redes de leitura, apoiar a criação
artística, capacitar agentes culturais, aproximar a cultura das escolas e das comunidades, promover a
inclusão através da participação cultural, e consolidar projetos e infraestruturas que deixem valor instalado
nos territórios.”
Um investimento na “inteligência coletiva, na formação crítica dos cidadãos, na criatividade, na
economia cultural, e na capacidade de as comunidades participarem ativamente na construção do seu
próprio futuro.”
“Portugal precisa de voltar a acreditar na sua capacidade de imaginar o futuro. E não há futuro sem Cultura.
Não há comunidades mais fortes sem leitura. Não há democracia mais qualificada sem pensamento crítico.
Não há desenvolvimento sustentável sem criatividade e conhecimento. Óbidos apresenta-se à Capital
Portuguesa da Cultura porque acredita que a Cultura pode estar no centro das decisões públicas e porque
quer demonstrar, através da sua experiência, que investir na Cultura cria oportunidades, qualifica pessoas,
atrai talento e fortalece comunidades”.
“Ao longo dos últimos anos, provámos que um território de pequena dimensão pode liderar grandes
transformações quando coloca as pessoas no centro das suas escolhas. Esta candidatura é um convite ao
país para pensar maior. Para acreditar que a Cultura pode ser uma força estruturante do desenvolvimento
nacional”.
Ricardo Duque, vereador da Cultura, sublinha o alcance político desta visão. “Esta candidatura propõe uma
mudança de paradigma. A Cultura não pode continuar a ocupar um lugar periférico nas prioridades
coletivas. A Literatura, a leitura e a criação são instrumentos de emancipação individual e coletiva. Investir
nelas é investir na liberdade, na capacidade crítica e na preparação das próximas gerações para enfrentarem
um mundo cada vez mais complexo”.
Para o responsável pelo pelouro da Cultura, “a leitura e a escrita não são apenas competências. São formas de participação democrática, de construção de comunidade e de exercício da cidadania. É essa experiência que Óbidos quer partilhar com o país”.
Criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento
Um dos elementos estruturantes da proposta será a criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento, uma grande infraestrutura cultural do século XXI, concebida como biblioteca contemporânea, centro de criação artística, espaço de investigação, auditórios, galerias, residências criativas e fóruns de participação coletiva.
Faz parte da candidatura ainda um Centro de Internacionalização da Língua Portuguesa, dedicado à tradução, à
diplomacia cultural, à formação, à investigação, e à circulação de autores e criadores dos países da CPLP.
A ambição é “contribuir para que Óbidos se afirme como uma das capitais internacionais da língua
portuguesa e para que Portugal assuma uma posição de liderança cultural no espaço lusófono”, justifica
Ricardo Duque.
Este equipamento constituirá o principal legado físico e institucional da candidatura e materializará a
ambição de afirmar Portugal como referência europeia nas políticas públicas da leitura, da Literatura e do
conhecimento. Esta candidatura parte igualmente da convicção de que é tempo de superar uma visão limitada da Cultura como mera política compensatória ou instrumento exclusivo de redistribuição social.
“A dimensão democrática da cultura é inegociável. O acesso deve ser universal. A participação deve ser
inclusiva”, argumenta Filipe Daniel. “Mas a Cultura é também criação de valor. É economia. É inovação. É
atratividade territorial. É capacidade de fixar e atrair talento. É geração de oportunidades para as novas
gerações”.
Ricardo Duque diz que “os territórios mais competitivos do mundo compreenderam que criatividade e desenvolvimento caminham juntos”.
“A Cultura tornou-se um recurso estratégico para regenerar cidades, qualificar pessoas, estimular o
empreendedorismo e reforçar a capacidade de inovação. Portugal não deve limitar-se a distribuir riqueza
através da cultura. Deve ter a ambição de a criar através dela. Porque Óbidos 2028 não é apenas uma candidatura de um território. É uma proposta para Portugal. A convicção de que a Cultura não é um luxo
reservado aos tempos de prosperidade. É uma condição da prosperidade. Não é consequência do
desenvolvimento mas, antes, uma das suas causas. Não é apenas uma política de distribuição. É também
uma política de criação: criação de conhecimento, criação de oportunidades, criação de riqueza e criação de
futuro”, conclui o autarca.


