A conferência Democracia e Liberdade encerra amanhã, 26 de novembro, o ciclo sobre o período revolucionário no Palácio da Independência, em Lisboa. O Parlamento assinala hoje os 50 anos do 25 de Novembro em sessão solene igual ao 25 de Abril. Na Praça do Comércio, realizou-se esta manhã parada militar para assinalar os 50 anos do 25 de Novembro de 1975.
Promovido pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, o ciclo com o subtítulo “Desvios, confrontos, percalços da Revolução e o triunfo da Democracia”, percorre as diferentes fases do processo revolucionário posterior ao 25 de Abril, desde julho de 1974 até ao 25 de novembro de 1975. A Sociedade Histórica de Independência Nacional realiza amanhã, 26 de novembro, às 15.30 horas, a última conferência sobre a data histórica do período revolucionário: Democracia e Liberdade. O jornalista Henrique Monteiro será o moderador, contando ainda com o painel residente do ciclo, composto nesta sessão por José Ribeiro e Castro, Carlos Magno, José Luís Ramos Pinheiro, Maria João Avillez e Nuno Rogeiro.
O ataque dos paraquedistas, a tomada da RTP e o uso da sua antena para serviço da sublevação, o alinhamento revolucionário com Polícia Militar e RALIS, as movimentações de militantes do PCP e extrema-esquerda, a resposta dos moderados que se tinham preparado para a eventualidade, a base de Cortegaça e a reserva estratégica que guardara, as negociações constantes no Palácio de Belém, o contra-ataque dos Comandos, a chamada dos “convocados” civis, o sobrevoo de Lisboa, a preocupação de não provocar mortes, que incendiariam
tudo serão os acontecimento analisados pelo painel, adianta a organização ao Estado com Arte Magazine.
Entre setembro e novembro de 1975, Portugal viveu semanas decisivas, com o país dividido entre o sonho
revolucionário e a rejeição da desordem. No início de setembro, o MFA reuniu-se em Tancos, em longas sessões
marcadas por olhares tensos e vozes firmes, expondo a divisão entre os radicais do PCP e COPCON e os moderados do Grupo dos Nove, que defendiam limites ao poder militar e o regresso à legalidade democrática.
O gonçalvismo perdia força. Vasco Gonçalves entra em queda política como primeiro-ministro a 30 de agosto e, a seguir, é também rejeitado para CEMGFA. Rumores sobre o desvio de mil espingardas G3 do exército em Beirolas, a 10 de setembro, alimentavam conspirações e ansiedade nos quartéis. A 19 de setembro, Pinheiro de Azevedo assume o VI Governo Provisório, tentando recompor uma maioria moderada e restaurar alguma ordem, mas o país fervilhava.
A 25 de setembro, os Soldados Unidos Venceremos (SUV) desfilaram pelas ruas, faixas e bandeiras vermelhas ondulando ao vento, denunciando “a traição dos moderados”. A 26 de setembro, são retirados ao COPCON poderes de intervenção e, a 27 de setembro, militantes de esquerda assaltaram a Embaixada de Espanha, incendiando símbolos do regime franquista.
Outubro manteve a instabilidade. Greves e ocupações de empresas enchiam as ruas de ruídos de sirenes e cânticos operários. No campo, as ocupações de terras no Alentejo e Ribatejo transformaram-se em Unidades Coletivas de Produção, com moradores assumindo tratores e arados, enquanto no Norte a resistência conservadora mobilizava também bandeiras religiosas e respondia em confrontos locais.
A Rádio Renascença, selada a 15 de outubro, mantinha a transmissão através de um grupo persistente de ocupantes, desafiando a autoridade.
Novembro elevou a tensão. A 7 de novembro, confrontos violentos em Rio Maior opuseram trabalhadores das UCP a militantes da CAP. A 12 e 13 de novembro, trabalhadores da construção civil cercaram o Palácio de São Bento, sequestrando deputados. O Terreiro do Paço assistiu a duas grandes manifestações: a 9 de novembro, em apoio ao VI Governo e Pinheiro de Azevedo, e a 16 de novembro, organizada pelo PCP e aliados, em sentido contrário.
A 19 de novembro, o VI Governo decidiu entrar em greve, medida que durou de 21 a 28 de novembro. Pinheiro de Azevedo justificou a decisão com a célebre frase: “Fui sequestrado duas vezes, já chega! Não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia.”
No RALIS, a 21 de novembro, soldados realizaram o juramento de bandeira revolucionário, avançando a presença militar da Revolução em Lisboa. Entre ruas, quartéis e praças, Portugal caminhava para o 25 de novembro, quando o confronto decisivo colocaria fim à fase mais radical do PREC e abriria caminho à estabilização democrática.
A iniciativa, iniciada em 15 de outubro, decorreu ao longo de sete encontros, até 26 de novembro e conta com convidados de reconhecido conhecimento sobre a época histórica revolucionária em análise.


