Inauguração da exposição INNATA, de Alfredo Moreira da Silva, no Prata Riverside Village, em Marvila, na próxima segunda-feira, 25 de maio, às 18h30, conta com o comissariado de Carlos Moura-Carvalho.
Com uma carreira de mais de cinco décadas, Alfredo Moreira da Silva raramente expõe publicamente, “tem um percurso singular e discreto”, comenta Carlos Moura-Carvalho.
Desde os anos 1990 vive na Herdade da Matinha, no Cercal do Alentejo, onde desenvolveu um projeto notável num território de 107 hectares, através da plantação de mais de 65 mil árvores e da construção paciente de uma estrutura ecológica em permanente transformação.
A exposição procura colocar esta obra num contexto contemporâneo muito particular em espaços ainda em bruto e por ocupar, no estacionamento do condomínio Prata Riverside Village, em Marvila, um projeto do arquiteto Renzo Piano. “Um enquadramento improvável, mas profundamente coerente com o trabalho apresentado”, diz Moura Carvalho”, destaca o comissário da exposição.
“As suas pinturas partem dessa mesma visão: a ação humana como sistema de consequências que excede a perceção imediata,” sublinha.
Alfredo Moreira da Silva (1958) é um pintor português que trabalha no campo da abstração contemporânea, com uma linguagem contemplativa e cromática enraizada na paisagem e no expressionismo naturalista. Ao longo de cinquenta anos, desenvolveu uma prática pictórica de cor paciente e estratificada, moldada pelo gesto, pela atmosfera, pela memória e pela observação sustentada.
Através de véus, densidades e campos cromáticos, as suas superfícies registam a paisagem como sensação, memória e duração vivida.
Formado na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, amadureceu artisticamente no período de abertura cultural que se seguiu à Revolução de 25 de Abril de 1974. Entre 1978 e 1983, viveu em residência prolongada num ashram, um período de disciplina contemplativa que permanece como corrente subterrânea na sua obra. Através da Casa Moreira da Silva, herda também uma relação familiar com a paisagem portuguesa; os seus viveiros de árvores têm moldado jardins em Portugal desde o século XIX.
As suas pinturas são expostas desde 1995, na Galeria Rui Alberto, no Porto, e na Galeria Novart, em Lisboa, integram coleções privadas em todo o mundo.
Entre 2025 e 2026, o Município de Santiago do Cacém apresenta a sua retrospetiva de cinquenta anos, SUL: Espectros Além do Tejo, no Museu Municipal e no Auditório António Chainho.
O território fundador da sua vida e obra é a Herdade da Matinha, a sua propriedade de 110 hectares em Cercal, no Alentejo, regenerada ao longo de décadas de plantação e gestão ecológica. A herdade acolhe uma apresentação permanente da sua obra e está aberta a artistas e pensadores em residência.
Em 2024, o programa Matinha Re-Gen, enraizado na regeneração de mais de 65.000 árvores na Herdade da Matinha, foi nomeado para o Earthshot Prize da The Royal Foundation. A paisagem que restaurou é também a paisagem a partir da qual pinta.
Entre tela, floresta, jardim e residência, Moreira da Silva construiu uma obra de vida em que a pintura se torna simultaneamente testemunho e medida, “o registo de um lugar vivido com disciplina e devoção”, segundo o artista.
A exposição INNATA, de Alfredo Moreira da Silva, vai decorrer entre 25 de maio e 5 de junho no Prata Riverside Village, em Marvila, em Lisboa.


