{"id":12658,"date":"2026-05-09T19:24:31","date_gmt":"2026-05-09T19:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/?p=12658"},"modified":"2026-05-09T19:25:55","modified_gmt":"2026-05-09T19:25:55","slug":"historia-o-mosteiro-de-sao-miguel-de-refojos-de-basto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/2026\/05\/09\/historia-o-mosteiro-de-sao-miguel-de-refojos-de-basto\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIA. O MOSTEIRO DE S\u00c3O MIGUEL DE REFOJOS DE BASTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>As origens do mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos, em <b>Cabeceiras de Basto,<\/b> remontam ao per\u00edodo da reconquista crist\u00e3, anterior \u00e0 nacionalidade. Possivelmente centro mon\u00e1stico pr\u00e9-beneditino, estava situado numa regi\u00e3o rica das terras do interior do Minho. Desta \u00e9poca ficou a mem\u00f3ria de Herm\u00edgio Romarigues, o Basto, que segundo antiga tradi\u00e7\u00e3o popular defendeu valorosamente o mosteiro contra as investidas dos mouros.<\/strong><\/p>\n<p>O local aparece referido em 1017 como Monasterium Refugii, alus\u00e3o prov\u00e1vel ao facto de se tratar de um lugar de ref\u00fagio nos tempos conturbados da reconquista.<\/p>\n<p>Em 1131, D. Afonso Henriques passou carta de couto a D. Gueda Mendes, o mais antigo documento existente relativo \u00e0 origem do mosteiro. Da mesma \u00e9poca \u00e9 o c\u00e9lebre c\u00e1lice em cuja base se encontra a inscri\u00e7\u00e3o GEDA MENENDIZ ME FECIT IN ONOREM SCI MICHAELIS E. MCLXXXX &#8211; Em honra de S\u00e3o Miguel Gueda Mendes me fez. Era de 1190 (ano 1152).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o e do mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos \u00e9 paralela \u00e0 da recristianiza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o ocidental da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, que foi avan\u00e7ando para Sul a partir de Entre-Douro-e-Minho, particularmente por ac\u00e7\u00e3o dos beneditinos.<\/p>\n<p>O mosteiro prosperou durante a Idade M\u00e9dia, enriquecendo e aumentando o seu patrim\u00f3nio com m\u00faltiplas doa\u00e7\u00f5es, sendo os privil\u00e9gios sucessivamente renovados pelos primeiros reis.<\/p>\n<p>Em 1428 come\u00e7ou a \u00e9poca dos abades comendat\u00e1rios, de governo ruinoso para o mosteiro.<\/p>\n<p>Em 1575, teve lugar a reforma do Mosteiro de S\u00e3o Miguel, considerado de reconhecida import\u00e2ncia desde a sua integra\u00e7\u00e3o na Congrega\u00e7\u00e3o Beneditina. No primeiro quartel do s\u00e9culo XVIII era o segundo maior mosteiro beneditino \u2013 depois de Tib\u00e3es \u2013 considerado Casa Grande desde o princ\u00edpio da Congrega\u00e7\u00e3o, com rendas provenientes de uma vasta regi\u00e3o incluindo Tr\u00e1s-os-Montes.<\/p>\n<p>Em 1767 foi sagrada a nova igreja, considerada por alguns como a mais sumptuosa da ordem beneditina em Portugal.<\/p>\n<p>O mosteiro moldou de forma particular a vida agr\u00edcola da regi\u00e3o, da qual ainda permanecem vest\u00edgios: o lagar, a adega, o moinho de p\u00e3o. Foi n\u00facleo de assist\u00eancia na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o local, nomeadamente atrav\u00e9s da botica com os seus prestigiados botic\u00e1rios. Foi tamb\u00e9m importante centro de forma\u00e7\u00e3o, com Col\u00e9gio de Humanidades e Filosofia, assistido pela not\u00e1vel Livraria.<\/p>\n<p>Pelo mosteiro passaram figuras de relevo como: Frei Diogo de Mur\u00e7a (c. 1495 &#8211; 1560), Frei Ant\u00f3nio do Desterro Malheiro (1694-1773), Frei Jo\u00e3o de Jesus Maria (1716 &#8211; 1795), Frei Ant\u00f3nio da Assun\u00e7\u00e3o Meireles (1799).<\/p>\n<p>No princ\u00edpio do s\u00e9culo XIX, o mosteiro passou por per\u00edodos conturbados, por efeito das invas\u00f5es francesas e das lutas liberais.<\/p>\n<p>Com a extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas, em 1834, os monges foram obrigados \u00e0 exclaustra\u00e7\u00e3o. O mosteiro ficou praticamente a saque e muitas obras de arte desapareceram ou foram destru\u00eddas. A Livraria, dispersa ou destru\u00edda ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do mosteiro, com rico esp\u00f3lio bibliogr\u00e1fico, foi enviada para a Biblioteca P\u00fablica de Braga em 1838. As depend\u00eancias monacais foram vendidas em hasta p\u00fablica a Jo\u00e3o Ant\u00f3nio Fernandes Basto (\u2020 1873), e posteriormente (1844) \u00e0 C\u00e2mara Municipal. Parte do antigo edif\u00edcio monacal foi transformado em resid\u00eancia dos herdeiros do novo propriet\u00e1rio \u2013 a chamada Casa do Mosteiro. Nas restantes antigas depend\u00eancias instalaram-se os Pa\u00e7os do Conselho e diversas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em 1933, o conjunto monumental foi classificado parcialmente &#8211; igreja, sacristia e tecto do Sal\u00e3o Nobre dos Pa\u00e7os do Conselho &#8211; como IIP (Im\u00f3vel de Interesse P\u00fablico).<\/p>\n<p>Em 1944, a Casa do Mosteiro foi vendida para a instala\u00e7\u00e3o do Externato de S\u00e3o Miguel, inaugurado no dia 29 de Setembro desse ano.<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX e in\u00edcios do s\u00e9culo XXI, foram feitas obras de conserva\u00e7\u00e3o e restauro.<\/p>\n<p>O antigo e secular mosteiro foi um dos mais ricos mosteiros beneditinos da regi\u00e3o de Entre-Douro-e-Minho. Os v\u00e1rios inc\u00eandios ao longo dos s\u00e9culos n\u00e3o permitiram a conserva\u00e7\u00e3o de registos, pelo que de uma forma geral est\u00e1 pouco documentado. Ainda s\u00e3o significativos, no entanto, os vest\u00edgios da implanta\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12662\" src=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/igreja-300x174.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/igreja-300x174.webp 300w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/igreja.webp 532w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>II . A IGREJA E O ANTIGO MOSTEIRO DE S\u00c3O MIGUEL DE REFOJOS: DESCRI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O espl\u00eandido conjunto monumental da igreja e antigo mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos de Basto ergue-se no centro da vila, definindo de modo particular toda a zona envolvente.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 igreja situa-se o antigo terreiro mon\u00e1stico, actual Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, onde ainda se realizam as grandes festas de S\u00e3o Miguel no final de Setembro. No outro extremo da pra\u00e7a, situa-se o cruzeiro com inscri\u00e7\u00f5es ANNO 1737 F. GAB.EL DE STA THEREZA, &#8211; Fez (o Abade) Frei Gabriel de Santa Teresa. Junto do cruzeiro encontra-se o busto de um guerreiro lusitano \u2013 o Basto \u2013 tradicionalmente identificado como o do monge-guerreiro que no s\u00e9culo VIII defendeu o mosteiro das acometidas mouras.<\/p>\n<p>O conjunto monumental \u00e9 constitu\u00eddo pela igreja que se imp\u00f5e pela altura das suas torres e pelas depend\u00eancias do antigo mosteiro, \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>A igreja tem a fachada principal em granito lavrado. O grande portal tem no t\u00edmpano do front\u00e3o as armas da Congrega\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>Sobre o portal, destaca-se um peculiar varandim com guarda de ferro, tendo ao centro um altar com pequeno ret\u00e1bulo policromado. No nicho, preside a imagem de S\u00e3o Miguel \u2013 padroeiro da igreja e do antigo mosteiro &#8211; tendo na pare superior inscrita a data 1763, referente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da fachada.<\/p>\n<p>Lateralmente, encontram-se as esculturas de S\u00e3o Bento e Santa Escol\u00e1stica, fundadores da ordem beneditina e do ramo feminino, respectivamente.<\/p>\n<p>Na fachada principal integram-se as altas e s\u00f3lidas torres sineiras, ambas com mostru\u00e1rio de rel\u00f3gios em granito. A da esquerda mant\u00e9m os sinos, entre eles o sino grande ou principal colocado em 1789,<\/p>\n<p>O zimb\u00f3rio, de planta octogonal, impressiona pela sua monumentalidade. Tem balaustrada com bustos de pont\u00edfices e bispos beneditinos. No lanternim que coroa o zimb\u00f3rio, imp\u00f5e-se a colossal est\u00e1tua de S\u00e3o Miguel.<\/p>\n<p>Na fachada lateral, destaca-se uma varanda alpendrada \u2013 Sol\u00e1rio -, de acesso \u00e0s antigas depend\u00eancias monacais.<\/p>\n<p>O Interior da igreja \u00e9 vasto e grandioso, especialmente iluminado pelo zimb\u00f3rio e pelos amplos janel\u00f5es laterais. Ressalta o brilho da talha dourada, atribu\u00eddo ao renomado Frei Jos\u00e9 de Santo Ant\u00f3nio Ferreira Vila\u00e7a (1732-1809).<\/p>\n<p>\u00c0 entrada, no subcoro, destacam-se o guarda-vento, em madeira policromada, e as pias de \u00e1guas benta em granito.<\/p>\n<p>O baptist\u00e9rio tem pia baptismal simples assente em coluna estriada, um arm\u00e1rio de alfaias integrado na parede e uma admir\u00e1vel balaustrada em pau-santo do mestre Manuel Moreira Dias (1769).<\/p>\n<p>A nave \u00e9 iluminada pelos grandes janel\u00f5es emoldurados, do lado direito.<\/p>\n<p>\u00c0 entrada da nave, de ambos os lados, est\u00e3o os antigos confession\u00e1rios, incorporados nas paredes, tamb\u00e9m emoldurados, no estilo dos mestres entalhadores.<\/p>\n<p>Dois monumentais \u00f3rg\u00e3os setecentistas, apoiados em grandes m\u00edsulas de talha pol\u00edcroma e dourada, encontram-se ao coro alto. As caixas, em madeira de castanho, est\u00e3o protegidas por varandim de pau-preto e assentes em peculiares carrancas e figuras fant\u00e1sticas e aleg\u00f3ricas. A parte superior remata com tr\u00eas figuras aleg\u00f3ricas: \u00e0 direita a F\u00e9, a Esperan\u00e7a e a Caridade; \u00e0 esquerda, a Igreja, a Justi\u00e7a e a Fortaleza.<\/p>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o confrontantes e g\u00e9meos, sendo um deles mudo, como era habitual fazer-se na \u00e9poca. O \u00f3rg\u00e3o da direita \u2013 o verdadeiro \u2013 est\u00e1 atribu\u00eddo ao organeiro Francisco Ant\u00f3nio Solla (1770).<\/p>\n<p>As seis capelas retabulares est\u00e3o dedicadas a antigas devo\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o e da ordem beneditina. S\u00e3o em talha policromada em tons de amarelo, azul, verde e rosa, com tribuna envidra\u00e7ada. Est\u00e3o interligadas por uma balaustrada semelhante \u00e0 do baptist\u00e9rio, tamb\u00e9m da autoria de Manuel Moreira Dias.<\/p>\n<p>Do lado direito, encontram-se: o altar de Santa Quit\u00e9ria, com a respectiva imagem ladeada por S\u00e3o Bento e S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista; e o altar de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o em nicho de fundo floreado. Neste, a imagem tem a particularidade do dem\u00f3nio estar representado com uma carranca.<\/p>\n<p>Do lado esquerdo, encontra-se o altar de Nossa Senhora das Dores. Junto a este altar, est\u00e1 o grande quadro de indulg\u00eancias concedidas pelo Papa Pio VI em 1787, numa situa\u00e7\u00e3o de grande turbul\u00eancia na Europa, para todos os que visitarem este altar de Nossa Senhora das Dores e \u201cpedirem pella paz entre os Princepes Christaons\u201d.<\/p>\n<p>Os p\u00falpitos t\u00eam talha id\u00eantica \u00e0 dos ret\u00e1bulos, com guarda plena de \u00e9bano e baldaquino, em total sintonia com estilo barroco do conjunto.<\/p>\n<p>O transepto, amplo e alongado, tem ainda no pavimento os antigos taburnos de pedra das sepulturas. Ao centro, encontra-se a campa brasonada da casa do Barros\u00e3o, com o escudo de armas dos Rebelos, Vasconcelos, Leites e Pereiras.<\/p>\n<p>Sobre o cruzeiro, ergue-se o grandioso zimb\u00f3rio, com cerca de trinta e cinco metros de altura. Tem forma oitavada, com gomos de granito assentes em colunas geminadas. A magn\u00edfica c\u00fapula oval ilumina toda a igreja. Culmina com o lanternim tamb\u00e9m com janelas a toda a volta, e cobertura que serve de base \u00e0 grandiosa est\u00e1tua de S\u00e3o Miguel, vis\u00edvel no exterior.<\/p>\n<p>Nos bra\u00e7os do transepto, encontram-se os altares colaterais de talha policromada, tamb\u00e9m de Frei Jos\u00e9 de Santo Ant\u00f3nio Vila\u00e7a: o altar de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, com a imagem de S\u00e3o Miguel que sai na prociss\u00e3o a 29 de Setembro; e o altar do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, com imagens laterais de S\u00e3o Bento e Santa Gertrudes, santos do devocion\u00e1rio beneditino.<\/p>\n<p>Do lado direito do transepto, encontra-se a preciosa capela octogonal do Sant\u00edssimo Sacramento. Est\u00e1 revestida a talha policromada e tem quatro janel\u00f5es que a iluminam particularmente. Destaca-se no ret\u00e1bulo o Cristo Crucificado, o grande sacr\u00e1rio sobre a banqueta do altar, e os admir\u00e1veis anjos tocheiros. Duas pinturas com temas eucar\u00edsticos, A \u00faltima Ceia e a Recolha do man\u00e1 no Deserto, possivelmente de Jos\u00e9 Teixeira Barreto (1763-1810), completam o conjunto.<\/p>\n<p>Na magn\u00edfica e ampla capela-mor, sobressai a obra de talha de Frei Jos\u00e9 de Santo Ant\u00f3nio Vila\u00e7a. \u00c9 iluminada pelos grandes janel\u00f5es laterais com moldura em talha e delimitada tamb\u00e9m por balaustrada.<\/p>\n<p>O grandioso ret\u00e1bulo-mor em talha dourada est\u00e1 profusamente decorado. O sacr\u00e1rio, integrado na talha, constitui a pe\u00e7a central. Destaca-se tamb\u00e9m o grande quadro representando A Sant\u00edssima Trindade e S\u00e3o Miguel, atribu\u00eddo a Jos\u00e9 Pascoal Parente (c. 1720-1796), ladeado pelas imagens de S\u00e3o Bento e Santa Escol\u00e1stica.<\/p>\n<p>Sobre o altar encontram-se magn\u00edficos casti\u00e7ais tamb\u00e9m em talha, com crucifixo ao centro.<\/p>\n<p>Um grande cadeiral disp\u00f5e-se ao longo das paredes laterais, com as cadeiras abaciais salientes.<\/p>\n<p>Do lado esquerdo, fica o acesso \u00e0 antiga sacristia da igreja, precedida por uma antec\u00e2mara, provavelmente a ala mais antiga do mosteiro, actualmente espa\u00e7o transformado em n\u00facleo museol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Na antec\u00e2mara, com cota inferior \u00e0 da igreja, destaca-se o tecto abobadado com arcos em granito e o magn\u00edfico lavabo em pedra lavrada. Em exposi\u00e7\u00e3o encontram-se as esculturas de S\u00e3o Bento e Santa Escol\u00e1stica, bem como um conjunto de pinturas pertencentes ao mosteiro, atribu\u00eddas a Francisco Correia (1568-1616), possivelmente provenientes de algum convento dominicano.<\/p>\n<p>Segue-se a sala ampla da antiga sacristia, com ab\u00f3boda artesoada com o bras\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o beneditina portuguesa em elementos separados \u2013 Castelo, Mitra, Le\u00e3o &#8211; no cruzamento das ogivas.<\/p>\n<p>Na parede testeira em cantaria lavrada com ornatos gran\u00edticos, insere-se um ret\u00e1bulo em talha dourada, e lateralmente esculturas da Virgem com o Menino e da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>Dispostos ao longo das paredes, destacam-se os impressionantes arcazes em pau-preto, os dois contadores \u00e0 entrada e a mesa de tampo octogonal. Todo o conjunto \u00e9 obra do mestre bracarense Agostinho Marques (\u2020 1720).<\/p>\n<p>De destacar igualmente o conjunto de espelhos, de modelo ingl\u00eas, de Frei Jos\u00e9 de Santo Ant\u00f3nio Vila\u00e7a.<\/p>\n<p>O Coro-alto, conjunto harmonioso de talha, tem uma admir\u00e1vel balaustrada em pau-santo, de Manuel Moreira Dias, com um Orat\u00f3rio com Crucificado ao centro; a singular estante de coro; e o grande cadeiral mon\u00e1stico, de Manuel Carneiro da Costa, Lu\u00eds Manuel Silva e Jos\u00e9 da Costa Fernandes (1768).<\/p>\n<p>As antigas depend\u00eancias monacais s\u00e3o compostas de dois corpos, um deles na continuidade da igreja, mais antigo, disposto em volta de um claustro, obra de Frei Greg\u00f3rio da Madre de Deus (1692), actualmente ocupado pela C\u00e2mara Municipal e alguns dos seus servi\u00e7os. O segundo corpo \u00e9 mais recente, antigo col\u00e9gio dos estudantes religiosos, onde actualmente est\u00e1 alojado o Col\u00e9gio de S\u00e3o Miguel.<\/p>\n<p>O edif\u00edcio exteriormente \u00e9 de linhas simples. Na fachada principal, o portal tem inscri\u00e7\u00e3o gravada ANO 1690, data correspondente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do mosteiro. \u00c0 esquerda, tem inscri\u00e7\u00e3o com as siglas AAFB, abreviatura de Alexandre Augusto Fernandes Basto &#8211; herdeiro do antigo propriet\u00e1rio que adquiriu o mosteiro ap\u00f3s a sua extin\u00e7\u00e3o em 1834 \u2013 e a data 1883 3 Abril correspondente \u00e0 data da remodela\u00e7\u00e3o desta fachada.<\/p>\n<p>O grande Claustro, do s\u00e9culo XVII, elemento central da vida mon\u00e1stica, caracter\u00edstico dos mosteiros beneditinos, comunica com a igreja. Tem forma quadrangular, com nove arcos. No centro mant\u00e9m-se o chafariz com tanque e ta\u00e7a circular.<\/p>\n<p>O claustro d\u00e1 acesso ao prov\u00e1vel antigo refeit\u00f3rio dos monges \u2013 actualmente Audit\u00f3rio Municipal \u2013 e ao refeit\u00f3rio dos h\u00f3spedes, precedidos por um not\u00e1vel lavat\u00f3rio esculpido em pedra.<\/p>\n<p>Na escadaria principal, de acesso ao piso superior, mant\u00e9m-se ainda o bras\u00e3o da ordem beneditina no tecto, a antiga sineta mon\u00e1stica e o nicho esculpido com a imagem de S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>O Sal\u00e3o Nobre \u2013 antiga ouvidoria do Mosteiro \u2013 tem um singular tecto em caixot\u00f5es de madeira, classificado como Im\u00f3vel de Interesse P\u00fablico desde 1933; e tamb\u00e9m uma grande pintura, representando a Ceia de S\u00e3o Bento e o Corvo atribu\u00edda ao Padre Manuel Correia de Sousa (1703).<\/p>\n<p>No Col\u00e9gio de S\u00e3o Miguel, destaca-se a ampla escadaria, o local das antigas adegas do mosteiro \u2013 actual bar -, e um lavabo, id\u00eantico ao da ante-sacristia, numa das salas.<\/p>\n<p>No piso superior encontram-se os antigos dormit\u00f3rios, actualmente adaptados a salas de aula.<\/p>\n<p>A antiga Sala do Cap\u00edtulo \u2013 actual Capela do Col\u00e9gio \u2013 tem inscri\u00e7\u00e3o no lintel do portal PECCANTES CORAM OMNIBUS ARGUE 1 AD TIM\u00d3TEO 5 1703 (Aos que faltam \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es, repreende-os diante de todos, I Tim\u00f3teo, 5, 20). A capela tem ret\u00e1bulo de talha dourada com imagem de Santa Gertrudes.<\/p>\n<p>A distinta Livraria foi recentemente recuperada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12661\" src=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/saomiguel-300x225.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/saomiguel-300x225.webp 300w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/saomiguel-1024x768.webp 1024w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/saomiguel-768x576.webp 768w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/saomiguel.webp 1134w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III . A ORDEM BENEDITINA<\/strong><\/p>\n<p>A milenar Ordem Beneditina, Ordo Sancti Benedicti (OSB), teve origem na singular Regra de S\u00e3o Bento. O Santo Patriarca n\u00e3o fundou uma ordem mas v\u00e1rios mosteiros que tinham em comum a Regra, sendo cada mosteiro uma unidade aut\u00f3noma, sujeita a um Abade, de acordo com o esp\u00edrito da mesma.<\/p>\n<p>As monjas beneditinas, estabelecidas originalmente num mosteiro situado perto de Montecassino, ter\u00e3o a sua origem em Santa Escol\u00e1stica, irm\u00e3 g\u00e9mea de S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>Impulsionada pelo Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (540-604), a Regra come\u00e7ou a expandir-se pela Europa. No s\u00e9culo IX, a vida beneditina era praticamente a \u00fanica forma de vida mon\u00e1stica da Europa Ocidental. Os monges de S\u00e3o Bento foram os grandes evangelizadores e civilizadores do continente europeu.<\/p>\n<p>A Ordem Beneditina conheceu v\u00e1rias reformas, a primeira das quais teve in\u00edcio na Abadia de Cluny na Borgonha, e por isso \u00e9 chamada cluniacense. No s\u00e9culo XI, teve lugar a importante reforma cisterciense, impulsionada por S\u00e3o Bernardo de Claraval. Posteriormente, no s\u00e9culo XVI, realizou-se a grande Reforma Beneditina promovida pelo Conc\u00edlio de Trento (1545 \u2013 1563) e pelo Papa S\u00e3o Pio V (1504-1572), sendo ent\u00e3o criadas as Congrega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os beneditinos, tamb\u00e9m chamados monges negros devido \u00e0 cor do h\u00e1bito, professam os tr\u00eas votos essenciais do estado religioso, explicitando o da obedi\u00eancia a submiss\u00e3o ao prior ou abade, bem como os votos de estabilidade no mosteiro ou na congrega\u00e7\u00e3o, e de convers\u00e3o dos costumes. O seu lema, Ora et Labora, \u00e9 um resumo da espiritualidade beneditina, apoiada no Of\u00edcio Divino comunit\u00e1rio, que tem significativa express\u00e3o nos coros das igrejas mon\u00e1sticas.<\/p>\n<p>A Regra de S\u00e3o Bento \u00e9 um conjunto de preceitos destinados a regular a viv\u00eancia da comunidade mon\u00e1stica. Consta de 73 cap\u00edtulos e abrange temas como a adora\u00e7\u00e3o a Deus, os deveres do abade, o comportamento dos monges \u2013 nomeadamente os deveres de hospitalidade \u2013, a administra\u00e7\u00e3o do mosteiro e a sua disciplina.<\/p>\n<p>Os monges beneditinos estavam preparados para exercer qualquer trabalho que fosse compat\u00edvel com o desempenho do Of\u00edcio Divino, de acordo com as necessidades do momento e do lugar onde se encontrassem: estudar ou ensinar, praticar as artes ou a agricultura, etc. O objectivo da Regra era permitir que a vida dos monges fosse uma simbiose fecunda de ac\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua universalidade, a Regra de S\u00e3o Bento ajudou a moldar a diversidade cultural e civilizacional dos povos, contribuindo activamente para o enraizamento dos valores crist\u00e3os em todo o ocidente europeu.<\/p>\n<p>Os beneditinos e a sua Regra est\u00e3o ligados a Portugal desde a sua origem, entranhados na hist\u00f3ria do pa\u00eds e de cada regi\u00e3o e nas ra\u00edzes essencialmente crist\u00e3s da cultura portuguesa.<\/p>\n<p>A Regra foi introduzida em territ\u00f3rio portucalense pelos monges cluniacenses, a partir do Conc\u00edlio de Coian\u00e7a (c. 1055), embora seja de 959 a primeira refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 mesma. Tendo conhecido grande expans\u00e3o at\u00e9 ao s\u00e9culo XII, foi not\u00e1vel o papel dos mosteiros na tarefa da reconquista crist\u00e3, particularmente no Norte, como refere Frei Le\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e1s na Beneditina Lusitana: \u201c (\u2026) na prov\u00edncia de Entre-Douro-e-Minho se viu um agregado de tantos mosteiros e de tantas estrelas neles, que com raz\u00e3o lhe podemos chamar Via L\u00e1ctea da Religi\u00e3o de S\u00e3o Bento de Portugal\u201d (1). A Ordem Militar de Avis, fundada nos finais do s\u00e9culo XII, difusora da Regra do Santo Patriarca segundo a reforma Cisterciense, teve um papel particular no Sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Seguiu-se um longo per\u00edodo de decad\u00eancia, efeito em grande parte dos excessos de padroeiros e comendat\u00e1rios, com a degrada\u00e7\u00e3o da disciplina mon\u00e1stica, sendo extintos muitos mosteiros e alguns entregues a outras institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>A reforma da Ordem em Portugal iniciou-se em 1558 a partir do mosteiro de Tib\u00e3es. Foi criada a Congrega\u00e7\u00e3o dos Monges Negros de S\u00e3o Bento dos Reinos de Portugal que se dedicou \u00e0 restrutura\u00e7\u00e3o dos mosteiros que existiam e promoveu novas funda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVII, existiam em Portugal vinte e seis mosteiros beneditinos masculinos e femininos.<\/p>\n<p>Em 1834, na sequ\u00eancia do decreto de extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas, os mosteiros foram abandonados, degradando-se rapidamente.<\/p>\n<p>Em 1865, iniciou-se a restaura\u00e7\u00e3o da Ordem, a partir do antigo mosteiro de Cucuj\u00e3es, por ac\u00e7\u00e3o de D. Frei Jo\u00e3o de Santa Gertrudes Leite de Amorim, monge de nacionalidade portuguesa vindo do Rio de Janeiro. Em 1910, no contexto da instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o mosteiro voltou a ser confiscado.<\/p>\n<p>Em 1938, o mosteiro de Singeverga, entretanto fundado, foi elevado a Abadia, seguindo-se a instala\u00e7\u00e3o da cela mon\u00e1stica no antigo mosteiro de S\u00e3o Bento da Vit\u00f3ria no Porto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-12660\" src=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/santo-225x300.webp\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/santo-225x300.webp 225w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/santo-768x1023.webp 768w, https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/santo.webp 851w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IV . S\u00c3O MIGUEL ARCANJO: CULTO E ICONOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>Quem como Deus \u00e9 o significado do termo hebraico \u2013 Mi (quem), Ka (como) El (Deus). S\u00e3o Miguel \u00e9 um dos tr\u00eas arcanjos mencionados na Sagrada Escritura, al\u00e9m de S\u00e3o Rafael e S\u00e3o Gabriel.<\/p>\n<p>O culto \u00e9 muito antigo na Europa. Uma das tradi\u00e7\u00f5es est\u00e1 associada \u00e0 vis\u00e3o do Arcanjo por S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista, em Colossos, na Fr\u00edgia, relatada no Apocalipse: \u201cHouve uma batalha no c\u00e9u: Miguel e os seus anjos tiveram de combater o Drag\u00e3o. O Drag\u00e3o e os seus anjos travaram combate, mas n\u00e3o prevaleceram. E j\u00e1 n\u00e3o houve lugar no c\u00e9u para eles\u201d (Apocalipse 12, 7-8).<\/p>\n<p>O culto disseminou-se por toda a Europa, associado \u00e0 intercess\u00e3o de S\u00e3o Miguel nomeadamente nos combates contra os inimigos da Igreja, na luta contra Satan\u00e1s, e no resgate das almas dos fi\u00e9is do poder do dem\u00f3nio, especialmente na hora da morte.<\/p>\n<p>Em 1884, o Papa Le\u00e3o XIII, durante o per\u00edodo conturbado de ataques \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, comp\u00f4s a ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica a S\u00e3o Miguel Arcanjo, amplamente difundida, e rezada especialmente ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o da Missa. Em 1994, a s\u00faplica foi recordada por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II \u201cpara obter ajuda na luta contra as for\u00e7as das trevas e contra o esp\u00edrito deste mundo\u201d.<\/p>\n<p>Em Portugal, o culto \u00e9 anterior \u00e0 nacionalidade e muito enraizado, tradicionalmente associado a D. Afonso Henriques. S\u00e3o Miguel Arcanjo foi invocado como principal protector e padroeiro de Portugal (at\u00e9 D. Jo\u00e3o I). No Norte \u00e9 frequente a dedica\u00e7\u00e3o ao Arcanjo S\u00e3o Miguel de igrejas, capelas e as peculiares alminhas de S\u00e3o Miguel, e tamb\u00e9m de mosteiros fundados ou constru\u00eddos neste per\u00edodo, como \u00e9 o caso do mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos de Basto.<\/p>\n<p>S\u00e3o Miguel Arcanjo \u00e9 especialmente honrado e invocado como guarda e protector da Igreja e como guardi\u00e3o dos agonizantes.<\/p>\n<p>Iconograficamente \u00e9 representado como anjo guerreiro, com armadura, empunhando lan\u00e7a ou espada, tendo aos seus p\u00e9s o dem\u00f3nio. Tem associado alguns atributos: a balan\u00e7a \u2013 alusivo ao peso das almas no Ju\u00edzo Final -, e o drag\u00e3o \u2013 alusivo \u00e0 luta contra o dem\u00f3nio, inspirado no livro do Apocalipse.<\/p>\n<p>A Festa de S\u00e3o Miguel \u00e9 celebrada no dia 29 de Setembro. Em Refojos celebra-se com grande solenidade e magnific\u00eancia e uma grande feira de tradi\u00e7\u00e3o secular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Este artigo \u00e9 Projecto de Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f3nio \u00a0<a href=\"https:\/\/www.explorando-o-patrimonio.com\/monumentos-portugal\/portugal-33\">portugal_33 \/ Monumentos Portugal | Explorando o Patrimonio\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00c3O TOM\u00c1S, Fr. Le\u00e3o, Benedictina Lvsitana, Tomo 2, Lisboa, Imprensa Nacional \u2013 Casa da Moeda, 1974, p. 407.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>AZEVEDO, Carlos, (dir.) Dicion\u00e1rio da Hist\u00f3ria Religiosa de Portugal, Lisboa, Ed. C\u00edrculo de Leitores, 2000.<br \/>\nNa Rota de S\u00e3o Bento por Terras de Portugal, Lisboa, Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cultura e Desenvolvimento, 2010.<br \/>\nDIAS, Geraldo Jos\u00e9 Amador Coelho, Quando os Monges eram uma Civiliza\u00e7\u00e3o\u2026, Porto, CITCEM, Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Transdisciplinar Cultura Espa\u00e7o Mem\u00f3ria, Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento, 2011.<br \/>\nSEQUEIRA, Maria Olga Portela Gon\u00e7alves de Paz, A Igreja do Mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos de Cabeceiras de Basto, Porto, Universidade do Porto, 2013.<br \/>\nDIAS, Geraldo Jos\u00e9 Amadeu Coelho, O Mosteiro de S\u00e3o Miguel de Refojos. J\u00f3ia do Barroco em Terras de Basto, 2\u00aa Ed., Cabeceiras de Basto, C\u00e2mara Municipal, 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado com Arte Magazine<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12659,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[2491],"class_list":["post-12658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-projecto-de-estudo-e-divulgacao-do-patrimonio"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>HIST\u00d3RIA. 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