{"id":5041,"date":"2024-05-07T19:14:08","date_gmt":"2024-05-07T19:14:08","guid":{"rendered":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/?p=5041"},"modified":"2024-05-07T19:22:31","modified_gmt":"2024-05-07T19:22:31","slug":"europa-heranca-de-atenas-jerusalem-e-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/2024\/05\/07\/europa-heranca-de-atenas-jerusalem-e-roma\/","title":{"rendered":"Europa. Heran\u00e7a de Atenas, Jerusal\u00e9m e Roma"},"content":{"rendered":"<p><strong>O dia da Europa ou dia da Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma data comemorativa celebrada anualmente na Europa no dia 9 de Maio. A data escolhida reflete o dia 9 de Maio de 1950, em que o estadista franc\u00eas Robert Schuman avan\u00e7ou com a proposta de uma entidade europeia supranacional.<\/strong><\/p>\n<p>Werner Jaeger nasceu em Lobberich. Frequentou a escola nesta cidade e o Gymnasium Thomaeum, em\u00a0 Kempen . Estudou na Universidade de Marburg e na Universidade de Berlim. Doutorou-se em 1911, com uma tese sobre a\u00a0 Metaf\u00edsica \u00a0de\u00a0 Arist\u00f3teles .<br \/>\nApenas com 26 anos, Jaeger foi convidado para ser catedr\u00e1tico na Universidade de Basileia, na\u00a0 Su\u00ed\u00e7a, indo no ano seguinte para Kiel , e em 1921 voltou a Berlim, onde permaneceu at\u00e9 1936, ano em que emigrou para os\u00a0 Estados Unidos , insatisfeito com a ascens\u00e3o do\u00a0 Nacional Socialismo .<br \/>\nNos Estados Unidos, Jaeger trabalhou em dedica\u00e7\u00e3o exclusiva como professor na Universidade de Chicago de 1936 a 1939. Depois mudou para a\u00a0 Universidade de Harvard \u00a0e finalmente para a cidade de\u00a0 Cambridge (Massachusetts) ,\u00a0onde permaneceu at\u00e9 ao fim da sua vida.<\/p>\n<p>Werner Jaeger na introdu\u00e7\u00e3o do seu livro \u201cPaideia: a forma\u00e7\u00e3o do homem grego\u201d, defende que \u00aba nossa hist\u00f3ria \u2013 na sua mais profunda unidade \u2013 come\u00e7a com a apari\u00e7\u00e3o dos Gregos.\u201d H\u00e1 uma unidade de sentido entre todos os povos ocidentais e a Antiguidade Cl\u00e1ssica, uma hist\u00f3ria \u201cque se fundamenta numa uni\u00e3o espiritual viva e activa e na comunidade de um destino [\u2026] uma comunidade de ideais e de formas sociais e espirituais que se desenvolvem e crescem independentes das m\u00faltiplas interrup\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as.\u201d<br \/>\n\u201cO in\u00edcio da hist\u00f3ria grega surge como princ\u00edpio de uma valora\u00e7\u00e3o nova do Homem, a qual n\u00e3o se afasta muito das ideias difundidas pelo Cristianismo sobre o valor infinito de cada alma humana, nem do ideal de autonomia espiritual que desde o Renascimento se reclama para cada indiv\u00edduo. E teria sido poss\u00edvel a aspira\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo ao valor m\u00e1ximo que os tempos modernos lhe reconhecem, sem o sentimento grego da dignidade humana?<\/p>\n<p>\u00c9 historicamente indiscut\u00edvel que foi a partir do momento em que os gregos situaram o problema da individualidade no cimo do seu desenvolvimento filos\u00f3fico que principiou a hist\u00f3ria da personalidade europeia. Roma e o cristianismo agiram sobre ela\u201d.<\/p>\n<p>De Atenas nos veio o amor pela liberdade pol\u00edtica, a democracia, a filosofia que busca educar o Homem no uso da raz\u00e3o; na busca da Verdade, do Bem e do Belo. De Roma nos veio o Direito, a organiza\u00e7\u00e3o do Estado, o primado da lei acima de tudo e de todos, ricos, pobres, escravos e governantes. O Estado n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o do governante, mas ao servi\u00e7o da \u201cRes publica\u201d, literalmente coisa p\u00fablica, ou seja, o que \u00e9 de todos; daqui deriva o sistema de governo Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>De Jerusal\u00e9m nos veio o juda\u00edsmo por interm\u00e9dio do Cristianismo, o monote\u00edsmo que veio substituir o polite\u00edsmo que reinava tanto em Atenas como em Roma. O monote\u00edsmo veio servir de suporte aos valores ocidentais, ao primado da lei por exemplo; todos s\u00e3o iguais perante a lei porque todos s\u00e3o filhos do mesmo Deus, criador do C\u00e9u e da Terra, um ser pessoal amoroso e bondoso e n\u00e3o caprichoso como os deuses das mitologias grega e romana.<\/p>\n<p>Neste contexto em que nos inserimos, um indiv\u00edduo projecta-se como ponto de ruptura e de modelagem no tempo e no espa\u00e7o, Jesus Cristo. A Sua mensagem dividiu a hist\u00f3ria secular traduzindo assim a exponencial curva que se verificou a partir dele em termos de moralidade e dignifica\u00e7\u00e3o do ser humano.<\/p>\n<p>O significado hist\u00f3rico, portanto, do advento do Cristo \u00e9 o que precisaria primeiramente ser retomado no que tange \u00e0s tentativas de resgatar a nossa pr\u00f3pria imagem perante n\u00f3s mesmos, o que em nada, por \u00f3bvio, diminuiria o significado eterno da Sua palavra. Da\u00ed a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o explicitada por Jaeger na Paideia nos seguintes termos:<br \/>\n\u00ab\u00c9 necess\u00e1rio reconquistar paulatinamente a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria das m\u00e3os enganadoras daqueles que viram na constru\u00e7\u00e3o do ideal do Ocidente apenas uma concess\u00e3o ao desvario de mentes religiosas e fan\u00e1ticas, pois, na verdade, fan\u00e1ticos s\u00e3o aqueles que tecendo intelectualmente teorias supostamente morais, desobrigaram-se da moral individual que sustenta cada um de n\u00f3s e qualquer sociedade minimamente desenvolvida\u00bb.<\/p>\n<p>Salientamos o materialismo hist\u00f3rico, o marxismo e as suas mil facetas que n\u00e3o escondem o solo d\u00e9bil de onde prov\u00eam: a car\u00eancia de uma religiosidade aut\u00eantica e de uma espiritualiza\u00e7\u00e3o sincera, por meio da qual qualquer indiv\u00edduo poder\u00e1 dar-se por capaz de sustentar em si uma moralidade, negada por aqueles que se julgam capazes de construir \u2013 com tal nega\u00e7\u00e3o \u2013 um mundo mais justo e moral.<br \/>\nEste paradoxo do pensamento socialista precisa de ser sempre lembrado e explicitado.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, sentimos a necessidade de reaver o terreno perdido da interpreta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e mostrar que h\u00e1, que sempre houve, uma real alian\u00e7a entre a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental antiga e a actual, mesmo que essa linha se tenha perdido no tempo entre tantos despaut\u00e9rios te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Paideia \u00e9 uma palavra grega que n\u00e3o encontra noutra l\u00edngua um termo equivalente, podendo, na sua abrang\u00eancia, aproximar-se de termos como educa\u00e7\u00e3o, civiliza\u00e7\u00e3o, cultura, literatura, tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA Paideia grega fala-nos, de um ideal de cultura como princ\u00edpio formativo e do ideal de forma\u00e7\u00e3o de um tipo elevado de Homem. A hist\u00f3ria da Paideia \u00e9, ent\u00e3o, a hist\u00f3ria das transforma\u00e7\u00f5es dos valores na Gr\u00e9cia, o que equivale ao processo hist\u00f3rico e espiritual por meio do qual os gregos elaboraram o seu ideal de humanidade.<br \/>\nAs normas que regiam a vida social e individual eram derivadas da percep\u00e7\u00e3o das leis profundas que governam a natureza e o processo de forma\u00e7\u00e3o da juventude assentava no ideal de formar o espirito do Homem tal como ele deveria ser.<\/p>\n<p>Mas o ideal grego de homem era din\u00e2mico e n\u00e3o est\u00e1tico, tendo sido capaz de acolher progressivamente as transforma\u00e7\u00f5es enriquecedoras do seu desenvolvimento hist\u00f3rico. \u00c9 assim que de um conceito de arete (excel\u00eancia, virtude) baseado no hero\u00edsmo, na destreza e na for\u00e7a que busca ser sempre o melhor e distinguir-se dos demais, integra tamb\u00e9m um ideal mais elevado do ponto de vista espiritual, quando a justi\u00e7a passa a ser considerada a\u00a0arete\u00a0por excel\u00eancia.<br \/>\nNa constitui\u00e7\u00e3o da Polis j\u00e1 pairava entre os cidad\u00e3os um sentimento nobre de elevada estima pelo direito e de amor pela justi\u00e7a. Se na Gr\u00e9cia cantada por Homero a juventude se modelava pelo exemplo do her\u00f3i Aquiles, nos tempos \u00e1ureos da democracia ateniense procurava-se formar a juventude no ideal pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Aconteceu que, no meio desse processo da forma\u00e7\u00e3o cultural grega, apareceu um indiv\u00edduo cujo discurso e exemplo provocaram uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o do saber, que ser\u00e1 determinante na hist\u00f3ria da filosofia e na cultura ocidental \u2013 S\u00f3crates.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Werner Jaeger, \u201co mais espantoso fen\u00f3meno pedag\u00f3gico da<br \/>\nhist\u00f3ria do Ocidente\u201d- afirmar\u00e1 a sua f\u00e9 no valor infinito da alma de cada<br \/>\nhomem, fazendo com que a Gr\u00e9cia se defronte com uma nova for\u00e7a de<br \/>\nautoafirma\u00e7\u00e3o, com a invers\u00e3o de valores que converte a for\u00e7a heroica em for\u00e7a interior, indo do hero\u00edsmo externo \u00e0 conquista de si pr\u00f3prio.<br \/>\nSe o mais espec\u00edfico do homem \u00e9 a sua alma imortal, ent\u00e3o \u00e9 no cuidado<br \/>\ndessa alma que a\u00a0Paideia\u00a0socr\u00e1tica encontrar\u00e1 o seu fundamento. E<br \/>\nessa\u00a0Paideia\u00a0\u00e9 a exig\u00eancia de uma vida superior, uma vida cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9<br \/>\nposta em quest\u00e3o sob a perspectiva de sua adequa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o aos bens<br \/>\nsupremos da vida. N\u00e3o se trata de oferecer uma cultura superior para a<br \/>\nforma\u00e7\u00e3o do estadista, como buscavam os sofistas, mas de oferecer ao indiv\u00edduo um rem\u00e9dio contra a ignor\u00e2ncia de si mesmo e da verdadeira finalidade da vida, que \u00e9 melhorar a alma, tornando-a mais Bela e apta para o conhecimento do Bem e da Verdade.<\/p>\n<p>Essa nova ordena\u00e7\u00e3o de valores, pregada e vivida por S\u00f3crates, foi sistematizada ou fundamentada metafisicamente nas obras de Plat\u00e3o, por cujo ideal se dar\u00e1 a assimila\u00e7\u00e3o da filosofia grega por parte da religi\u00e3o crist\u00e3.<br \/>\nA civiliza\u00e7\u00e3o grega influenciou profundamente a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a ponto<br \/>\nde serem a cultura e a filosofia gregas elementos determinantes da hist\u00f3ria do Cristianismo.<br \/>\nA civiliza\u00e7\u00e3o ocidental tem como ber\u00e7o as culturas e civiliza\u00e7\u00f5es do Crescente F\u00e9rtil, dependentes do trigo e outros cereais que ali se cultivavam. Sum\u00e9ria, Creta, Mesopot\u00e2mia, Egito, Israel, S\u00edria, Fen\u00edcia,<br \/>\nBabil\u00f3nia e o Imp\u00e9rio Persa est\u00e3o na base da cultura grega e da cosmovis\u00e3o religiosa de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>No Crescente F\u00e9rtil, sucederam-se culturas, civiliza\u00e7\u00f5es, hegemonias de povos sobre outros povos e assim o centro do poder e da cultura foi passando de m\u00e3o em m\u00e3o e de gera\u00e7\u00e3o<br \/>\nem gera\u00e7\u00e3o. Cada nova cultura e civiliza\u00e7\u00e3o herdava e assimilava os<br \/>\navan\u00e7os da cultura anterior como patrim\u00f3nio, propondo as suas pr\u00f3prias<br \/>\ninova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta sucess\u00e3o de imp\u00e9rios e desloca\u00e7\u00f5es dos centros do poder, expandiu-se geograficamente de sul para o norte e de uma forma mais apreci\u00e1vel de leste para oeste.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia assimilou todas as culturas<br \/>\nanteriores a ela, ao derrotar o Imp\u00e9rio Persa, mas Roma ao assimilar a<br \/>\nGr\u00e9cia, expandiu-se mais para norte e para oeste, aproximando-se do fim<br \/>\ndo mundo conhecido &#8211; \u201cOnde a terra acaba e o mar come\u00e7a\u201d (Lus\u00edadas, de<br \/>\nCam\u00f5es).<br \/>\nQuando o poder e a cultura j\u00e1 se tinham deslocado para Roma e para os<br \/>\nconfins do mundo conhecido e parecia que o Oriente j\u00e1 n\u00e3o tinha mais<br \/>\nnada para dar, nasceu Jesus de Nazar\u00e9 e, com ele, a cidade de Jerusal\u00e9m<br \/>\ntransformou-se no terceiro pilar da cultura europeia.<\/p>\n<p>Foi o cristianismo que influenciou a cultura e civiliza\u00e7\u00e3o ocidentais a partir<br \/>\ndo momento em que se transformou na religi\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano, no<br \/>\nreinado Constantino, no s\u00e9culo IV, e pela queda do Imp\u00e9rio no s\u00e9culo V,<br \/>\ncausada pela invas\u00e3o de povos b\u00e1rbaros, sobretudo pelos godos e pelas tribos germ\u00e2nicas, o poder pol\u00edtico passou para os povos primitivos n\u00f3rdicos que reconheceram e respeitaram o papel da Igreja na Europa, heran\u00e7a da cultura ocidental.<\/p>\n<p>Nas obras apolog\u00e9ticas de S\u00e3o Justino, m\u00e1rtir, encontram-se v\u00e1rias refer\u00eancias a S\u00f3crates e a Plat\u00e3o, pressupondo uma esp\u00e9cie de plano pedag\u00f3gico da provid\u00eancia divina, levando a considerar S\u00f3crates como uma antecipa\u00e7\u00e3o do Logos que encarnara em Cristo, sendo pois, de fundamental import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria do Cristianismo a fus\u00e3o conceitual entre a no\u00e7\u00e3o grega de Logos e o Filho de Deus.<\/p>\n<p>O cristianismo buscar\u00e1, a partir de ent\u00e3o, na tradi\u00e7\u00e3o grega a possibilidade de fundamentar a sua pr\u00f3pria universalidade. Com muita erudi\u00e7\u00e3o nos<br \/>\nprimeiros s\u00e9culos crist\u00e3os as teorias de Plat\u00e3o e outros fil\u00f3sofos que se tornaram doravante aliados na fundamenta\u00e7\u00e3o das verdades reveladas, principalmente com as obras de Or\u00edgenes (te\u00f3logo, fil\u00f3sofo neoplat\u00f4nico patr\u00edstico e um dos Padres gregos), a convers\u00e3o da Paideia grega em<br \/>\npaideia Crist\u00e3, tem em Jesus o grande mestre e modelo em quem se encarnara o Logos\u00a0divino.<\/p>\n<p>A heran\u00e7a espiritual da doutrina crist\u00e3 obtida por meio do di\u00e1logo prof\u00edcuo com o que havia de mais espiritual na<br \/>\nfilosofia grega fincar\u00e1 as bases de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Para Or\u00edgenes o Cristianismo ser\u00e1 o maior poder educativo da hist\u00f3ria, a<br \/>\npaideia da humanidade, sendo Cristo o coroamento de uma s\u00e9rie de passos cujo objectivo era a eleva\u00e7\u00e3o intelectual, moral e espiritual do homem.<\/p>\n<p>Um dos graves problemas que a Europa actual enfrenta \u00e9 a incapacidade<br \/>\nde conhecer e assumir a sua hist\u00f3ria, com tudo o que ela tem de melhor e de pior, mas como lugar de constru\u00e7\u00e3o do que agora somos. H\u00e1 no ar um preconceito, que impede a sociedade de pronunciar algumas palavras e de ler a hist\u00f3ria com objectividade. Este \u00e9 o primeiro sintoma da perda deuma identidade europeia que reside na rejei\u00e7\u00e3o dos valores provenientes da conflu\u00eancia multimilenar das culturas simbolizadas pelas cidades da Gr\u00e9cia, Jerusal\u00e9m e Roma formando uma mundivid\u00eancia crist\u00e3, impondo em seu lugar dogmas culturais que s\u00e3o o resultado dos consensos das maiorias, e, muitas vezes, o resultado da for\u00e7a prepotente dos l\u00f3bis ou das minorias.<br \/>\nEstamos a viver uma ruptura deliberada com o passado que nos deixa numa profunda crise de identidade, sem nada de objectivo a que nos possamos agarrar, num subjetivismo que nos deixa perdidos e sem refer\u00eancias, como \u00f3rf\u00e3os que n\u00e3o conhecem os seus pais, n\u00e3o sabem de<br \/>\nonde v\u00eam, nem t\u00eam seguran\u00e7a das suas convic\u00e7\u00f5es individuais.<br \/>\nA perda dos fundamentos \u00e9ticos conta-se entre as mais decisivas mudan\u00e7as operadas no nosso mundo e, ao mesmo tempo, aquelas que maiores consequ\u00eancias trazem para o presente. Ao ficarmos com uma moral fundamentada na raz\u00e3o, no estado, no consenso da maioria ou na consci\u00eancia individual, ca\u00edmos num relativismo que prescinde da busca da verdade e se transforma num subjetivismo.<br \/>\nAo prescindir-se da refer\u00eancia \u00e0 Hist\u00f3ria e, concretamente no caso da Europa, que inclui a tradi\u00e7\u00e3o religiosa crist\u00e3, ficamos sem crit\u00e9rio de discernimento da verdade e do bem, restando s\u00f3 uma mera e fal\u00edvel<br \/>\nopini\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto Europa fic\u00e1mos em crise, porque os valores que supostamente<br \/>\nnos unem s\u00e3o vagos, superficiais para a conviv\u00eancia humana, n\u00e3o aprofundando a identidade que deu sentido ao progresso intelectual e moral que nos une, a n\u00f3s ocidentais, desde a Gr\u00e9cia Antiga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Susana Mexia,<br \/>\nProfessora de Filosofia <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[7,64],"tags":[],"class_list":["post-5041","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-isto-para-nos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Europa. 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