{"id":8915,"date":"2025-03-15T14:29:02","date_gmt":"2025-03-15T14:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/?p=8915"},"modified":"2025-03-15T14:29:02","modified_gmt":"2025-03-15T14:29:02","slug":"albert-camus-o-absurdo-da-vida-ou-a-miserabilidade-da-existencia-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estadocomarte.pt\/site\/2025\/03\/15\/albert-camus-o-absurdo-da-vida-ou-a-miserabilidade-da-existencia-humana\/","title":{"rendered":"Albert Camus. O absurdo da vida ou a miserabilidade da exist\u00eancia humana"},"content":{"rendered":"<p><strong>Albert Camus \u00e9 considerado o fil\u00f3sofo do absurdo, na medida em que n\u00e3o encontra na vida sentido algum e o universo \u00e9 totalmente indiferente \u00e0s quest\u00f5es existenciais da humanidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nas diferentes dimens\u00f5es essenciais do ser humano, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel individual, na constante luta do homem com a sua exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m colectiva, face \u00e0s v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares contra a ordem institu\u00edda e sobre tudo acerca do p\u00f3s-II guerra mundial, das tiranias existentes e violentamente praticadas, o autor insiste na prem\u00eancia duma reflex\u00e3o profunda em defesa da liberdade e da dignidade do Homem.<\/strong><\/p>\n<p>Todas as grandes ac\u00e7\u00f5es e todos os grandes pensamentos t\u00eam um racioc\u00ednio irris\u00f3rio, e o mundo do absurdo extrai a sua riqueza, mais do que qualquer outro, deste nascimento miser\u00e1vel.<br \/>\nCamus pretende mostrar como \u00e9 f\u00fatil e vazia a vida humana, baseada em ciclos repetidos (comer, dormir, trabalhar\u2026). Tudo sem sentido, sem um fim, um prop\u00f3sito, mas subjugado a uma pesada e cinzenta indiferen\u00e7a, apatia ou mera aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o autor, simplesmente aceitar que a vida \u00e9 um absurdo, que n\u00e3o tem sentido no vasto universo em que vivemos impele-o a viver com entusiasmo, paix\u00e3o, gerar obras de arte, desfrutar\u2026 \u00fanica maneira de estar neste mundo.<\/p>\n<p>O absurdo n\u00e3o precisa de ser uma prova\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m existe a possibilidade de que seja algo redentor. A aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdadeira rebeli\u00e3o contra o absurdo das nossas vidas.<br \/>\nConsiderando existir diferentes maneiras de reagir ao absurdo da vida, Camus v\u00ea o suic\u00eddio como uma forma bem-sucedida, embora revele uma certa cobardia em enfrentar-se com o absurdo da nossa exist\u00eancia. A perda do um suposto sentido individual da vida, que para uns \u00e9 o seu trabalho, para outros um ente querido ou a sa\u00fade, \u00e9 motivo suficiente para acabar com a vida. Se o que \u00e9 a nossa raz\u00e3o de viver desaparece, passa a ser a nossa raz\u00e3o de morrer.<\/p>\n<p>Outra maneira de reagir ao absurdo da exist\u00eancia \u00e9 o que Camus define como \u201csuic\u00eddio filos\u00f3fico\u201d. Do suic\u00eddio filos\u00f3fico surge a ideia de que existem outros mundos metaf\u00edsicos, mundos como o &#8220;para\u00edso dos crist\u00e3os&#8221;, mundos em que reencarnaremos o que de certa forma, nos livra de pensar que a vida presente \u00e9 v\u00e3 e sem sentido.<br \/>\nEntre as ideias metaf\u00edsicas, ele tamb\u00e9m incluiu utopias como o comunismo, a que chamou \u201creligi\u00e3o sem Deus\u201d, o que lhe valeu a expuls\u00e3o do partido comunista.<\/p>\n<p>\u201cA unidade do mundo, que se n\u00e3o fez com Deus tentar-se-\u00e1 que se fa\u00e7a, doravante, contra Deus.\u201d<br \/>\nToda a moral se baseia na ideia de que um acto tem consequ\u00eancias que o justificam ou o anulam. Um esp\u00edrito impregnado de absurdo julga, apenas, que essas consequ\u00eancias devem ser consideradas com serenidade.<\/p>\n<p>Embora para ele haja respons\u00e1veis, n\u00e3o h\u00e1 culpados. Assim, recorre \u00e0 experi\u00eancia passada para fundamentar as suas ac\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Nas diferentes dimens\u00f5es essenciais do ser humano, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel individual, na constante luta do homem com a sua exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m colectiva, face \u00e0s v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares contra a ordem institu\u00edda e sobre tudo acerca do p\u00f3s-II guerra mundial, das tiranias existentes e violentamente praticadas, o autor insiste na prem\u00eancia duma reflex\u00e3o profunda em defesa da liberdade e da dignidade do Homem.<\/p>\n<p>Recordemos que a Arg\u00e9lia fez parte do Imp\u00e9rio Turco Otomano e foi conquistada pela Fran\u00e7a em 1830. A sua independ\u00eancia foi alcan\u00e7ada em 1962, ap\u00f3s uma violenta guerra de oito anos liderada pela Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FLN)1234.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a teve de reconhecer a independ\u00eancia da Arg\u00e9lia em 5 de julho de 1962. Ap\u00f3s a independ\u00eancia, o pa\u00eds enfrentou v\u00e1rios confrontos entre o governo e grupos opositores, que perduram at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O homem \u00e9 sempre o homem inserido no seu contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico, cultural e familiar.<\/p>\n<p>Colocado a meio caminho, entre a mis\u00e9ria e o Sol, Albert Camus nasceu em Novembro de 1913, perto de Mondovi, na prov\u00edncia de Constantina, na Arg\u00e9lia Francesa e morreu 4 de janeiro de 1960 (46 anos) em Villeblevin, Fran\u00e7a. O pai tinha falecido na Batalhe de Marne, em 1914. Teve uma inf\u00e2ncia paup\u00e9rrima em Argel a qual se viria a agravar com uma tuberculosa precocemente revelada.<br \/>\nCamus foi Nobel de Literatura em 1957, as suas principais obras s\u00e3o: O Estrangeiro, A Peste, O Mito de S\u00edsifo e O Homem Revoltado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Susana Mexia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[7,64],"tags":[770,771,452],"class_list":["post-8915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-isto-para-nos","tag-albert-camus","tag-filosofia-do-absurdo","tag-susana-mexia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Albert Camus. 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