ATREVA-SE A RECORDAR – A história da democratização do saber

Susana Mexia

Este é um livro sobre a história dos livros, desde o seu nascimento ou invenção na antiguidade, da sua evolução e das muitas formas que foi adquirindo ao longo de mais de 30 séculos.

Uma entusiasmante aventura colectiva, protagonizada por milhares de personagens que, ao longo do tempo, tornaram o livro possível e o ajudaram a transformar-se e evoluir – contadores de histórias, escribas, ilustradores e iluminadores, tradutores, alfarrabistas, professores, sábios, espiões, freiras e monges, rebeldes, escravos e aventureiros. Mas, é também uma vivência íntima entrelaçada com evocações literárias, experiências pessoais e histórias antigas que nunca perdem a relevância, pois ajudam-nos a viajar no tempo e no espaço.

Irene Vallejo (Saragoça, 1979), a autora deste livro,  é colunista do El País e do Heraldo de Aragón, palestrante e promotora de educação e do conhecimento sobre o mundo clássico, estudou Filologia Clássica, doutorou-se nas Universidades de Saragoça e Florença. Apaixonada pela antiguidade, nomeadamente pela mitologia e história greco – romana, devora livros desde tenra idade.

Em 2020 recebeu o Prémio Nacional de Literatura 2020 (Espanha) na categoria de ensaio com o livro “O Infinito Num Junco”, que venceu também o Prémio El Ojo Crítico de Narrativa, o Prémio Acción Cívica 2020, o Prémio Las Librerías Recomiendan 2020 e o Prémio Aragón 2021, entre outros.

«A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionam multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos”.

Como afirma Stefan Zweig no memorável final de Mendel dos Livros: “Os livros escrevem-se para unir, por cima do próprio fôlego, os seres humanos, e assim defendermo-nos face ao inexorável reverso de toda a existência: a fugacidade e o esquecimento.”

Em diferentes épocas, ensaiámos livros de fumo, de pedra, de folhas, de juncos, de seda, de pele, de farrapos, de árvores, e agora, de luz – os computadores e os e-books. (…)

Devemos aos livros a sobrevivência das melhores ideias fabricadas pela espécie humana. Sem eles, talvez tivéssemos esquecido aquele punhado de gregos temerários que decidiram entregar o poder ao povo – e chamaram “democracia” a essa ousada experiência; os médicos hipocráticos, que criaram o primeiro código deontológico da História onde se comprometiam a cuidar também dos pobres e dos escravos: “Tem em conta os meios do teu paciente. Por vezes deves até prestar os teus serviços gratuitamente; e se tiveres oportunidade de auxiliar um estrangeiro que se encontra em dificuldades económicas, presta-lhe plena assistência”; Aristóteles, que fundou uma das mais precoces universidades, e dizia aos seus alunos que a diferença entre o sábio e o ignorante é a mesmo de que entre o vivo e o morto.»

É ainda um livro de viagens e de conquistas cujo fim é manter vivas as nossas ideias, descobertas e sonhos. E, ao fazê-lo, conta a nossa história de leitores ávidos, de todo o mundo, que mantemos o livro vivo sabendo que “a criatividade é uma maneira de lutar contra a angústia de ser mortal”.

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