(Fotografia: Créditos João Pedro Domingos)
A rede parlamentar “United for Ukraine” que integra deputados dos Estados-Membros da UE e dos países membros da OTAN organizou nos dias 21 a 25 de agosto, uma visita de solidariedade à Ucrânia, por ocasião do 32º aniversário, do Ato de Declaração de Independência da Ucrânia, de 24 de agosto de 1991.
Como é do conhecimento público o Sr. Presidente da República esteve na Ucrânia nessa mesma ocasião. O programa do Sr. Presidente da República foi distinto do nosso, mas estivemos juntos na terceira cimeira, da Plataforma Internacional da Crimeia (ICP), em Kiev.
A delegação que integrei foi composta por vinte e cinco parlamentares, representantes de treze países. No caso de Portugal, a Assembleia da República foi convidada a indicar dois deputados tendo sido indicada pelo Grupo Parlamentar do PSD e o meu colega, Deputado Miguel dos Santos Rodrigues, pelo PS. Foi uma surpresa, uma honra e um desafio que encarei, desde o primeiro momento, com a responsabilidade e espírito de missão que esta visita exigia.
O programa diário foi muito intenso e contou com diversas reuniões protocolares e no dia 24 de agosto decorreu a cerimónia solene de celebração do Dia da Independência, no Parlamento ucraniano que foi uma cerimónia muito emotiva.
De facto, celebrar o dia da independência num país que vive uma guerra e onde parte do seu território está ilegitimamente ocupado tem um enorme significado. Para além das reuniões de trabalho visitámos alguns sítios que tinham sido alvo dos ataques o que é sempre avassalador, pela destruição e pela certeza do sofrimento.
Apesar de tudo e com alguma admiração, confesso, encontrei uma cidade (Kiev) que tenta viver a normalidade possível, com movimento, os estabelecimentos abertos, as pessoas deslocam-se para o trabalho, as crianças andam na rua, não faltam bens essenciais, uma cidade limpa e organizada.
É evidente que esta “aparente normalidade” é interrompida pelo soar das sirenes, pela lei marcial que impõe o recolher obrigatório, pelo facto de existirem enormes medidas de segurança e pela presença de muitos militares na rua, pelos quais fomos sempre acompanhados.

A Ucrânia foi invadida no dia 24 de fevereiro de 2022. Um ano e meio depois, a Ucrânia está simultaneamente a “gerir” uma guerra e apesar da agressão em grande escala, tenta manter a sua capacidade institucional, de respostas sociais e continua a implementar as reformas identificadas pela Comissão Europeia que permitam o início das negociações de adesão. Está a fazer um caminho, claro. Aliás, fiquei com a sensação de que do ponto de vista político não têm tempo a perder. Não há desculpas para não concretizar tudo aquilo que consigam converter em ajuda. O Presidente Vladimir Zelensky é sempre muito claro, objetivo e preciso nas suas comunicações.
Com muita humildade as palavras de boas-vindas eram sempre as mesmas “Thanks for your Support!”. Fosse ao mais alto nível, quando reunimos com os membros do Governo, funcionários era esta a mensagem que nos transmitiam. Depois vinha o apelo para que continuemos a apoiar politicamente, moralmente e materialmente. Não posso deixar de referir que a nossa capacidade de apoiar a Ucrânia é distinta nos diversos patamares.
Politicamente existe um consenso muito alargado sobre esta matéria em Portugal. À exceção do Partido Comunista todos os outros partidos convergem na condenação da invasão. Do ponto de vista material temos de ter noção que os nossos recursos são limitados mas alguns apoios têm sido possíveis.

Retive a importância de gerar empatia por esta causa. Creio que a Ucrânia está a ser um “escudo” para a Europa, por isso parece-me da mais elementar justiça o apoio. Para além do mais evidente, a Ucrânia foi o país invadido.
É evidente que o mais importante são os contributos a favor da paz, o que importa necessariamente a condenação desta injustificável invasão do território ucraniano.


