Louise Glück, escritora norte-americana, morreu no dia 13 de Outubro, com 80 anos. A autora foi distinguida com os prémios Pulitzer, National Book Critics Circle, Los Angeles Times Book e Wallace Stevens da Academia de Poetas americanos e, em 2020, a Academia Sueca atribuiu-lhe o Prémio Nobel de Literatura salientando a sua inconfundível voz poética de beleza austera, transformando a existência individual em universal.
Nos seus versos, Louise elegeu o tema da solidão, da desilusão, da estagnação e da saudade, bem como dos traumas, recorrendo a exemplos da psicanálise e da filosofia para poder mergulhar nos dramas individuais e colectivos.
Os poemas apresentam personagens comuns em diálogos simples sobre situações do quotidiano, normalmente evocando lembranças da infância e da família, da passagem do tempo e da proximidade da morte, da fragilidade humana tão difícil de aceitar e de compreender.
De certa forma, considerava a vida como um romance conturbado – fadado à infelicidade, mas significativo, porque a dor era condição natural e preferível ao que presumia vir depois.
Louise Glück foi também professora de Língua Inglesa na Universidade de Stanford e na de Yale, e considerava a experiência do ensino não como uma distração da poesia, mas como uma “receita para a lassidão”.
Aquando da atribuição do Nobel, antigos alunos recordaram-na como exigente e inspiradora, que os soube orientar na procura dos seus próprios caminhos.
Parafraseando Florbela Espanca, “ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens, é ter fome, é ter sede de Infinito…”e para Louise Glück “A vantagem da poesia sobre a vida é que a poesia, se for suficientemente nítida, pode durar”.


