Não está, nas eleições, em causa uma extrapolação baseada numa amostra diminuta, mas sim a contagem dos votos de todos os eleitores participantes.
Em tempo de eleições, todas as sondagens são pardas.
É frequente duvidar-se das sondagens, seja pela simples constatação empírica da sua falibilidade, seja pelo receio de que possam estar a ser manipuladas.
Desde que foi anunciada a demissão do Primeiro-Ministro e a Dissolução da Assembleia da República, a incerteza sobre a fiabilidade das sondagens tem aumentado vertiginosamente, porque temos sido brindados com sucessivas sondagens com resultados muito divergentes, «para todos os gostos».
As explicações para isso podem ser várias, como a indecisão e mudança de opinião dos eleitores – natural em períodos politicamente conturbados como os que vivemos, com sucessivos escândalos e troca de acusações – aspectos técnicos relacionados com dimensão e composição das amostras utilizadas, ou até algumas eventuais manipulações.
Independentemente disso, a verdade é que só as eleições propriamente ditas, sobretudo se muito participadas, poderão tirar uma fotografia correcta à vontade dos eleitores, pois nelas todos os cidadãos têm o direito – e sobretudo o dever, de um ponto de vista ético e cívico – de participar e de exprimir a sua opção para o governo de Portugal na próxima legislatura. Não está, nas eleições, em causa uma extrapolação baseada numa amostra diminuta, mas sim a contagem dos votos de todos os eleitores participantes.
Tal como a mais poderosa bomba convencional é conhecida como gíria militar como «a mãe de todas as bombas», também as eleições devem ser consideradas «a mãe de todas as sondagens», seja por ser a única «sondagem» que (por natureza) acerta sempre, seja por ser a única que cujos resultados são vinculativos, e relevantes de um ponto de vista político e jurídico, determinando a composição do Parlamento e consequentemente também o próximo Governo.
Por essa razão, não é importante especular demasiado sobre as sondagens com que somos bombardeados semana sim, semana não. A única coisa que realmente importa é participar no acto eleitoral, e assim integrar a única amostra de eleitores que efectivamente releva em termos práticos: a dos que votam, e dessa forma exercem os seus direitos políticos, manifestando e fazendo valer a sua vontade nos momentos decisivos, como é próprio numa democracia.


