Passos defende que as políticas públicas possam ”ser redesenhadas” para “empoderar a família”

Marta Roque

Há uma “radicalização” do discurso sobre a direita e os valores da família, e que isso se verificou nas eleições, com “um conjunto de cidadãos que se desiludiram”, numa clara alusão aos eleitores do Chega.

Pedro Passos Coelho diz que está por ser feito “o debate da família perante os novos conceitos de família que surgiram com a evolução da sociedade”.

Apontou ainda críticas às políticas públicas dos últimos anos que defendem a morte assistida e o ensino da ideologia de género nas escolas.

A livraria Buchholz encheu-se de gente para ouvir o antigo primeiro-ministro da troika, Pedro Passos Coelho, na apresentação do livro “Identidade e Família”, esta segunda-feira, promovido pelo Movimento de Ação Ética ( Mae).

Questionado à entrada pelos jornalistas Passos Coelho, ficou espantado por a obra estar a “gerar polémica e que é precisamente sobre isso que pretende falar na apresentação do livro”. Passos assume que “se revê em muitas das situações retratadas na obra, apesar de os temas serem muito diversos,” comenta aos jornalistas.

Sobre a referência das “mulheres oprimidas ao longo dos séculos”, Passos comenta que “todas as caricaturas têm de ser contextualizadas, senão perdem o sentido.” Adianta que cada autor terá a oportunidade para justificar os seus pontos de vista, mas defende que “matérias como estas devem merecer a atenção do espaço público.”

Quanto à questão de o livro excluir os novos conceitos de famílias, o social-democrata considera que não. “O conceito de família foi evoluindo ao longo dos tempos, é a realidade que se impõe, isso não significa que não haja lugar para um ideal de família ao nível dos conceitos”. Deu como exemplo a sua situação de “pai solteiro, aconteceu ser assim, há muitas pessoas pais e mães solteiros, mas dificilmente isso foi o que idealizaram.”

Passos Coelho foi convidado para escrever um artigo, mas não contribuiu para a obra, porque não conseguiu. Assume que tem estado numa posição discreta quanto à ocupação do espaço público. “Trata-se de uma matéria fundamental na discussão do espaço público.” Em Portugal a” íntima conexão entre família e identidade individual e coletiva como portugueses e cidadãos merece uma discussão séria.”

Remata que “só se pode elogiar quem desenvolveu um esforço de seriedade que desenvolveu um contributo para esta discussão.”

Uma iniciativa organizada pelos fundadores do MAE e que contou com muitas figuras ligadas à direita, estiveram presentes políticos como Nuno Melo, Presidente do CDS e ministro da Defesa, e alguns deputados do Chega, André Ventura e Bernardo Pessanha, Rita Matias, Representantes da Casa Civil, e muitas personalidades da vida publica nacional.

Discussão no espaço público sobre família conotado como “ultraconservadora”

Várias personalidades da vida pública encheram a livraria Buschholz para a apresentação do livro “Identidade e Família” do MAE

“Um amigo mandou-me msg com um link sobre uma das notícias que viu sobre esta apresentação que dizia “Ex-primeiro apresenta livro da direita mais conservadora”, PPC provocou o riso do público na livraria.

Admite que a questão da defesa da família em certos sectores está a ser vista de um modo particular. E por isso mesmo é “mais uma razão para que este tipo de debate se possa fazer.”

“Sabemos que há no espaço público uma preocupação exacerbada de procurar rótulos, de simplificação da linguagem. Há preconceitos que nos conduzem à economia de palavras. Há rótulos colocados com intenção clara de desqualificar aqueles que lançam as discussões de os diminuir e de os condicionar. Desse ponto de vista Portugal também vem conhecendo este vício que diminui o espaço público, reduzir a discussão a gente ultraconservadora”, disse o antigo dirigente do PSD.

Chegaram a chamá-lo de “fascista muitas vezes”. Revela sentir-se incomodado como português por estas características serem “usadas excessivamente por quem tem proeminência no espaço público.”

A seu ver,  “torna o debate mais estreito, mais pobre e radicalizado e não deixa espaço para a tolerância, para compromissos e para um desígnio comum e coletivo que possa representar uma escolha que seja feita pelas pessoas.”

Soluções aos problemas da família

O livro apresenta soluções aos problemas das famílias que precisam de ajuda em muitos planos como a conciliação que envolvam homens e mulheres. Assume que tradicionalmente a conciliação é mais difícil para as mulheres.

Passos aponta para os problemas sérios de sustentabilidade demográfica que” não podem ser resolvidos fora da família como a despersonalização” da vida humana, como é o caso da procriação medicamente assistida.
Faz falta ajudar as famílias a resolver problemas da educação e ensino. O desenvolvimento da sociedade traz mais dificuldades aos pais para educarem os filhos, mas não significa defender uma ideologia nas escolas.”  Afirma que pretende-se incutir ideias e valores aos filhos, mas são os pais que têm de decidir. Critica as politicas socialistas de “sovietização do ensino”.

Velhice, é um processo natural

Passos ponta críticas às políticas de saúde públicas: por que razão ajudam a morrer como a Eutanásia em vez de terem ajuda para viver com a dignidade que merecem?
Considera que a família é um centro para lidar com problemas que são da sociedade e da humanidade.
“Ter uma preocupação de a desqualificar e de a desintegrar para outras realidades que não são mais do que serem trans personalistas como as políticas publicas não é o caminho adequado. Faz muito sentido que este trabalho possa existir.”
Diz mesmo que “faz muito sentido que políticas públicas possam ser redesenhadas empoderando a família.”
Defende que é necessário ajudar as famílias a lidar com o problema da idade avançada, é importante que a família no seu todo participe no processo, e que os jovens e as crianças precisam de estar envolvidas no envelhecimento dos mais idosos.

Ideia populista de acabar com as instituições

Passos Coelho dá como exemplo de medida populista o CEF, que em vez de o reformarem extinguiram-no, “como se isso tivesse resolvido os problemas que ocorreram”. “É uma ideia populista cortando o mal pela raiz, acabar com as instituições, passando para o plano da humanidade, acabando com a mesma não faz sentido. O que faz sentido é que os problemas que se vão manifestando, e mostram um desvio claro da instituição que temos, devem remeter-se para uma atitude reparadora, confrontando as instituições com as suas instituições.”

A família representa o 1° elo da sociedade da socialização das famílias, apesar de admitir que a família  hoje tem formas diversificadas, mas “a maioria das pessoas tem um ideal.”

Reconhece que há muitos problemas no seio da família, como crimes e violência doméstica, no entanto  “não é razão para acabar com a família” e que há uma “tentação de confundir as coisas.”

Deixa críticas às políticas de imigração dizendo que “há problemas de segurança que têm de ser acautelados”. A Europa tardiamente está a preocupar-se com o excesso de imigrantes e é preciso garantir procedimentos para regular a imigração em Portugal.

Passos Coelho alerta para o “cansaço do teatro na política, que é apenas tática.” Importa olhar, diz Passos, para as “pessoas desiludidas do ponto de vista ideológico que deram um sinal claro” nas últimas eleições legislativas.

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica