Sharon Tate, actriz e esposa do director cinematográfico, Roman Polanski, foi actriz e modelo norte-americana, nasceu em Dallas a 24 de janeiro de 1943, durante a década de 1960, desempenhou pequenos papéis na televisão antes de aparecer em filmes e foi regularmente apresentada em revistas de moda como modelo e capa. Aos 26 anos, grávida de oito meses e meio, foi brutalmente assassinada.
A actriz não morreu sozinha, com ela estavam o cabeleireiro Jay Sebring, o argumentista Wojciech Frykowski, a milionária Abigail Folger e o segurança da casa Steven Parent, que também perderam a vida naquela noite, espancados, esfaqueados e baleados.
“Sou o diabo e vim fazer o trabalho do diabo”, foram as últimas palavras que Sharon Tate ouviu, antes de ser esfaqueada 16 vezes, na sua residência em Los Angeles (Califórnia), no número 10.050 da Cielo Drive, naquele escaldante fim-de-semana, de Agosto de 1969.
Nenhuma das vítimas viu o rosto da “mente criminosa” que ordenou as suas mortes, porque naquela noite ela não estava lá. As vítimas foram assassinadas por quatro pessoas sob as ordens do líder da seita, Charles Manson.
A sua sangrenta cruzada não acabou na residência de Tate e Polanski, no dia seguinte, Leno e Rosemary LaBianca também foram mortos. O modus operandi foi similar ao da noite anterior. Manson pretendia desencadear o que ele chamava “Helter Skelter” e fazer com que as autoridades acreditassem que os assassinatos tinham sido cometidos por membros da comunidade afro-americana, provocando assim uma guerra racial entre negros e brancos. Esta ideia foi-lhe sugerida como uma suposta profecia contida numa música homónima dos Beatles.
Os quatro membros de família Manson tinham assassinado inocentes, convencidos do poder profético do seu líder e fascinados com a ideia de serem os escolhidos pelo Messias. O grupo era uma pequena parte de uma seita que chegou a ter 100 seguidores e viviam num rancho nos arredores de Los Angeles.
Este local tinha sido cenário de filmes de faroeste nos anos cinquenta e o seu dono era um homem cego, com 80 anos chamado George Spahn. Este permitiu que a comunidade de hippies morasse na sua propriedade.
A seita consumia drogas como LSD de forma regular e organizava orgias nas quais chegou a participar Dennis Wilson, baterista dos Beach Boys.
Antes de ser julgado, Manson concedeu uma única entrevista à edição americana da revista Rolling Stone. “Só existe um. Sou o único. Não me importo com o que outras pessoas pensem, só faço o que minha alma me diz”, respondeu quando lhe perguntaram se se considerava um líder.
Manson era um ex-presidiário desempregado que passou mais de metade de sua vida em instituições correcionais na época em que começou a reunir os seus seguidores.
Antes dos assassinatos, ele era um cantor e compositor pouco conhecido da música de Los Angeles. Em 1968, os Beach Boys gravaram a música “Cease to Exist”, de autoria de Manson, reintitulada “Never Learn Not to Love”. A influência de Manson impulsionou uma cultura pop a qual se viria a tornar num símbolo de insanidade, de violência e do macabro. Algumas gravações foram lançadas comercialmente a partir de músicas escritas e interpretadas por Manson, como Lie: The Love and Terror Cult (1970). Vários músicos interpretaram algumas de suas músicas.
Charles Manson e os quatro assassinos foram condenados à morte, esta sentença foi comutada com a possibilidade de liberdade condicional após a Suprema Corte da Califórnia invalidar o estatuto da pena de morte do estado em 1972. Ele cumpriu a sua sentença de prisão perpétua na Prisão do Estado da Califórnia, em Corcoran, e morreu de causas naturais aos 83 anos de idade, em 2017. Tinha 83 anos e esteve quase meio século na prisão.
Foi na América, nos anos sessenta, década de grandes agitações, mudanças, revoluções… E hoje, será que o mundo não continuará a ser um lugar perigoso? Deixo a reflexão ao leitor…


