O problema do consenso na comunicação social é que Kamala não é necessariamente melhor do que Trump. Considerar que é “mal menor” que o Estado pode decidir a mudança de sexo dos nossos filhos menores e fazê-lo sem nos dar conhecimento ou que roubos nas lojas na nossa vizinhança até 950 USD apenas devem ser puníveis com multa, que na prática nunca é passada, não são meras “coisinhas” que a agenda mediática nacional opta por não referir.
Em Portugal discute-se sobre o “mal menor” dos dois candidatos a Presidente do Estados Unidos e parece haver um quase consenso, pelo menos na comunicação social a que temos acesso, de que Kamala Harris é o tal “mal menor”.
Em favor desta posição está o desrespeito que Donald Trump demonstra pelas instituições e uma sobranceria e falta de educação que não são aceitáveis. Trump faz afirmações demasiado simplistas sobre assuntos que são complexos, gerando incerteza como acontece relativamente à situação na Ucrânia, e pretende que a resolução desses problemas pode ser feita com um mero telefonema.
Para além disso, Trump está a contas com a justiça, o que deveria ser prejudicial para um candidato a Presidente. É verdade que os socialistas que apontam o dedo a Trump pelos problemas com a justiça e aplicaram outro critério quando defenderam Sócrates mostram uma enorme incoerência e cinismo. Mas para quem ainda tem esperança de que Sócrates vá um dia a julgamento qualquer candidato a contas com a justiça deve ser responsabilizado por esse facto.
O problema do consenso na comunicação social é que Kamala não é necessariamente melhor do que Trump. Considerar que é “mal menor” que o Estado pode decidir a mudança de sexo dos nossos filhos menores e fazê-lo sem nos dar conhecimento ou que roubos nas lojas na nossa vizinhança até 950 USD apenas devem ser puníveis com multa, que na prática nunca é passada, não são meras “coisinhas” que a agenda mediática nacional opta por não referir.
As propostas de Kamala são assustadoras em termos de cobrança de impostos e de intervenção na economia, com consequências que a experiência já demonstrou inúmeras vezes serem prejudiciais para todos. Juntar o radicalismo ideológico à incompetência governativa que apresentou nos últimos 4 anos, e que a comunicação social nacional fez eclipsar desde que se apresentou como candidata, não é solução para nenhum país.
A resposta à pergunta sobre o “mal menor” é simples: não há um “mal menor”. Há dois “males maiores”. A única decisão razoável seria um voto que mostre o descontentamento pela ausência de escolhas aceitáveis.


