Dizia o Sr. Primeiro-Ministro, num depoimento dirigido ao país, que o dia 8 de março não é uma efeméride e que o papel do governo é o de “garantir que as mulheres têm, na sociedade, o papel que merecem.”
Comecemos por aqui: merecem. O que significa merecem? Que o lugar ou o papel das mulheres na sociedade não lhes pertence? Que lhes deve ser concedido, condicionado por uma avaliação? De quem é a avaliação??
É aqui que nos distinguimos.
Não, Sr. Primeiro-Ministro. A sua escolha de palavras – permita-me dizê-lo – revela mais do que aparenta. O que pretende afirmar é, afinal, contraditório com o que transparece do seu pensamento.
O seu discurso reflete a visão da ala mais conservadora do seu partido e de tantos outros que partilham dessa perspetiva. Para si e para quem pensa como o senhor, as mulheres não têm, por direito, o lugar que é delas.
Mas têm!
Porque é um direito.
O direito à liberdade de escolha. O direito a exercer qualquer profissão. O direito a estar onde quiserem e como quiserem. O direito a não serem coagidas, a não serem violentadas, a não morrerem às mãos dos seus companheiros.
Sim, direito!
Hoje, 8 de março, celebramos conquistas – em Portugal e no mundo. Mas também assinalamos as desigualdades que persistem e os retrocessos que se insinuam.
Falo das alterações na saúde: da campainha nas portas das maternidades, dos direitos à saúde sexual e reprodutiva.
Falo da educação: da ameaça à disciplina de Cidadania, num claro ataque à liberdade e à democracia.
Por isso, hoje é dia de reafirmar compromissos.
Compromisso com a igualdade.
Compromisso com a liberdade.
Compromisso com a democracia.
Hoje é dia de resistir. Porque sabemos que nenhum progresso e nenhum direito estão garantidos sem o esforço, a luta e a resiliência das mulheres.
Hoje é o dia de afirmar que os direitos das mulheres não são algo que se merece. São direitos inalienáveis. Inegociáveis.
São nossos!


