Dia da Mulher. Isabel Capeloa Gil, Maria do Céu Guerra, Aura Miguel são distinguidas nas Avenidas Novas

Estado com Arte Magazine

 A propósito do Dia Internacional da Mulher foram homenageadas oito mulheres ilustres da sociedade portuguesa. Aura Miguel, vaticanista, Maria do Céu Guerra, actriz e Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica Portuguesa foram três das oito mulheres distinguidas este sábado, numa iniciativa promovida pela Junta de Freguesia das Avenidas Novas (JFAN).

“Longe vão os tempos em que à mulher era negado um papel livre na sociedade e que, constantemente, viam vedados os seus direitos”, diz Daniel Gonçalves, Presidente das Avenidas Novas em homenagem a 8 mulheres notáveis da freguesia, na Ordem dos Contabilistas Certificados em Lisboa, este sábado.

“Temos de honrar e homenagear todas as mulheres que, ao longo de muitas décadas, lutaram pelos seus direitos e por uma sociedade mais justa e igualitária no exercício da cidadania e do direito à educação. Há algumas décadas, em Portugal, algumas mulheres, essencialmente por questões profissionais, estavam impedidas de exercer profissões tão nobres como enfermeiras, hospedeiras ou telefonistas: tudo prosseguia sob autorização paterna ou de terceiros”, o autarca lembra a “coragem e a tenacidade de mulheres como Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo, cujo voto pioneiro abriu portas para a participação política das mulheres em Portugal.

Mulheres da Cultura, Educação e Medicina são escolhidas para homenagem do dia da Mulher pela junta de freguesia das Avenidas Novas. A primeira homenageada desta cerimónia foi a atriz e encenadora Maria do Céu Guerra, também fundadora do teatro A Barraca, no bairro de Santos em Lisboa. Maria do Céu Guerra, que vai estar em cena no Teatro Variedades com a peça ‘Amor é Um Fogo que Arde sem se Ver’, confidenciou, no seu discurso, que só soube que ia ser distinguida no “momento em que entrou” na Ordem dos Contabilistas Certificados.

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica, foi a segunda homenageada, foi nomeada pelo Papa Francisco, em 2022, como consultora do Dicastério para a Educação e Cultura da Santa Sé, esteve também por detrás da criação da Faculdade de Medicina da Universidade Católica, em 2022, tem mais de 150 artigos científicos publicados.

“O Dia da Mulher não está ultrapassado”, referiu Isabel Capeloa Gil no seu discurso, lembrando que, em algumas partes do mundo, os direitos das mulheres ainda não são respeitados, e que, por isso, “é importante continuar a lutar pelos direitos e igualdade de géneros”.

A jornalista da Rádio Renascença, Aura Miguel, foi outra das homenageadas, especialista em acompanhar temas ligados ao Vaticano, não conseguiu estar presente por estar a acompanhar a cobertura da Rádio Renascença do internamento do Papa Francisco em Roma, no Hospital Gemeli. Através de uma mensagem em vídeo, enviada a partir de Roma, Aura Miguel, referiu estar “muito honrada” po convite da JFAN”, referindo todas as restantes homenageadas desta cerimónia, como exemplos “do génio feminino”, uma expressão utilizada pelo líder da Igreja Católica, Papa Francisco.

Ana Fatela, diretora da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), fundadora das consultas de Menopausa e diretora do internato naquela unidade hospitalar,  médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, recebeu o prémio “em nome de todas as mulheres da Maternidade Alfredo da Costa, e espero que continuemos o trabalho de excelência que prestamos.”

A quinta homenageada foi a Intendente Paula Cunha, comandante da 5ª Divisão Policial do Comando Metropolitano de Lisboa, que teve direito a um vídeo com mensagens dos seus colegas da divisão, que destacaram a sua “visão estratégica, lado humano e profissionalismo.” Paula Cunha resumiu a sua intervenção a duas palavras: “gratidão, pela homenagem da JFAN e da 5ª Divisão Policial” e “equilíbrio que temos de ter enquanto mulheres”.

Emília de Noronha, coordenadora da Universidade das Avenidas Novas para a Terceira Idade (UNANTI), foi a sexta homenageada desta iniciativa. A também professora do ensino secundário, é licenciada em Filologia Romana, viveu mais de 15 anos na freguesia das Avenidas Novas e distinguiu-se como fundadora de várias universidades sénior, o que lhe valeu a honra de ser eleita como Comendadora da Ordem de Mérito pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio.

Emília de Noronha começou a sua intervenção a agradecer ao presidente Daniel Gonçalves “por tudo o que tem feito pela Cultura e pela Ação Social” na freguesia, lembrando ainda o papel ativo da UNANTI na terceira idade.

“Há 40 anos que luto pelo combate aos estereótipos ligados aos séniores. A tónica da nossa equipa é a de que a terceira idade é uma fase importante. As universidades séniores são sítios onde podemos continuar a crescer e a ser membros ativos. Queremos criar uma sociedade justa e fraterna para todas as idades”, concluiu. A diretora municipal da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Laurentina Pereira, foi outra das homenageadas nesta cerimónia. No seu discurso, referiu que “sou uma funcionária pública, sirvo para servir os outros”.

Laurentina Pereira foi nomeada diretora municipal da Cultura pelo vereador com o mesmo pelouro, Diogo Moura, após um longo percurso como Chefe de Divisão de Ação Cultural da CML.

A última homenageada foi Paula Mouzelo, técnica do departamento de Educação da Câmara Municipal de Odivelas e que vive com uma deficiência visual. Paula perdeu a visão em 2007, na altura em que era estudante do Liceu Maria Amália, mas não desistiu perante a sua condição e decidiu prosseguir os estudos, tendo concluído o ensino superior com distinção na área da Nutrição.

“Este prémio é para todas as mulheres que se cruzaram no meu caminho”, apontou Paula Mouzelo, ressalvando que, ao contrário de muitas pessoas com deficiência visual, “tive muita gente a acreditar em mim”.

No final da cerimónia, houve ainda um momento cultural, que ficou a cargo das ‘Três Sopranas’ (Constança Melo, Helena de Castro e Mariana Chaves), e um Porto de Honra.

Vítimas de violência doméstica aumentaram nos últimos três anos

O presidente da JFAN lembrou ainda as vítimas de violência doméstica em Portugal, reforçando que, “nos últimos três anos, os números subiram quase 23%. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) contabilizou 64.899 crimes de violência doméstica desde 2021. São, em média, quase 1.800 vítimas por mês. São 60 pessoas, na sua maioria mulheres, agredidas por dia”.

“A lei na defesa dos direitos das mulheres existe, mas, lamentavelmente, falta ainda a sua total transversal aplicabilidade em todos os setores do nosso país. Mas estes apontamentos de história lembram-nos que há trabalho a ser feito e deve servir igualmente para incentivar, galvanizar e assinalar a luta pelos direitos das mulheres que, em muitas partes do globo, continuam a constituir forma de atraso civilizacional”.

“Temos de lutar para salvar estas vítimas”, apelou Daniel Gonçalves, alertou que também todas aquelas que, “diariamente, sofrem a força da violência física e psicológica”, mas também “a todas as meninas que, só por nascerem meninas, têm como destino um caminho de vida desigual e muitas vezes pautada por uma violência insana e inqualificável. Neste dia, lembremo-nos que existe, em algum canto do mundo, uma mulher ou uma menina que precisa que falemos por elas, porque, infelizmente, o dia delas ainda não chegou,” frisou Carlos Gonçalves.

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