O ciclo “Jazz no Armazém” começa hoje, nos Armazéns do Vinho, na aldeia A-da-Gorda, Óbidos, e decorre até 24 de janeiro. Jeffery Davis começa hoje o ciclo de jazz às 21 horas, seguindo-se, dia 23 de janeiro, sexta-feira, os Lokomotiv. O Mário Laginha Trio encerra o ciclo de jazz, sábado, dia 24 de janeiro.
Mário Laginha Trio assume uma invulgar cumplicidade entre o piano de Mário Laginha, o contrabaixo de António Quintino e a bateria de Alexandre Frazão, de que resulta uma evidente alegria de estarem juntos em palco e uma aparente facilidade que decorre de um grande domínio dos instrumentos e de uma forte identificação com a linguagem musical do pianista e líder do grupo. A não perder este sábado no ciclo de jazz no Armazém na A-da-Gorda a partir das 21 horas.
Com uma carreira de mais de três décadas, Mário Laginha é habitualmente conotado com o mundo do jazz, mas o universo musical que foi construindo é mais vasto, passando pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, e pelas bases clássicas que presidiram à sua formação. Dono de uma forte personalidade musical, é na partilha com outros músicos que assenta igualmente a sua carreira.
Jeffery Davis apresenta logo à noite, quinta-feira, ALLOY Series – Vol. 1: Standards, o ponto de partida do seu mais ambicioso projeto artístico. Concebido como um ciclo de álbuns, ALLOY Series explora o vibrafone em múltiplas formações – do solo absoluto à orquestra – afirmando o instrumento como protagonista de uma linguagem sonora contemporânea e profundamente pessoal.
Nesta primeira etapa, Davis sobe ao palco sozinho, numa performance ao vivo de grande proximidade e intensidade musical, onde revisita o repertório clássico do jazz. Temas de Thelonious Monk, Bill Evans, Johnny Mandel, Jimmy Van Heusen ou Sam Rivers ganham novas cores harmónicas e texturas, preservando a elegância e a espontaneidade que definem a sua identidade artística.
Reconhecido como mestre de uma nova geração de vibrafonistas e referência no panorama europeu, Jeffery Davis alia rigor técnico, maturidade artística e uma relação íntima com o instrumento, transformando cada interpretação numa experiência singular. Um concerto onde o vibrafone revela toda a sua riqueza tímbrica, expressiva e poética.
Hábil escultor sonoro, do jazz à música erudita, Jeffery Davis transborda energia e intensidade. Harmónico, moderno, melódico, sofisticado, elegante, groove, swing ou tradicional – do silêncio ao som – Davis é sonoridade, improvisação e agitação boa. Na agilidade veloz cresce-lhe a vibração. Chega a ser sublime.
LOKOMOTIV AMANHÃ NO JAZZ NO ARMAZÉM
Carlos Barretto no contrabaixo, Mário Delgado na guitarra, José Salgueiro na bateria e Ricardo Toscano no saxofone.
Os Lokomotiv têm-se destacado pela sua enorme flexibilidade estética, interessados apenas em praticar um jazz que tenha tudo a ver com o nosso tempo. Barretto, Delgado e Salgueiro há muito que vêm revelando um grande leque de interesses musicais que cobrem tendências como o rock, o jazz, as músicas do mundo e a clássica, situando-se entre os expoentes portugueses de um ecletismo que é bem a marca deste início de século. À paleta de cores original adicionaram, recentemente, a do saxofone de Ricardo Toscano, enriquecendo-a.
A música deste, agora, quarteto, foi-nos sempre apresentada como uma construção permanente. Os feitos do passado e as expectativas do futuro são importantes, mas nada determinam efetivamente. O mais importante é a evolução das ideias e a forma como estas vão sendo aplicadas.
Mais jazz, mais rock, mais avant-garde, observando-se mais minuciosamente apercebemo-nos que tais mutações são apenas de superfície, uma vez que o equilíbrio entre arquitetura e inventividade é, na sua natural variação, uma constante no trajeto do trio / quarteto.


