No Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, hoje, 6 de fevereiro, está a ser divulgada a obra Suspended Voices da artista visual Maria Sobral Mendonza, com o patrocínio da Embaixada de Portugal em Nairobi. A pintura integra um projeto curatorial em desenvolvimento, com perspetiva de atividades participativas junto de ONG que apoia vítimas de mutilação genital feminina através da arte, uma iniciativa promovida pela Embaixadora Ana Filomena Rocha.
O projeto encontra-se em desenvolvimento, amanhã terá lugar uma reunião com a ONG responsável deste projecto para definir os próximos passos. “Para apoiar o processo curatorial e garantir rigor metodológico, contamos com a curadora Ana Cristina Baptista.
Esta iniciativa pretende afirmar o papel da arte na transformação social e na reflexão sobre direitos humanos, com o objetivo de uma exposição participativa de incidência cultural e advocacy,” revela Maria Sobral Mendonza.
Em Portugal, em 2024, foram registados 254 casos de MGF, o maior número desde 2015, refletindo sobretudo detenções em contexto de saúde (gravidez, parto ou consultas). A maioria das vítimas identificadas vem de países onde a MGF é prática cultural comum, como Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Senegal, Gâmbia, Nigéria e Egito.
Muitas das mulheres afetadas sofreram a mutilação em idades muito jovens (média de 7 a 8 anos), antes da vinda para Portugal.
Suspended Voices é uma pintura inédita em acrílico sobre tela (189 × 130 cm), realizada em 2026 por Maria Sobral Mendonça, concebida no contexto do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.
A obra utiliza a linguagem simbólica da pintura para abordar “a vulnerabilidade da infância e o silêncio imposto a meninas e jovens raparigas em contextos marcados pela violência e pela negação de direitos”, revela a pintora.

Sem recorrer a representações explícitas, a pintura “constrói uma atmosfera onde fragilidade e resistência coexistem. As figuras humanas surgem integradas numa paisagem natural em transformação, onde a presença da cor, dos elementos florais e das variações cromáticas evoca resiliência, cuidado e continuidade.
Este espaço visual propõe uma reflexão sobre memória, proteção e possibilidade de transformação cultural,” explica Maria Mendonza.
EMBAIXADA DE PORTUGAL EM NAIROBI DIVULGA O PROJECTO
Divulgada pela Embaixada de Portugal em Nairobi, por iniciativa da Senhora Embaixadora Ana Filomena Rocha, a obra integra um projeto curatorial em desenvolvimento que prevê a criação de práticas artísticas participativas em colaboração com organizações que apoiam vítimas de mutilação genital feminina, afirmando a arte como espaço de diálogo, consciência social e promoção dos direitos das crianças.

Maria Sobral Mendonça é uma artista visual portuguesa cujo trabalho se desenvolve em torno de temas como infância, memória, identidade, migração e direitos humanos.
A sua prática artística investiga processos de deslocação humana, incluindo contextos de migração e imigração clandestina, abordando estas realidades através de uma linguagem visual centrada na dignidade, na vulnerabilidade e na construção de narrativas de pertença.
O seu percurso inclui participação em projetos e contextos internacionais que cruzam arte contemporânea, educação e intervenção cultural, explorando a arte como espaço de diálogo, consciência social e reflexão coletiva.
O seu trabalho tem sido desenvolvido em colaboração com instituições culturais, projetos educativos e iniciativas comunitárias, privilegiando metodologias participativas e o encontro entre diferentes saberes, culturas e territórios.


