Rui Gonçalvez

TEMOS CRAVOS VERMELHOS E GRANDOLA E CONSTITUIÇÃO E LIBERDADE

Rui Gonçalves, Arquitecto

E lá se passaram as comemorações do 25 de abril, que já lá vai há cinquenta e dois anos, cinco décadas de governação dita “democrática”, foi ver de novo os cravos nas lapelas, simbolismo lindo de ver, coisa bonita aquela, algumas avenidas com manifestantes histéricos a gritar que o “fascismo nunca mais”, se lhes perguntarmos qual fascismo?

Eles não sabem porque nunca o viram, porque ele não existiu em Portugal, outros entoavam o “grândola”, o tal que diz que “o povo é quem mais ordena”, outra falácia, porque na verdade o povo lá vai escolhendo quem o vai tramar a seguir, se uns ou outros, que lá se vão alternando para lixar o coitado do tal povo e aqui há dias, para completar o circo “democrático” também se comemorava o cinquentenário da “constituição”, outra coisa linda para otário ver e ouvir, a tal que eles não cumprem.

Enquanto uns quantos andam por aí a vociferar as palavras de ordem com mais de cinquenta anos, como aquela em que “o povo unido jamais será vencido”, fazendo de conta que o povo não está vencido há muito tempo, há por aí milhares de jovens sem professores.

Hoje ouvia o relato de escolas em que os alunos da terceira classe (agora à moda democrática chamado terceiro ano), não tendo professor, lá os vão entretendo a passar o tempo a assistir a aulas do quarto ano e do segundo, injetados em salas para disfarçar a coisa e não os mandarem para casa porque dava muito nas vistas e às tantas relatava uma mãe que a filha de oito anos lhe dizia que queria ser veterinária e a mãe, como todas as mães, lá a aconselhava que para isso tinha que estudar muito e a criança respondia, “como? se nem professor tenho?” Pobres crianças estas. É com esta ingenuidade, são estas crianças e jovens que em tão tenra idade já têm os sonhos destruídos e os futuros severamente ameaçados.

E foi esta corja de governantes que se alimentam à custa de terceiros, que todos os dias andam por aí a apregoar a “constituição”, que destruiu a escola pública que há muito deixou de ter a missão de ensinar e formar, porque fizeram dela um antro de asfixia e doutrinação ideológica e assim se destroem gerações, se aniquila uma sociedade e se elimina uma nação.

E esta escola, apenas um exemplo entre muitas outras, será que fica lá escondida no interior abandonado pela corja imunda, pestilenta e nauseabunda que nos governa?, não caros “camaradas”, isto é mesmo ali em Sintra, pertinho da capital do país. Mas a falta de professores é um flagelo para muitos milhares de jovens e é assim há vários anos, sem que apareça alguém com um rumo, com competência, com capacidade para inverter esta calamidade nacional. Porque eles não querem inverter, eles querem assim.

Ah… mas isso não interessa nada, porque temos os cravos vermelhos e a grândola e a constituição e a “liberdade”, pois é isso.

Primeiro, acabaram com as escolas industriais e hoje temos as empresas e a economia nacional famintas de gente que saiba trabalhar, porque todos querem é saber de computadores, não há eletricistas, nem serralheiros, nem carpinteiros e muito menos pedreiros, porque a corja criminosa achou que todos tinham de ser doutores e agora a economia definha. De seguida alteraram os “programas” escolares para melhor os adaptarem aos objetivos ideológicos dos governantes, despejando-os de qualquer utilidade de ensino verdadeiramente formativo.

Depois aniquilaram a carreira docente, retirando-lhe a autoridade que lhe garantia o estatuto de exemplo para a sociedade e daí a passarem a ser agredidos todos os dias, por alunos e pais, foi o desfecho óbvio, “as escolas registam 35 crimes por cada dia de aulas”, não sou eu que digo, são números oficiais hoje noticiados, porque não há regras, não há autoridade, não há punições, não há consequências e muito menos há segurança, tudo isto enquanto o miserável ministro da administração interna diz que o problema da segurança é apenas “perceção” e “desinformação”, imagine-se e agora perante este cenário dantesco, quem é que está interessado em ser professor? Claro, ninguém. A escola pública está destruída, o caos está instalado, o futuro das gerações ameaçado e comprometido e o país sem vergonha continua vertiginosamente em passo de corrida para o abismo.

Ah… mas isso não interessa nada, porque temos os cravos vermelhos e a grândola e a constituição e a “liberdade”, pois é isso. Não temos é país, mas isso não lhes interessa nada.

E sim, doeu muito aquele relato da criança com oito anos de ingenuidade (apenas um exemplo entre milhares), que quer estudar, que sonha ser alguém, mas os cravos vermelhos e a grândola e a constituição e a “liberdade” não deixam.

E doeu, porque temos filhos e netos e adivinhamos o fim dramático que aí está a projetar-se.

E sim, estamos a falar de gente inútil, cujas capacidades e competências se limitam a disfrutar dos bens públicos em proveito próprio e da família e do partido e dos amigos, em que a governação é um mero exercício diário de garantia de manutenção desse privilégio.

É isso, há uma trupe de bandidos que nos governa há cinquenta anos.

E sim, caros “camaradas”, quero que se lixem os cravos vermelhos e a Grândola e a liberdade e a constituição. Quero de volta a EDUCAÇÃO de outros tempos, que garanta o futuro da nação.

Nota: Ninguém está ilibado de culpas no estado miserável a que a educação chegou em Portugal, o PS e o PSD são uma e a outra face da mesma moeda.

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