Entram e saem executivos municipais e nunca ninguém percebeu que em matéria de trânsito temos um problema estruturante e grave por resolver em Caldas da Rainha, é que os fluxos de atravessamento da cidade, tanto no sentido norte sul, como o inverso, fazem-se pelas mesmas vias que se faziam há 60 anos e esta é a origem do problema.
O encerramento de ruas ao trânsito automóvel nos centros das cidades é uma discussão recorrente e normal, os fluxos urbanos devem ser monitorizados e alvo de atenção permanente. Nem o encerramento forçado para exclusividade pedonal, só porque sim, faz sentido, nem a ideia de que o trânsito faz falta ao comércio, só porque sim, é verdade.
No caso concreto de Caldas da Rainha surgiu a ideia de encerrar ao trânsito automóvel a rua José Malhoa, que ao cimo da praça da “fruta” deriva para a esquerda, levando à entrada inferior da praça do peixe e à saída da cidade para norte, ideia esta já apresentada em campanha eleitoral pelos candidatos do PSD e agora revisitada pelo executivo do Vamos Mudar, que governa a Câmara, parece que há uma maioria ou mesmo unanimidade sobre o tema.
Confesso que não conheço os fundamentos desta ideia e como tal não vou opinar sobre eles, mas também já estamos habituados a estas decisões em cima do joelho, só porque alguém se lembrou. No mínimo parece-me leviano fazer este tipo de alterações estruturantes, como o encerramento de ruas ao trânsito, sem antes haver um estudo especializado sobre a matéria, ou por acaso a memória é tão curta que já ninguém se lembra do que aconteceu com a rua Heróis da Grande Guerra? Depois de algum tempo encerrada ao trânsito, alguém se lembrou que afinal “aquilo” tinha de reabrir, exatamente porque se fazem coisas à moda cá do sítio, sem planeamento, sem estratégia, sem pensar o futuro, de forma desorganizada e ainda por cima sobre um tema que carece de pensamento sério e urgente.
Entram e saem executivos municipais e nunca ninguém percebeu que em matéria de trânsito temos um problema estruturante e grave por resolver em Caldas da Rainha, é que os fluxos de atravessamento da cidade, tanto no sentido norte sul, como o inverso, fazem-se pelas mesmas vias que se faziam há 60 anos e esta é a origem do problema.
A rua Heróis da Grande Guerra é a que nos leva de norte para sul até à rotunda da Rainha, quando foi encerrada o caos aumentou substancialmente e tiveram de fazer a reabertura, não porque o trânsito faz falta ao comércio (teoria absolutamente falsa, o que lhe faz falta é onde estacionar), mas porque sem ela a cidade paralisa. Mas caso mais paradigmático é o atravessamento de sul para norte, entre a rotunda da Rainha e o chafariz das 5 Bicas, paredes meias com a praça da “Fruta”, tal e qual como no tempo das carroças e dos burros, com tudo engarrafado e paralisado, precisamente a via que nos leva à rua que agora se pretende encerrar, agravando assim os constrangimentos. Isto é o óbvio.
Urge pensar, estudar, planear e definir estratégias para o FUTURO da cidade e do concelho, resolvendo, antes de decisões ocasionais e sem sentido, estes problemas estruturantes (e estaríamos nós bem se fosse só este), ou continuaremos a ser o concelho com mais baixo orçamento municipal “per capita” de toda a região oeste e não só. Exige-se visão estratégica de longo prazo, alguém que pense além dos fatídicos quatro anos dos votos.
E claro que tem solução.


