ENOTURISMO A EXPORTAR

Jack Soifer, Consultor em enoturismo e gastronomia

O ótimo ENOTURISMO, como qualquer outro nicho, deve estudar os diferentes públicos-alvo, os seus concorrentes, e destacar-se no mercado de vinhos. Alguns pela história da quinta, outros pelas rancas, outros ainda pelas histórias das individualidades que ali foram.

Portugal pode trazer turistas que pagam bem para desfrutar da bela natureza, vinhos e almoços da nossa região. Partilho neste artigo a minha experiência de enoturismo: oiço empresários, muitos ex-clientes, em conversas de negócios. Eu próprio, após atuar como juiz no Concurso Nacional de Vinhos, visitei uma centena de pequenos produtores e já levei muitos grupos de empresários a conhecê-los.

Um produtor do Douro ofereceu-me e a um importador sueco um almoço num local para 44 pessoas. Antes, uma jovem que estudara Turismo levou-nos para conhecer a propriedade e falar do que sabíamos, ao ver as rancas e o terroir. Depois ela ofereceu-nos a prova, a mesma para 16 turistas. Ao almoço o produtor indagou muito sobre o mercado nórdico, mas nada falou da história da sua quinta, nem da sua exportação.

No Oeste uma produtora veio à porta para nos receber, numa casa antiga, em pedra, para nos guiar na propriedade, com detalhes do terroir, salinidade, ventos, diferentes idades das rancas, diferentes adubos naturais para cada espécie, consoante os testes, etc.

Mostrou as ferramentas usadas pelos seus bisavós, levou-nos para saudar por minutos a avó octogenária, indagou o que mais gostaríamos para o almoço. Serviu vários pratos durante a prova de vinhos. Falou das suas vendas, dos seus sonhos e indagou o poderíamos fazer juntos.

Ofereceu-nos caixas com os seus melhores vinhos, para as nossas provas com empresários e connaisseurs estrangeiros, deu-nos muitos folhetos com detalhada descrição dos seus produtos e indagou o que achámos, como ela poderia melhorá-los.

Ao final eu e um amigo detalhamos à Proprietária da quinta miniajustes que atrairiam mais empresários, como por exemplo, uma simples coberta para os carros não ficarem ao sol; um rótulo maior, mais emotivo, em Inglês e Alemão, além de Português. Os folhetos, também devem ser em Alemão e Francês, além de Inglês, com Português em tipo menor, pois estes enoturistas, certamente ,já sabiam muito do que ali estava.

É importante descrever mais a história por ela narrada, dos seus avós e bisavós, com fotos deles e das ferramentas daquela altura. Um resumo desta memória da quinta de vinhos já deveria estar no site da quinta, para a previa consulta dos potenciais operadores.

Sugeri para esta quinta receber muitos enoturistas nas semanas seguintes deveria convidar artesãos da região a expor e vender os seus trabalhos, após o almoço ou a prova, uma altura em que o enoturista está feliz com o que viu e provou e tem tendência a comprar prendas para os seus amigos.

O ótimo ENOTURISMO, como qualquer outro nicho, deve estudar os diferentes públicos-alvo, os seus concorrentes, e destacar-se no mercado de vinhos. Alguns pela história da quinta, outros pelas rancas, outros ainda pelas histórias das individualidades que ali foram.

Como é o caso de uma quinta em Albufeira, com um vinho normal, mas um proprietário notável. O manual ALGARVE/ALENTEJO – MY LOVE, tem detalhes, como os capítulos Comes e Bebes, Lucrar com Turismo e Cantos que Encantam.

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica