Rui Gonçalvez

SIM, HOUVE BOICOTE NA EDUCAÇÃO

Rui Gonçalves, Arquitecto

Sim, houve boicote, mas as coisas correram-lhes mal, porque o ministro resolveu em poucos dias o problema que lhe foi intencionalmente causado. Comparar Fernando Alexandre, Ministro da Educação, com Luís Neves, Ministro da Administração Interna, é comparar perfume com banha de cheiro.

A esquerda em bloco, incluindo o PSD e a comunicação social, tentam a todo o custo branquear as já conhecidas promiscuidades e várias outras “coisas” em que está envolvido o ex-diretor da PJ e ainda atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, em contraponto atirando-se como gato a bofe ao Ministro da Educação, pelos problemas relacionados com as avaliações dos exames, tudo fazendo para o queimar em labareda intensa, como se houvesse comparação possível. Aliás, comparar Fernando Alexandre, Ministro da Educação, com Luís Neves, Ministro da Administração Interna, é comparar perfume com banha de cheiro.

Não consta que Fernando Alexandre de alguma forma tenha conscientemente prejudicado alguma instituição, ou que tenha fugido às suas obrigações enquanto cidadão, ou que tenha em algum momento obtido ganhos pessoais por via das funções que exerce, ou que tenha em algum sentido abusado do poder, nada disso, pelo contrário, trata-se de pessoa sobre a qual não consta nada que ponha em causa a sua idoneidade ou a sua honorabilidade, já Luís Neves é o que todos sabemos e é escusado repetir, é mesmo uma questão de carácter.

Evidentemente que os problemas relacionados com a avaliação dos exames causaram perturbação nas vidas das pessoas, nomeadamente dos alunos, pais, famílias em geral, sendo motivo de angústias pela incerteza das soluções, mas estes problemas foram causados objetiva e pessoalmente pelo ministro? É óbvio que não foram. Ou foram motivados por incompetência, desleixo, ou falta de profissionalismo do ministro? Também não.

O problema não são os exames e as avaliações, o problema é que o ministro pretende implementar as reformas necessárias para que a “educação” em Portugal arrepie caminho e entre nos eixos e isto, independentemente de concordarmos ou não com as medidas que pretende implementar, certo é que talvez pela primeira vez um ministro pretende mexer no assunto e neste Portugal em que todos falam de necessidade de “reformas estruturais”, quando chega o momento de alterar seja o que for, ninguém está disponível para mexer uma palha e é assim da esquerda à direita, porque os interesses são imensos e provocam anti corpos infindáveis, as corporações estão instaladas e não admitem desassossego, os sindicatos, sem representação real que os suporte em número de filiados, são meros braços armados dos partidos de esquerda e têm efetivo poder dentro do ministério da educação, eles minam todos os dias quaisquer medidas que se pretendam implementar.

E sim boicotam a mais pequena mudança que lhes cheire a perda do poder ilegítimo que construíram ao longo de cinco décadas de degradação do ensino para a qual contribuíram intencionalmente, sim a esquerda infestou aquele ministério, onde é preciso fazer uma purga e apostou descaradamente no boicote a este ministro, porque ele não é socialista.

Sim, houve boicote, mas as coisas correram-lhes mal, porque o ministro resolveu em poucos dias o problema que lhe foi intencionalmente causado e afinal de contas, há apenas cerca de nove mil pedidos de revisão de provas, número não muito superior ao de anos anteriores. A esquerda dramatizou, empolou o assunto até ao limite, tentou tudo para que o problema fizesse cair o ministro, porque a esquerda quando é para destruir está sempre pronta a agir e dar cabo do país, são o que sempre foram e nunca deixarão de ser, destruidores.

A esquerda como habitualmente histérica, gritou “demissão”, já para Luís Neves, gritaram perdão ao imperdoável, a comunicação social falou do Neves de forma aligeirada e até desculpabilizante, já do Fernando levaram-no à cruz e pregaram-no. O primeiro-ministro está claramente na mão do Neves e é incapaz de tomar a única atitude sensata que é a demissão do ministro, ou continua a ser queimado juntamente e basta olhar para a sondagem de hoje, com a AD em terceiro lugar, mas Montenegro não percebe ou não pode perceber? Pois não pode e o PS sem nenhum mérito, sem saber ler nem escrever, depois da governação danosa que praticou durante nove penosos e dramáticos anos, lá vai cavalgando a onda e sobe nas sondagens.

Enquanto o ministro da Educação dá explicações e resolve os problemas, o da Administração Interna, não explica o inexplicável e entretém o povo com a busca de documentos que não existem. Enquanto Fernando Alexandre se desdobra em esforços e assume as falhas que, entretanto, estão resolvidas, Luís Neves faz de conta que não tem nada a ver com o assunto e que está tudo certo. Enquanto um se apresenta humilde e esforçado, o outro apresenta-se fanfarrão, hostil e ameaçador. Enfim, uma questão de carácter.

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