A responsabilidade política não se mede apenas pela capacidade de dizer não. Mede-se também pela capacidade de dialogar, estabelecer condições e defender soluções concretas, sem abdicar dos princípios.
Agora, importa acompanhar a execução do Orçamento e garantir que os compromissos assumidos não ficam pelo papel.
A decisão do Partido Socialista de se abster na votação do Orçamento do Estado para 2027 não significa que concorde com as opções do Governo. Significa, isso sim, que, num momento de grande incerteza internacional e de dificuldades para muitas famílias, o país não precisa de mais uma crise política.
Na última sexta-feira, faleceu María del Carmen Abascal, símbolo dos protestos sobre a habitação, em Espanha. A sua morte é também uma chamada de atenção para a necessidade, cada vez mais premente, não só de políticas para as pessoas, mas também de orçamentar e governar para resolver os problemas delas.
Por tudo isto, o PS colocou quatro condições ao Governo: garantir os apoios às vítimas das tempestades, assegurar a conclusão dos projetos que transitaram do PRR, proteger as pensões públicas e garantir que uma eventual revisão constitucional respeita os valores da Constituição e envolve os partidos fundadores da nossa democracia.
O Primeiro-ministro respondeu positivamente a essas exigências e o PS cumprirá a sua palavra, sem que tal se torne um cheque em branco.
Este não é o Orçamento que o PS apresentaria. É por isso que o PS continuará a exercer o seu papel de oposição e a apresentar propostas para melhorar a vida dos portugueses. Há, aliás, razões para manter uma atitude exigente.
A Saúde continua a enfrentar dificuldades e a proposta para o OE27 diminui nesta área, o que não é, de todo, uma boa previsão. Os serviços públicos precisam de respostas efetivas, o custo de vida permanece uma preocupação para milhares de famílias e a capacidade de resposta dos serviços públicos é cada vez menor.
Também o crescimento económico projetado para 2027 fica aquém das expectativas que o Governo tinha anunciado. Não basta apresentar números ou fazer promessas: é preciso que as políticas públicas produzam resultados concretos. Também na habitação e na proteção das pensões públicas, o PS deverá continuar a apresentar propostas que respondam às dificuldades reais das pessoas, tendo em conta os recursos disponíveis.
A responsabilidade política não se mede apenas pela capacidade de dizer não. Mede-se também pela capacidade de dialogar, estabelecer condições e defender soluções concretas, sem abdicar dos princípios.
Agora, importa acompanhar a execução do Orçamento e garantir que os compromissos assumidos não ficam pelo papel. Porque, no final dos orçamentos e das contas, o que conta não são os anúncios, mas os resultados que chegam à vida das pessoas.
Num tempo em que tantas vezes se confunde firmeza com confronto permanente, importa lembrar que o diálogo não significa desistir de princípios. E que fazer oposição não obriga a rejeitar todas as soluções sem avaliar as consequências disso para o país.
É essa a responsabilidade que o PS assume: não abdicar das suas convicções, não desistir de fazer oposição e não colocar os interesses do país em segundo plano.


