“O insólito” da surpresa demissionária dos vereadores do PSD Óbidos

Marta Roque

O líder da oposição socialista em Óbidos, Paulo Clemente Gonçalves critica os vereadores demissionários que ao abandonarem os pelouros nesta altura, sabem bem que a ação municipal  “está ainda mais dificultada”. Nos seis meses que restam  de 2025, põem em causa a “demora nos procedimentos pós-eleitorais com eleições a 12 de outubro, tomar posse, entrar em funções, e constituir equipas.”

Mas não foi uma surpresa, uma vez  que o PS Óbidos tem vindo a assistir “ao naufrágio do navio enquanto a banda continuava a tocar,” revela em comunicado Paulo Clemente Gonçalves, líder do PS Óbidos, e vereador da CMO. O professor de Educação Física no agrupamento de escolas de Óbidos, conhecedor profundo da administração local e central, com experiência no tecido associativo da região,  candidata-se novamente pelo PS Óbidos às eleições autárquicas 2025.

Nas atas das reuniões de Câmara, a oposição do PS, particularmente desde o início do ano, chamaram repetidamente a atenção para a degradação dos serviços, das respostas, do funcionamento em geral, situação  que era do “conhecimento geral dos colaboradores da Câmara.”

Manter os lugares de vereadores, enquanto se avaliou a possibilidade de uma candidatura independente, “é a cereja no topo do bolo. Depois admiram-se que as pessoas confiem cada vez menos na política e nos políticos e nos partidos,” justifica.

“Porque é que sobra para os obidenses? Achar que tudo vai funcionar, sem pelouros atribuídos a ninguém até às eleições, em pleno período de férias, é desconhecer a realidade ou pretender enganar os eleitores.
Dizer que tudo vai ficar igual sem a intervenção daqueles que, nos últimos 8 anos, mal ou bem, estiveram à frente das decisões camarárias, é passar-lhes um enorme atestado de incompetência.
E, portanto, se as coisas não andavam bem, vão andar pior. E é por isso, e só por isso, que achamos que a decisão foi egoísta, calculista, oportunista e irresponsável,” sublinha Paulo Gonçalves.

Estas demissões vieram a por em causa a preparação convenientemente do ano letivo, ou os novos concurso de bens essenciais como refeições escolares, ou recolha de lixo, ou limpezas urbanas e de escolas.

O Presidente de Câmara também é chamado à liça pela oposição do PS que “também não fica bem na fotografia. Aos nossos avisos – bocejou, às evidências – riu, aos factos – desvalorizou. O Presidente deve ser um líder, primeiro que tudo, e ser líder é liderar, conduzir, desde logo o seu próprio grupo. Nem isso foi capaz de fazer”.

Os socialistas obidenses afirmam que vir agora falar de “dança de lugares, de ambição, protagonismo, pressões, por parte da equipa que ele próprio escolheu e manteve durante 4 anos, é mesmo insólito. Tão insólito como o facto de termos sabido destes acontecimentos pelo Facebook, não tendo o Presidente de Câmara a decência de informar os restantes vereadores da oposição. Lamentável!”

Sem obra feita, com dezenas de promessas esquecidas, “delírios de megalomania, episódios de autoritarismo, contestado por parte de vereadores e secretário, as pessoas mais próximas de si, resta pouco deste mandato. É um triste final de um mandato fraco, resume o vereador socialista.

“Queremos que os eleitos tenham a grandeza de separar o mandato que está a terminar da campanha para o mandato que se há-se iniciar. Que honrem os votos que receberam, antes de pensar nos votos que hão-de ou não merecer. Cumpram o que prometeram em 2021, sem pensar em 2025.” conclui a nota de comunicação.

O PS Óbidos assume-se “hoje uma alternativa séria e credível para a liderança do futuro de Óbidos. Ao contrário de outros, não dividimos para reinar.”
Os socialistas procuram “unir”, mas não restam dúvidas que “as consequências vão sobrar para os Obidenses” após este desfecho do mandato da AD.

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