Cínicamente Woke

Susana Mexia

A ensaísta Helen Pluckrose e o matemático James Lindsay no livro “Teorias Cínicas”, da editora Guerra & Paz, demonstram o que os estudos activistas e radicais, com a sua cultura de guerra e de cancelamento, fazem às comunidades minoritárias que juram defender.

“Teorias Cínicas” expõe os dogmas em que assentam aquelas ideias, desde as origens no pós-modernismo francês ao seu actual refinamento por académicos activistas. Analisa e opõe-se a teorias tão absurdas como estes: o conhecimento é uma construção social; a ciência e a razão são ferramentas de opressão; todas as interacções humanas são fontes do exercício opressor do poder.

«É cada vez mais difícil escapar à influência do politicamente correcto. Quase todos os dias surgem notícias de pessoas que foram despedidas, canceladas ou expostas a humilhações públicas nas redes sociais, frequentemente por terem dito algo interpretado como sendo sexista, racista ou homofóbico.

Cada vez mais, as acusações são altamente interpretativas e o raciocínio tortuoso. Fica-se com a sensação de que qualquer pessoa bem-intencionada, pode inadvertidamente dizer algo que viole os novos códigos da fala, com consequências devastadoras para a sua carreira e reputação. Isto é confuso e contra-intuitivo para uma cultura acostumada a reputar a dignidade humana como essencial.

Na melhor das hipóteses, congela a nossa cultura de expressão livre, que deu grandes benefícios às democracias liberais ao longo dos últimos séculos. Na pior das hipóteses, torna-se uma forma maliciosa de bullying, que, quando institucionalizado, se torna uma forma de autoritarismo entre nós.

Estas são as pessoas a que nos referimos como woke, um termo altamente técnico que estarrece as pessoas, que na sua confusão, acabam por aceitar coisas que nunca aceitariam caso tivessem um quadro referencial comum para as ajudar a entender o significado das palavras.

É uma visão do mundo que coloca mágoas sociais e culturais num lugar de destaque, transformando tudo numa luta política se soma zero à volta de marcadores identitários como a raça, o sexo, o género, a sexualidade, entre outros. Esta cultura vista de fora parece vinda de outro planeta, mas numa visão mais peculiar de poder e da sua habilidade é uma forma cínica de criar desigualdade e opressão».

A palavra woke  (acordado, consciente), começou a ser utilizada na luta afro-americana contra o racismo. Porém, sobre as cinzas do humanismo secular dos últimos 70 anos, gerador dum absurdo vazio existencial, uma nova visão da realidade se foi impondo, no final da década de 2010, de forma subtil, parecendo desaparecida, mas actualmente muito activa e dinâmica, na Europa e nos Estados Unidos, país onde teve a sua origem.

Woke culture e woke politics hoje estão amplamente associadas a causas de políticas de esquerda progressistas, socialmente liberais como o feminismo, o activismo LGBT, e outras questões culturais, são uma espécie dopoliticamente correcto” para controlar a linguagem em forma de “cultura de cancelamento”.

Sendo uma entidade não linear, com uma ideologia dinâmica e um jogo de poder em si, surge disfarçada de protectora das vozes marginalizadas, sob a forma de compaixão e justiça. Todavia, o seu objetivo é o completo desmantelamento da cultura ocidental.

Para imporem a sua versão dos acontecimentos, alteram a história, forjam palavras, conceitos e ideias, inventam factos, implementam denúncias anónimas, e detêm todos os órgãos informativos com o “politicamente correcto”, recurso indispensável para a sua estratégia de cancelamento.

O que querem os Woke? Difamar, julgar, condenar o passado e o presente, exigindo pedidos de desculpa oficiais por eventuais comportamentos, procurando tirar benefícios ao exigir reparações económicas.

Sofrendo dum complexo tremendo de desigualdade, querem destruir o homem branco acusando-o de racismo, de prepotência como sinónimo de patriarcado que oprime a mulher. Com a mesma narrativa, vem também a ira contra o cristianismo, cujo Deus é masculino, assim como os seus representantes na terra.

O movimento woke não é relativista mas autoritário, não dialoga, estigmatiza, considera o adversário não só como estando errado, mas como alguém que encarna o mal, um inimigo a abater.

A suspeita que espalha sobre quem nega o “politicamente correto”, conduz à sua marginalização, a ter de ser silenciado, demonizado e até à expulsão de seu local de trabalho, numa palavra – cancelado.

Sem líder, nem centro, nem fronteiras, move-se como uma onda gigantesca em todas as facetas da cultura ocidental, moldando e redefinindo a sociedade à sua medida.

Disfarçado sob a forma de compaixão e justiça, é portador duma ideologia incompatível com os valores ocidentais e incongruentes com a cosmovisão cristã. Se não for controlada, esta nova ideologia pode levar a uma completa anulação cultural, enfraquecendo nações, tradições, valores e democracias.

Urge que compreendamos este jogo da ditadura Woke, sejamos corajosos e não chamemos mentira à Verdade, ou verdade à mentira, que não entremos em consensos com esta cultura de cancelamento, não assumamos a culpa que nos queiram imputar, não cedamos a chantagens de controlo do pensamento, nem deixemos que com o nosso silêncio esta estratégia cultural extinga a nossa Cultura e Humanidade.

 

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

VINHO A EXPORTAR

Jack Soifer,
Consultor internacional nas áreas da gastronomia e vinhos

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica