A única empresa de sementes de flora silvestre autóctone revela ter clientes que querem jardins mais sustentáveis de acordo com o clima português. Sementes de Portugal aposta numa oferta única no mercado nacional cada vez mais procurada, devido à seca e eficiência de recursos na gestão de jardinagem.
Empresa ímpar do sector em Portugal vende sementes de origem de espécies silvestres, espécies autóctones que evoluíram ao longo dos tempos, que sempre existiram no nosso território e sem intervenção humana. Com 4 000 espécies de comércio de botânica para jardins, e cerca de 300 de exposição em catálogo, as sementes mais comercializadas são as papoilas, o medronheiro e a chicória.
O nicho de negócio criado por João Gomes há 10 anos deveu-se à necessidade de recomeçar com “algo com que se identificasse mais”. Com formação académica em Gestão e Ciência Politica resolveu mudar da área financeira e dedicou-se a empresa inovadora especializada em botânica de flora silvestre e de sementes, situada no hub criativo Ceres-Caldas da Rainha, por apoiar projetos inovadores e de garantir segurança laboral.
Mas afinal porque são as sementes de flora silvestre cada vez mais importantes, e procuradas? São espécies de plantas, de arbustos e árvores adaptadas às condições climáticas e ao tipo de solo, ao clima mediterrâneo que existe na maior parte do nosso território, e são menos existentes do ponto de vista do cuidado. “Além disso há todo um conjunto de características ao nível ornamental em termos paisagísticos e de manutenção. Cada vez mais utilizado em jardinagem”, assegura o proprietário da Sementes de Portugal, João Gomes.
A maioria dos clientes são portugueses, mas é possível algumas plantas como o alecrim serem plantadas em Inglaterra, que não tem problema de plantação ao nível genético. Apesar da humidade, as espécies mediterrânicas são procuradas por países nórdicos como a Bélgica e a Holanda. “A planta mediterrânica tem capacidade de adaptabilidade aos jardins nestes países,” explica.
A maior parte dos clientes são particulares, fazem compras via on-line, e viveiros que fazem produção de planta ornamental e que necessitam de sementes de espécies de plantas autóctones, com uma procura cada vez maior para jardins com menores custos de manutenção, e menores necessidades de rega. A empresa é procurada por arquitetos paisagistas e jardineiros com clientes que querem ter jardins cada vez mais sustentáveis, de acordo com o clima português.

A procura justifica-se pela questão económica, já que o jardim tradicional da relva com espécies exóticas “tem custos de manutenção muito elevados sobretudo ao nível do consumo de água”, segundo João Gomes. Não só pela falta de água, mas pelo custo que representa, sobretudo no sul do país e no centro. “No Algarve existiam jardins muito saxónico, tipicamente do sul de Inglaterra, neste momento já não é possível com a falta de água.” João Gomes dá conta que muitos empreendimentos turísticos foram estimulados a redesenhar jardins mais eficazes e com baixo consumo de água.
Para o empresário, seja pela questão das alterações climáticas, seja pelo problema dos insetos polinizadores e abelhas (importância de salvaguarda estes insetos), estes dois temas “tiveram visibilidade crescente” nos últimos 10 anos, contribuíram para que “as pessoas se interessassem em conhecer melhor a realidade das experiências das espécies autóctones”.
“Podemos discutir do ponto de vista científico se há ou não seca, ou se é uma realidade transitória, mas pelo facto de existir, no debate no espaço mediático, o problema de períodos de alterações climáticas vão ser cada vez mais extensos e mais frequentes, o que leva as pessoas a procurar espécies adaptadas a regimes mais secos, como as espécies mediterrânicas,” comenta.
As empresas especializadas nesta área surgiram no mercado europeu nos anos 90, as Sementes de Portugal no mercado nacional há 10 anos, é ainda a única empresa especializada em sementes silvestres em terras lusas.
“O interesse pela flora autóctone, e nativa silvestre, desde que começamos há 10 anos até hoje foi exponencial. O interesse hoje é muito mais generalizado”, conclui o gestor.


