Os Direitos Humanos da Venezuela juntam-se aos apelos da mãe de Maria Oropeza, dizem “ser notório o sequestro” da ativista feito “por funcionários da Polícia e da Inteligência”. O Chefe do Comando da Venezuela, em Guanare, acusa o regime responsável por tudo o que lhe possa acontecer.
Desde 29 de julho, dia em que foram anunciado os resultados das eleições presidenciais, foram detidas 2.229 pessoas, em média de 223 detenções por dia.
O Comité de Derechos Humanos de Vente na Venezuela apela à entrega da ativista da oposição de Maduro, Maria Oropeza, a organização diz na rede X que “enquanto percorrem todos os centros de detenção, negam as informações, o seu paradeiro é desconhecido”.
A mãe Flor Oropeza, denuncia a detenção arbitrária e o desaparecimento forçado da filha, 48 horas depois do sequestro público de Maria Oropeza ter sido detida em direto numa comunicação no Instagram.
A advogada portuguesa a viver na Venezuela, líder do movimento da oposição de Maduro, está isolada da família e dos advogados. “Exigimos fé na vida e saber onde está. E que seus direitos sejam respeitados,” denunciam os Direitos humanos da Venezuela.
Maria Oropeza foi sequestrada na terça-feira passada, encontra-se em local incerto pela polícia do regime de Maduro. O Chefe do Comando ConVzla, em Guanare, na rede X acusa o regime responsável por tudo o que lhe possa acontecer.
Na noite de quinta-feira centenas de pessoas acenderam velas em Caracas, numa vigília pela liberdade de mais de 2.500 cidadãos que estão presos por motivos políticos no país, entre eles ativistas dos direitos humanos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou a 17 de julho antes das eleições presidenciais na Venezuela as restrições ao direito à participação política e à liberdade de associação da líder da oposição e candidata primária María Corina Machado.
A Controladoria-Geral da República publicou uma medida em que desqualifica o líder da oposição por 15 anos para ocupar cargos políticos, ação que impediria a possibilidade de participar das eleições presidenciais de 2024.
No comunicado, a organização indicou que o regime deve garantir o pluralismo na condução dos assuntos públicos, seja diretamente ou por meio de representantes eleitos livremente.
Sobre esta medida, Perkins Rocha, ex-magistrado e membro do Partido Vente Venezuela, disse que essa desqualificação faz parte de uma política de Estado que pretende fechar o espaço cívico no país.
Perkins diz que esta condenação feita pela Comissão Interamericana por ocasião da desqualificação aplicada a Machado, faz parte de um padrão repetitivo de conduta do regime e “constitui uma violação flagrante dos direitos institucionais e políticos de todos os candidatos que pretendem concorrer no cenário eleitoral.”
Indicou ainda que “esta medida é absurda e ilegal”, uma vez que “nenhum órgão administrativo – a Controladoria da União – pode restringir os direitos políticos de eleger e ser eleito, através de sanções que só podem ser impostas através de uma condenação no âmbito de um processo penal.”
Nos últimos dias, após este pronunciamento, Machado tem sido vítima de múltiplos ataques contra si, por parte de grupos violentos leais ao regime, em diferentes cidades do país. Uma situação que foi condenada e denunciada internacionalmente.
Desde 29 de julho, dia em que foram anunciado os resultados das eleições presidenciais, “foram detidas 2.229 pessoas, em média de 223 detenções por dia, durante 10 dias. A este elevado número juntam-se os 300 presos políticos que já se estavam na prisão. São mais de 2.500 pessoas privadas da liberdade por motivos políticos na Venezuela”, disse um ativista à agência Lusa.


