A forma fraudulenta como no estudo em que se baseou o anúncio do Ministro, foram introduzidas populações do sul do território, que nunca foram servidas pelo CHO e jamais serão, precisamente porque têm diversos hospitais mais próximos, visou apenas puxar para sul o centro da área de abrangência do novo Hospital, e assim justificar a localização do Bombarral.
O anúncio da localização do novo Hospital do Oeste no Bombarral, feito pelo Ministro da Saúde, além de não surpreender ninguém, era tão previsível, quanto as decisões tomadas com base em arranjos de bastidores da política, servindo interesses estratégico/partidários, neste caso do PS, arranjo este que há anos vinha sendo urdido, inicialmente pela calada, depois às claras, por um conjunto de elementos socialistas colocados na esfera do poder, não pela experiência, muito menos pela competência, mas pela sua dedicação ao partido e só por isso. Quando assim é, o “bafond” da política vence e com ele o partido, perdendo a ciência, o território, as populações e o próprio Estado.
Quando um governante, neste caso um Secretário de Estado, responsável direto por estas “coisas” do território e Ajudante da Ministra da Coesão Territorial, vem publicamente afirmar que a escolha do Bombarral foi em nome dessa tal “coesão territorial”, a ignorância afirma-se, os deuses riem-se desbragados e a anedota impera no reino da idiotice. É caso para dizer, perdoai-lhe Senhor que ele não sabe o que diz.
A forma fraudulenta como no estudo em que se baseou o anúncio do ministro, foram introduzidas populações do sul do território, que nunca foram servidas pelo CHO e jamais serão, precisamente porque têm diversos hospitais mais próximos, visou apenas puxar para sul o centro da área de abrangência do novo hospital e assim justificar a localização do Bombarral. Isto foi batota.
É fácil explicar, a quem quiser perceber e compreender, com maior ou menor lentidão e nomeadamente aos decisores políticos, que se na zona da Grande Lisboa, que se aproxima muito de Torres Vedras, se concentram incomparavelmente a maior e melhor oferta de unidades de saúde, quer públicas quer privadas, e a norte e nascente existem apenas respetivamente os hospitais de Leiria e Santarém que, como se sabe e é público, há muito que estão esgotados nas suas capacidades de resposta, então estamos a aumentar a área já desguarnecida, para aproximar da área melhor servida uma nova unidade hospitalar.
Isto, é precisamente contribuir para o desequilíbrio dos cuidados de saúde a disponibilizar às populações. É assim, com decisões destas, que se promove o despovoamento do território e isto é exatamente o inverso daquilo que se denomina por “coesão territorial”.
É exatamente por termos políticos destes, que temos um país a dois tempos, o tal interior cada vez mais despovoado e o litoral cada vez mais evoluído. Quem não percebe e nem tem a noção mínima de gestão territorial, mas percebe muito de bajulamento político partidário, decide assim, em função de interesses perversos e promove os desequilíbrios territoriais que não permitem que o país evolua, ou seja, é a perversão da política.
Eles podem enganar e enganam de facto alguns, mas nunca todos.

