Muito se tem escrito sobre a JMJLisboa 2023, no entanto, nada retrata aquilo que vivemos na casa caring 38. Por isso, deixo aqui o meu olhar. Toda a gente sentiu muitas coisas, milhares choraram de emoção, outros tantos fizeram a sua catarse em plena vigília ou Missa e aproximaram-se mais da Igreja de Jesus Cristo. Nada de transcendente, são reações próprias de um mundo que vive conduzido pelas emoções e pelos sentimentos. Eu pessoalmente tive o privilégio de estar no backstage das jornadas.
Eu, o Nuno e outros 11 casais, constituímos uma equipa com o intuito de cuidar, durante duas semanas, de um grupo de 129 rapazes vindos das mais variadas partes do mundo: Gâmbia, Botswana, Hong-Kong, Austrália, Egito, Etiópia, Argentina, Austria, República Checa, Croácia, Hungria, Canadá, Itália. E, na verdade, não poderei dizer que não foi emocionante, foi! Mas acima de tudo, aquilo que me esmagou foi a generosidade gigante de todos quanto estavam como voluntários. Uma generosidade que só pode nascer de um coração comprometido com a pessoa de Jesus Cristo.
O Michael, despediu-se para poder ser voluntário, uma vez que a empresa lhe recusou férias coincidentes com o calendário da JMJ. O Gábor, um rapaz maduro, já há algum tempo na casa dos 40, sacrificou as suas férias para estar em Lisboa, como tradutor para as diferentes redes sociais. Os rapazes da Gâmbia trabalharam durante um ano horas extra, para conseguir pagar o voo para Portugal, e o visto, arriscando ficarem no aeroporto, como aconteceu com um grupo, que teve que voltar para trás, porque os seus vistos foram cancelados durante a viagem.
Chegaram animados para trabalhar durante 15 dias, dormindo no chão, poucas horas, cumprindo horários de sol a sol. A maioria destes rapazes, assistiam diariamente à Santa Missa, pela manhã, antes de sair para o trabalho e acabavam o dia a rezar o terço todos juntos.
Quando nos cruzávamos com eles durante o dia, estavam felizes, animados, apesar das poucas horas de sono, das temperaturas e do cansaço que se ia acumulando.
Sempre que pudemos, nós, os casais caring, preparamos algumas surpresas (mimos) para que se sentissem em casa. E também deste lado fiquei esmagada pela enorme generosidade. Tudo acontecia antes ou depois de um dia de trabalho, numa altura do ano em que todos suspiramos por férias. Mas nem por isso, ficou alguma coisa por fazer. Entravam às 7h00 da manhã, ajudavam a preparar o pequeno almoço, tentavam falar com cada voluntário para perceber se precisavam de alguma coisa.
O nosso dentista egípcio, chegou a Lisboa com um torcicolo e na manhã seguinte tinha uma almofada ortopédica e um Transact; os rapazes da Gâmbia chegaram sem colchonetes para dormir e na mesma noite, chegaram mais de 10 à casa 38. E poderíamos continuar com os mentos e os chupa-chups, as flores frescas para o altar, as bolas de Berlim, a festa de aniversário, o bolo de chocolate, a Ginginha em copos de chocolate, os pastéis de nata. O concerto rock e o festival internacional de voluntários (onde cada país deu o seu contributo) e, como a nossa equipa contava com uma embaixada do Alentejo, uma noite apresentamos uma mesa repleta de queijos e enchidos decorada com flores, barros e tarros, tudo foi feito para que se sentissem em casa. Também houve idas ao hospital, uma intoxicação alimentar e um dedo do pé partido.
Fiquei impressionada com a rapidez que os casais se ofereceram para estar no hospital com cada um dos rapazes. Enfim, uma imensidão de coisas pequenas, feitas por amor, que também resultam, seguramente, de um comprometimento com a Pessoa de Jesus.
Creio que poderemos dizer que a missão que nos foi confiada por S. João Paulo II ao fundar as JMJ está a ser cumprida: “Queridos jovens, ao final do Ano Santo confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levem-na ao mundo, como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade e anunciem a todos, que somente em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção“.Tudo com o vigor e o brilho que só a juventude pode dar. Bendito seja Deus! Obrigada a todos!


