Crime e Castigo é um romance do escritor e jornalista russo Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866.
O livro narra a história de um crime cometido pelo ex-estudante Ródion Ramanovich Raskolnikov e das suas consequências a nível psicológico e ético.
Explorando a natureza humana, a culpa e o arrependimento, não deixa de considerar como a sociedade pode afectar e determinar o comportamento e a reacção das pessoas consideradas normais e inofensivas.
A fé cristã ortodoxa é um tema recorrente nas obras de Dostoiévski, porque ele acreditava na missão da Rússia como redentora do ocidente laicizado, responsável por espalhar novamente a mensagem do Evangelho, o que vai acontecer nesta obra com a presença da personagem Sónia.
Assim, não obstante o castigo pelo crime praticado, há lugar a uma ressurreição espiritual e moral em Raskólnikov, personagem principal do livro, a partir das leituras sagradas e do amor por Sónia, uma pobre mulher que não tinha erudição histórica, era uma pecadora, mas possuía muita fé em Cristo redentor e tinha um coração cheio de amor. Na perspectiva de Dostoiévski tudo tem um significado religioso e o povo russo, apesar dos seus pecados, é para ele o santo povo de Deus.
Um misto de romance e ensaio sobre a moral e a relação do indivíduo com a sociedade que o cerca, neste caso uma Rússia extremamente conservadora, czarista e aristocrática.
Um cunho muito pessoal, um escritor que sofreu as vicissitudes duma vida ausente de amor materno e paterno, da enfermidade da epilepsia que o acompanhou até à morte, da prisão na Sibéria por questões políticas, acompanhado por grandes criminosos e em condições deploráveis material e espiritualmente. Os
contornos políticos eram agitados, a sua vida foi violentamente atormentada, mas a sua alma russa de homem com fé, nunca vacilou e a certeza da imortalidade sempre foi o seu maior conforto. “ O homem sem Deus, conclui o nosso autor, destrói-se a si próprio e destrói a humanidade”.
Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 11.11.1821 – S. Petersburgo, 09.02.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, como se pode ler em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros.
A vida de Dostoiévski foi tão trágica como as suas obras, mas foi também um terreno fértil para uma imaginação que aliada aos seus dotes literários lhe permitiram chegar ao fundo do abismo e dele erguer-se ancorado na existência de Deus. Esta certeza é a garantia de que o Bem, a Liberdade e a Verdade existem e são um apanágio do ser humano, que é portador da imagem e semelhança divina. “Se Deus não existe, tudo é permitido, e o homem não se agiganta mas avilta-se, corrompe-se e apequena-se. Crime e Castigo, um clássico de literatura ontem, hoje e sempre. Um romance/ensaio de cariz introspectivo, onde a angústia se situa entre um nihilismo sufocante e a ânsia de redenção existencial e espiritual.
Num turbilhão de sentimentos, paixões, desejos e recriminações, o ser humano flutua em busca do equilíbrio entre a vontade, o coração e a razão.
“O Homem é o Homem e as suas circunstâncias”, dizia Ortega y Gasset. Estas moldam-nos e condicionam-nos sempre em qualquer tempo e espaço. Contextualizar é essencial para se compreender a parte no seu todo.


