The Full Monty

Bernardo Almeida

Recensão

Género: Drama; País de Origem: Reino Unido; Plataforma: Disney Plus; Criador: Simon Beaufoy; Actores Principais: Robert Carlyle, Mark Addy, Paul Barber, Steve Hulson, Tom Wilkinson, Lesley Sharp e Hugo Speer; Nota: 6.5/10

Está disponível na plataforma Disney Plus a série Full Monty baseada no êxito cinematográfico de 1997 com o mesmo nome.

Escrita e adaptada para o pequeno ecrã pela mão de Simon Beaufoy, também ele o escritor do filme original, transporta consigo também a maioria dos actores principais de então, Robert Carlyle, Mark Addy, Paul Barber, Steve Hulson, Tom Wilkinson, Lesley Sharp e Hugo Speer.

Gaz (Carlyle), Dave (Addy), Horse (Barber), Lomper (Hulson), Gerald (Wilkinson) e Guy (Speer) estão de volta 26 anos depois e todos vivem ainda nos arredores da cidade de Sheffield.

O tema original do filme em 97 era sobre a sobrevivência de um grupo de pessoas da classe trabalhadora que ficam sem emprego e criam um espectáculo de streep.

Passados os anos e a glória momentânea encontramos as mesmas personagens mais velhas e ficamos a saber onde e como aterraram.

Gaz é agora um auxiliar num hospital, Dave um contínuo numa escola secundária, Horse, um desempregado a caminho do despejo, Guy é CEO de uma empresa e Lomper gere um café com o seu marido que funciona como o ponto de encontro de todos.

As instituições locais de Sheffield são o espelho da vida destas personagens e assumem assim o carácter de uma personagem em si. Pobre, a tentar sobreviver com orçamentos extremamente reduzidos e a ter que fazer cortes das despesas.

O sistema de segurança social é também criticado sobre a forma de despreocupação com os necessitados e cheia de burocracia que propositadamente afasta o acesso aos benefícios.

Nesse sentido, alguns tópicos são mais políticos já que exploram a pobreza, a falta de meios e o distanciamento entre as políticas financeiras do governo e a realidade da classe trabalhadora.

Há também lugar para mostrar o trauma geracional que a pobreza traz consigo, as consequências que têm nas relações entre pais e filhos, e ainda os pânicos morais conservadores sobre emigrantes, a morte prematura e as consequências do silêncio emocional.

O tom da série é mais melancólico que o filme, o drama mais premente que a comédia, ainda que quando esta aparece traz a leveza necessária, para que esta série não fique refém do retrato triste focado apenas no negativo. Os diálogos são bons e produzem as emoções que o enredo pretende, porque este desenrola-se a bom ritmo episódio após episódio.

Apesar dos bons diálogos e de estarmos perante actores de alta craveira, esta série tem algumas falhas.

A mescla temática esforça-se demasiado para mostrar a sua diversidade, acaba a explorar muito pouco cada tema e por vezes uns temas sobrepõem-se aos outros o que torna a continuidade narrativa um pouco confusa.

Acontece também existirem personagens que representam tantas matérias ao mesmo tempo que as suas veracidades parecem bastante forçadas. Fica uma sensação de empacotamento que tenta demasiado.

Consequentemente, alguns dos arcos das personagens mudam sem se perceber como e aparecem mais resolvidos do que os seus começos levam a crer. Desse modo a estrutura das narrativas é desleixada e compromete-se.

Em suma, é uma série cuja vontade de desligar e mudar de conteúdo não acontece, mas o fascínio também não existe. No entanto, consegue-se ver até ao fim e o epílogo é algo eficaz.

São 8 episódios com boas prestações de actores já conhecidos, cujo revival podia e devia ser melhor.

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