Rita Simão, produtora executiva, em entrevista ao Estado com Arte Magazine revela que cada vez mais Portugal é procurado pelas produções estrangeiras pelas boas condições meteorológicas, muita luz no Inverno, variedade de paisagens e pelos incentivos fiscais na área da Cultura.
Ao longo dos últimos 5 anos tem havido um crescimento sustentado da procura de Portugal como cenário de grandes produções, como é foi o caso dos blockbusters House of Dragons ou Velocidade Furiosa X, muito por causa dos incentivos fiscais.
A política de fiscalidade na cultura existe um pouco por toda a Europa e em Espanha “é fortíssima neste incentivo fiscal”, quem o diz é Rita Simão, produtora executiva, a viver nas Caldas da Rainha, onde tem atelier no hub criativo Ceres.
“As produtoras vêm filmar a Portugal e fazem investimento em serviços contratados aqui, como salários das equipas, o catering, o pagamento à polícia que tem de acompanhar as filmagens, entre muitos outros, sendo parte desse investimento devolvido à produção.”
Todos estes gastos são elegíveis para que o Estado devolva uma percentagem desse investimento, o chamado cash rebate, programa do Estado de incentivo à Produção Cinematográfica e Audiovisual, com relevância cultural e promocional e captação de filmagens internacionais para Portugal, é um regime de apoio a fundo perdido, que consiste em preenchimento de requisitos culturais e cinematográficos-audiovisuais, indexado à despesa de produção em território nacional, compatível com as normas da União Europeia nesta matéria.
Durante a pandemia Rita Simão não sentiu muito impacto na perda de trabalhos, conseguiu “com sorte” conciliar trabalhos de preparação para quando a situação melhorasse. ”Durante o 1º confinamento, em termos audiovisuais, a Câmara Municipal de Lisboa suspendeu filmagens durante 15 dias, depois disto pudemos trabalhar em filmagens, tivemos de nos adaptar a constrangimentos, ainda que num volume menor, tive trabalho para esse período.
No 2º confinamento, não havia viva alma no meio da rua. Perguntava-me se os hospitais estão a rebentar, será que devemos continuar? Mas correu tudo bem. Pessoalmente não senti quebra, mas no meio houve. Em janeiro de 2020 estávamos a preparar uma publicidade para uma multinacional ainda não se falava em confinamento na Europa nem em Portugal. Mas essa empresa acabou por cancelar o trabalho por não autorizar que os seus funcionários viajassem para fora do país. Percebemos desde cedo que a pandemia iria afetar o nosso sector.”
Como em todas as atividades económicas, também a produção audiovisual teve de se adaptar à nova realidade. Surgiram questões laborais como a prevenção da doença, a higiene do trabalho com os desinfetantes, limitação de técnicos no décor, a redução do número de pessoas nas equipas, mas entretanto já voltou tudo ao normal. Houve também negócios que nasceram na pandemia, que surgiram pela novas necessidades do meio. O trabalho remoto foi assumido desde esta altura, “as pessoas podem e devem trabalhar remotamente,” refere Rita Simão.
No trabalho de produção, tal como na sociedade em geral, há 1 preocupação cada vez maior em ter as produções mais verdes e em sermos ecologicamente mais responsáveis. Há 1 certificação de green productions que já se faz na Europa, existe agora a tarefa de green consultants, pessoas que fazem parte da equipa que se dedicam ao aconselhamento de tomadas decisões ecologicamente mais responsáveis. O trabalho remoto também é 1 dessas ferramentas: ajuda a reduzir custos, em carros alugados, em combustíveis.
Produção em ficção e publicidade

“A Filha”, série da TVI, é o último trabalho de Rita Simão em ficção, que vai sair na nova grelha. Produzido por Maria & Mayer, assumiu o cargo de diretora de produção quando em Janeiro começou a trabalhar no orçamento do projeto. “É uma das fases mais interessantes do meu trabalho: agarrar no guião e traduzi-lo em números. Mas às vezes é uma conciliação complicada, querem o máximo e nós também, mas o orçamento não chega.”
Rita Simão trabalhou ainda na série “Emília”, também produzida por Maria & Mayer, que estreou na RTP em Maio passado. Uma produção mais curta que levou 2 meses a preparar e a filmar.
Na publicidade, em geral, os trabalhos são feitos em menos tempo, mas o processo é o mesmo: é preciso assegurar meios, atores, equipa técnica, os locais de rodagem, todos os fornecedores intervenientes, do catering ao guarda-roupa, a decoração, a técnica (câmaras, luz).
Em publicidade Rita Simão trabalha sobretudo para clientes estrangeiros, que procuram Portugal pelas condições meteorológicas, pela quantidade e qualidade da luz solar e pela variedade de paisagens em poucos quilómetros quadrados.
Grande produção de filme de Nuno Álvares Pereira
Convidada pelo realizador belga Johan Schelfhout, da Maverick productions, Rita Simão prepara a rodagem da biografia histórica em filme de Nuno Álvares Pereira para o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.
Já tinha trabalhado com Johan para um projeto sobre a batalha dos Atoleiros, em Fronteira. Agora Johan contatou Rita Simão para fazer esta produção. O realizador belga tem uma relação muito próxima com o nosso país desde a Expo98, foi ele que fez o Pavilhão de Portugal, monta museus e exposições em todo o mundo, conhece bem a história Lusa e o meio artístico português.
O realizador é contatado pela Fundação da Batalha de Aljubarrota para a renovação de conteúdos do CIBA, a quem entrega um storyboard. A partir daí Rita reúne todos os meios logísticos para a produção, incluindo a contratação dos atores, que participaram no 1º filme do Museu da Batalha. Nuno Álvares Pereira volta a ser representado por Gonçalo Waddington, D. João I, pelo ator Nuno Nunes.
Tem de assegurar os locais de rodagem das filmagens que acontecerão já em Outubro, uma semana de rodagem será no Mosteiro de Alcobaça, outra semana de rodagem na Coudelaria de Alter Real em Alter do Chão.
Em Alcobaça serão filmadas as cenas de cortes e uma recriação de Lisboa medieval, em Alter do Chão vão ser filmadas as cenas de 3 das principais batalhas de Nuno Álvares Pereira: Aljubarrota, Atoleiros e Valverde. Uma cena da tomada do castelo de Ceuta vai ser filmada no Castelo de Alcobaça. No total serão cerca de 400 figurantes numa grande produção audiovisual sobre uma figura histórica de grande relevo nacional.


