Num partido europeu, respeitador das instituições, qual seria a probabilidade de um ministro demitir-se e vir a ser nomeado candidato a Primeiro-ministro, apoiado pelo Primeiro-ministro que o coagiu a demitir-se? No PS, sem memória nem ética, não só é possível como vale tudo e a culpa é sempre dos outros, da eterna cabala.
“Tenho agora a oportunidade de poder fazer alguma coisa decente e de jeito pelo nosso país e pelas pessoas”, afirmou, recentemente, Pedro Nuno Santos (PNS) na televisão. Agora? Sublinho o “agora” porque PNS foi Secretário de Estado e Ministro entre 2015 e 2022.
Ficou amplamente conhecido por ameaçar os banqueiros alemães com as pernas a tremer ou mais recentemente por se vangloriar de “salvar” e por a TAP e a CP a “darem” lucro.
Na nota em que dá conta de que aceita a demissão, António Costa agradece “a dedicação e empenho com que Pedro Nuno Santos exerceu funções governativas ao longo de 7 anos, quer nas áreas da sua direta responsabilidade, quer na definição da orientação política geral do Governo”.
Porém, as áreas da sua directa responsabilidade são a prova, também ela directa, da sua incompetência e irresponsabilidade. A habitação é um redondo zero. A TAP e aeroportos deveriam fazê-lo corar de vergonha. Foi graças à amnésia de como enviava mensagens para despachar indemnizações de meio milhão de euros ou a insensata localização dos novos aeroportos (sim, plural) que levaram à sua demissão. A CP deu lucro de 9 milhões de euros depois do Estado ter injectado 116 milhões de euros.
Desde 2019 é um serviço que se degrada com a supressão de linhas e serviços. A receita para os milagres económicos, leia-se «subsídios à exploração», de PNS está dada. Produto do aparelho socialista PNS nunca trabalhou numa empresa, mas sabe o que são as empresas… porque o pai tem uma.
O seu único manifesto sucesso foi na qualidade de negociador da gerigonça com o PCP e BE, em benefício do PS, que tinha perdido as eleições. Cuidado com os que ostentam ter nascido depois de Abril de 1974 para fazer tábua rasa da história e do passado das instituições, para colocarem o Estado ao serviço dos seus interesses pessoais e partidários, como aconteceu aqui ao lado, em Espanha, com Pedro Sanchez.
Num partido europeu, respeitador das instituições, qual seria a probabilidade de um ministro demitir-se e vir a ser nomeado candidato a Primeiro-ministro, apoiado pelo Primeiro-ministro que o coagiu a demitir-se? No PS, sem memória nem ética, não só é possível como vale tudo e a culpa é sempre dos outros, da eterna cabala.
No Congresso do Partido Socialista, deste fim-de-semana, PNS afirmou que “para nós, os problemas dos outros são os nossos problemas, são os problemas de todos” e eu acrescento, são ou problemas que o PS criou ou não soube resolver. Recordo que nos últimos 28 anos o PS governou durante 21, nomeadamente os últimos 8 anos. Há duas décadas que não crescemos, e há mais de 20 anos que somos governados pelo PS, excepto quando há emergência financeira que este partido provoca.
Neste discurso, PNS óbviamente recorrendo ao seu descaramento habitual, quis demonstrar que rompe com o passado, confiante que os Portugueses não têm memória e desresponsabilizando-se por completo do que foi a Governação socialista da qual fez parte. Como se os serviços públicos destruídos pelos socialistas, na área da Saúde, Educação, os Transportes, ou mesmo o que se vê em relação à falta de soluções nas Políticas Publicas na área de Habitação, se reconstruíssem por magia de um dia para o outro, em que é tudo facilidades.
O discurso da utopia, professado pelo PNS neste Domingo, fez com que muitos militantes socialistas presentes no congresso aplaudissem efusivamente cada parágrafo, e a cada instante quanto mais ouvia, pensava para mim mesma, mas então, se PNS esteve lá (no Governo), com pastas onde poderia ter feito a diferença, então porque não executou?
Há quem diga que a direita não percebe Pedro Nuno Santos. Não estou certa que a direita não perceba, mas estou segura que muitos acreditam que lata não lhe falta e que os limites da vergonha na cara poderão ter sido ultrapassados atingindo mesmo a falta dela. Quis reescrever a história, como se ele nada tivesse que ver com o assunto.
Discursou como se tivesse sido até agora, oposição ao Governo socialista. Como se até há poucos meses não fosse o próprio, Ministro deste mesmo Governo. Talvez seja bom recordar que os motivos que impuseram a sua saída do Governo, não foram as suas ideias e soluções para o País de oposição ao Governo, mas sim pelas suas falhas e inúmeras controvérsias que só destabilizaram e descredibilizaram o Governo e as Instituições.
O novo líder do PS tem mais carisma que o anterior, é um facto. Mas num Congresso que deu mais relevo a António Costa, PNS limitou-se a fazer um discurso sustentado em vacuidades e destacou meia dúzia de ideias sem profundidade, de difícil explicação ou mesmo potencial de execução, como a de um novo financiamento da Segurança Social. Mais impostos?
Porém, PNS faz o contraste. Clarifica. Permite que os portugueses possam optar com clareza entre o centro-direita da AD e um PS cada vez mais radicalizado.
Como afirma Nuno Melo, o dia 10 de Março de 2024 será um referendo para os portugueses decidirem se querem mais do mesmo, mais Estado ineficaz, mais incompetência, mais corrupção, mais trapalhadas, mais socialismo ou se querem a mudança com a Aliança Democrática, uma convergência de vários partidos democráticos de centro-direita – PSD, CDS e PPM – e independentes que visam construir uma alternativa mobilizadora, reformadora e transformadora na economia, saúde, educação e habitação, entre outros temas cruciais para a vida dos portugueses.


