Maria Amélia Carvalheira, escultora de Arte Sacra do século XX, homenageada pela Junta de Freguesia de Avenidas Novas no dia 8 de setembro, no Jardim Amélia Carvalheira. Autora das imagens dos Pastorinhos e do anjo de Portugal, obras em pedra mármore na loca do Cabeço em Fátima, bem como de várias esculturas de Santos que estão na colunata do Santuário Mariano.
A inauguração e bênção da obra evocativa da escultora Maria Amélia Carvalheira (1904-1998) contou com o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério e com a presença do Presidente da Junta de Freguesia de Avenidas Novas, Daniel Gonçalves, às 10h, no jardim perto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.
O Memorial da autoria do escultor Carlos Bajouca, pretende imortalizar o nome e a obra da conceituada escultora portuguesa, que viveu 60 anos na Freguesia de Avenidas Novas, sendo uma das maiores escultoras de Arte Sacra do Século XX.
A sua obra mais emblemática é O anjo e os três pastorinhos, na Loca do Cabeço, obras em pedra mármore, que estão situadas no local que faz memória da Aparição do Anjo de Portugal na Primavera e Outono de 1916, Nossa Senhora dos Valinhos, Loca do Cabeço, em Fátima.

Mas é no Santuário Mariano que o seu trabalho e talento atingem a maior notoriedade e visibilidade, sobretudo nas seis estátuas da Colunata, de sua autoria: “SANTA TERESA DE ÁVILA”, “SÃO JOÃO DA CRUZ”, “SÃO SIMÃO STOCK”, “SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIA”, “SANTO INÁCIO DE LOYOLA” e “SÃO FRANCISCO DE SALES”.
Do espólio da escultora constam as esculturas “PRESÉPIO” (1953), em barro policromado, “NOSSA SENHORA DA PAZ”, também em barro policromado, obras realizadas para a Igreja Nossa Senhora de Fátima em Lisboa. Foi ainda autora da medalha comemorativa do Cinquentenário da Igreja. Em 1968 envia para Damasco (Síria) a imagem do Anjo de Portugal em pedra mármore.
“Uma merecida homenagem quando perfaz 120 anos do nascimento de Maria Amélia Carvalheira e 20 anos da inauguração do Jardim com o seu nome,” adianta a junta de freguesia das Avenidas Novas.
O resultado do trabalho da escultora foi uma obra imensa, repleta de imagens, onde em todas elas se encontra “o equilíbrio expressivo de tranquilidade e harmonia”. O seu trabalho acabou por atingir uma notoriedade que atravessou os cinco continentes.
No mesmo dia ao final da tarde o Cardeal Emérito, D. Manuel Clemente, apresenta uma fotobiografia da escultora, uma publicação da editora Paulinas.
Quem foi Maria Amélia Carvalheira?

Desde cedo que Maria Amélia Carvalheira demonstrou uma inclinação natural para o desenho e para a escultura. Nasceu a 5 de Setembro de 1904 em Gondarém, Vila Nova de Cerveira. Escultora de arte sacra, até 1948 a artista assinava os seus trabalhos como “Quinha”, passando posteriormente a assinar como “Carvalheira.”
O ano de 1947 foi o ano de viragem na vida da artista, até então amadora e autodidata. Apresentada ao Mestre Barata Feyo, este contacto com alguns dos seus trabalhos, prontificou-se a aceitá-la como sua discípula no Atelier dos jardins do Museu de Arte Antiga, na rua das Janelas Verdes.
Ao longo de cinco anos Maria Amélia Carvalheira aprendeu com o Mestre, o qual procurou orientá-la nos seus começos e deixar-lhe na alma algum do seu génio, sem no entanto tentar modificar a personalidade, marcadamente mística da artista. A maior ambição da artista era que “um ateu quando olhasse para as suas estátuas tivesse curiosidade de conhecer Deus.”
Maria Amélia Carvalheira consagrou-se entre os grandes nomes desta arte ao ganhar em 1949, o Prémio de Artes Plásticas “Mestre Manuel Pereira” para a escultura com a obra intitulada “SÃO JOÃO DE DEUS.”
Em 1951 participou na “I Bienal de São Paulo”, no Brasil com um baixo-relevo representando “São Lucas, em bronze; em 1952 participou, em Goana, na Exposição comemorativa de São Francisco Xavier com o seu alto-relevo denominado “A última Ceia de Cristo”.
Em 1992 realizou uma exposição na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, comemorativa dos “50 anos de Escultura de Arte Sacra”.
Em 1994 realizou uma exposição no Centro Cultural de Belém (CCB), no âmbito do Ano Internacional da Família, intitulada “A SAGRADA FAMÍLIA NA OBRA DE MARIA AMÉLIA CARVALHEIRA.”
Participou ainda em muitas outras exposições, não só em Portugal, como também no Brasil e Moçambique. Teve reconhecimento do seu trabalho artístico na Europa a África, da Ásias às Américas.
Na sua estreita relação com a cidade de Lisboa deixou, em múltiplos locais, sinais da sua vasta obra. Viveu mais de 60 anos na Freguesia das Avenidas Novas, mais concretamente no nº 58 da Avenida João Crisóstomo, a apenas três quarteirões de distância da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.


