Cuidados Paliativos: queremos que cheguem a mais portugueses

Isabel Galriça Neto, Médica de Cuidados Paliativos, Ex-deputada e membro da comissão executiva do CDS

A falta de investimento – menos recursos humanos, menos preparação dos mesmos – nesta área tem sido gritante nos últimos anos. E é preciso continuar a falar para que o panorama mude e para que menos portugueses sofram desnecessariamente. Essas vidas não valem menos e têm que ser cuidadas, tratadas, apoiadas.

Em boa hora o CDS apresentou um projecto de resolução no parlamento sobre esta matéria, e vários outros partidos com assento parlamentar se lhe seguiram.

Devido à maior longevidade e ao aumento também associado de doenças crónicas, cada vez mais teremos entre nós pessoas com doenças que não se curam, e dentre essas muitas com doenças graves e progressivas. Para esses, e não apenas para os que se curam, têm que existir cuidados de saúde que os acompanhem, dentro do próprio sistema de saúde. São só Cuidados Paliativos, cujos benefícios inequívocos a Ciência já se encarregou de evidenciar.

A pergunta que hoje teremos que fazer não é se os Cuidados Paliativos fazem falta; a pergunta é antes de como os poderemos tornar efectivamente acessíveis para aqueles que, com patologias oncológicas e não oncológicas , de todas as idades e não apenas idosos, carecem deste tipo de apoio.

O desconhecimento e os preconceitos – a ideia de que apressam a morte, de que são muito caros, de que são um trauma – é falsa e dificulta muitas vezes o envio atempado para este tipo de cuidados e tratamentos.

No nosso país são mais de 100.000 as pessoas que carecem de Cuidados Paliativos – e a eles devemos acrescentar as suas famílias e cuidadores. Escandalosamente, apenas 30/100 desses recebe este tipo de cuidados de saúde, supostamente um direito constitucional. Que diríamos nós se apenas 30% das grávidas recebesse os cuidados de saúde a que têm direito?

A falta de investimento – menos recursos humanos, menos preparação dos mesmos – nesta área tem sido gritante nos últimos anos. E é preciso continuar a falar para que o panorama mude e para que menos portugueses sofram desnecessariamente. Essas vidas não valem menos e têm que ser cuidadas, tratadas, apoiadas.

Em boa hora o CDS apresentou um projecto de resolução no parlamento sobre esta matéria, e vários outros partidos com assento parlamentar se lhe seguiram.

Mudar este panorama de falta de acesso aos Cuidados Paliativos cabe a todos – os decisores, os políticos, os profissionais de saúde, as seguradoras, a sociedade em geral- e todos devem fazer bem a sua parte.

Todos devem estar comprometidos com este avanço civilizacional: dar aos mais vulneráveis, aos que não se curam, o cuidado de saúde especial que eles necessitam e merecem.

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