Várias personalidades ligadas ao PSD têm apelado para a retirada da moção de confiança por parte do Governo que vai ser debatida no parlamento na próxima terça feira. Luís Marques Mendes, Fernando Negrão, e Paula Teixeira da Cruz reconhecem que não é bom para o país ir para eleições antecipadas em maio, e que a moção pode ser retirada até ao “último instante”.
Luís Marques Mendes admite que ainda é possível evitar eleições e apela ao presidente da República para interceder junto de Luís Montenegro e do PS, segundo noticia a RTP.
Fernando Negrão, antigo ministro da Justiça, em entrevista à TSF, lembra que a moção pode ser retirada até ao “último instante” e essa deveria ser a atitude “responsável” dos dois maiores partidos. O apelo do antigo ministro social-democrata surge a poucos dias do debate da moção de confiança apresentada pelo Governo que está agendada para a próxima terça-feira, dia 11 de março.
“PS e o PSD têm obrigação de ter uma atitude conjunta para resolver os problemas e não andarem sempre em confronto,” defende que, se houver eleições, é “duplamente importante” que isso aconteça, porque “o país não pode estar num ambiente de ingovernabilidade,” adianta Fernando Negrão.
Paula Teixeira da Cruz, antiga ministra social-democrata, diz que as “eleições não eliminam as perceções criadas”, embora reconheça que também “não é saudável continuar com o ambiente político criado”.
O Governo alega na moção de confiança que “não devem subsistir dúvidas” quanto às condições que o Governo dispõe para continuar a executar o seu Programa.
Nesse sentido o país “precisa de clarificação política e, perante estas circunstâncias, este é o momento de a conseguir. Para garantir a estabilidade política efetiva, imprescindível às condições necessárias para que possa prosseguir a execução do seu Programa de transformação do País, é com pleno sentido de responsabilidade e exclusivo foco no interesse nacional que o Governo submete a presente moção de confiança.
Conclui que agora “é hora de cada um assumir as suas responsabilidades.”
Um ano de governação AD
Tendo sido levantadas dúvidas sobre a vida profissional e patrimonial do Primeiro-Ministro, a moção de confiança justifica que Luis Montenegro prestou os “devidos esclarecimentos e reiterou as medidas adequadas para prevenir qualquer potencial conflitos de interesse.”
Acrescenta que “não tendo sido apontada qualquer ilegalidade, ainda assim, as oposições persistiram em fomentar um clima de suspeição desprovido de bases factuais e sem a mínima correlação com a realidade”.
O Governo considera que “conquistou a estabilidade política, promoveu a estabilidade social e consolidou a estabilidade económica e financeira que permitiram a Portugal iniciar um rumo virtuoso focado na resolução dos problemas das pessoas e na transformação do País.”
Desde a sua tomada de posse, o Governo iniciou uma “transformação positiva” no país, com a “valorização das carreiras da administração pública, aumento das pensões e os impostos desceram, o desemprego atingiu números historicamente mínimos, enquanto o emprego se encontra em máximos também históricos, a economia cresce bem acima da média europeia e o equilíbrio orçamental mostra-nos um sólido superavit.”
O executivo diz que “tomaram-se decisões estruturais nas infraestruturas e mobilidade, com destaque para o novo aeroporto de Lisboa, a rede de alta velocidade, a nova travessia sobre o Tejo ou o passe ferroviário verde.
Está em curso o processo de construção de 59 000 novas casas públicas e ainda está a ser executado o Programa «Acelerar a Economia» e o investimento, público e privado, que está a chegar ao terreno. Programa de Economia pode ficar em causa com as eleições antecipadas em maio.
A moção de confiança por parte do Governo vai ser debatida no parlamento na próxima terça feira, dia 11 de março, dia em que o governo celebra um ano de governação AD.


