O Papa Francisco (1936-2015) morreu esta manhã, aos 88 anos, na residência papal de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, às 07h35, um dia depois do domingo de Páscoa.
Pedro Gil, consultor de comunicação da Igreja, ao Estado com Arte Magazine comenta que um dos maiores legados do Papa Francisco é o caminho sinodal, que recupera a ideia do Concilio Vaticano II em que a igreja “quis renovar a prática do Sínodo, no caminhar juntos, envolver as pessoas na comunhão, participação, e na missão.”
Francisco deixa-nos um precioso legado de textos como a exortação apostólica Gaudete et exultate, sobre a santidade ou a Dilexit nos sobre o amor de Deus.
O Papa argentino deixa-nos num mundo “bastante à deriva com muitas conquistas tecnológicas e inquietações, privações, mas muita pobreza material e solidão”. São vários os grandes desafios que a Igreja enfrenta e que o próximo pontífice terá de resolver, Pedro Gil considera que se “vemos sinais de divisão na igreja, vemos também sinais de grande arrogância e prepotência por parte dos poderes políticos, desejo de totalitarismo”, as tendências para o populismo.
A nível micro a Igreja tem de fazer face aos “problemas de saúde mental, as angústias das pessoas”, que para o consultor de comunicação “é uma enorme anemia da fé”. Perante uma falta de abertura a Deus, diz que “é preciso reforçar imenso a relação com Deus”.
Perante as evidências sociais e politicas de crise mundial Pedro Gil não tem dúvidas de que “há um grito escondido, uma queixa não verbalizada do mundo que grita: curem-me rapidamente.”
Qual o legado que nos deixa o Papa Francisco?
O Papa Francisco quis pôr Deus no centro. Quis mostrar-nos que Deus é ternura, ao contrário daquilo que muitos homens pensam que Deus é.
Deixou documentos preciosos como e exortação apostólica Gaudiatum et Exultate ou a Dilexit nos. Documentos belíssimos sobre o presépio e S. José. O Papa Francisco parecia estar centrado nas coisas do mundo, mas não era assim: madrugava para rezar, antes das suas viagens depositava uma flor aos pés de Nossa Senhora, aquele que sempre pediu que rezássemos por ele, e não era uma superstição, mas sim a consciência clara que é Deus quem manda na vida.
Quais as intenções do Papa com o caminho sinodal?
O Sínodo foi um dos grandes legados que o Papa quis deixar. No Concilio Vaticano II, decorrido nos anos 60, que a igreja quis renovar a pratica do Sínodo, no caminhar juntos, envolver as pessoas na comunhão, participação, e na missão.
Desde o concilio houve vários sínodos de bispos, mas havia a sensação clara que não bastava era um tempo curto, não era suficiente para envolver as pessoas, por isso começou um sínodo sobre sinodalidade para envolver as pessoas para que ao faze-lo se aprendesse a faze-lo. Os ingredientes grandes do caminho sinodal é: rezar muito, parece que não tem importância, mas tem imensa importância, saber ouvir os outros sem os interromper, dar tempo , silencio, para meditar e estar à escuta do Espírito Santo, “ No meu entender é uma forma de levar a pratica o concilio do Vaticano II e uma herança que não vai acabar.

A seu ver que desafios a igreja vai ter de enfrentar com o novo Papa?
Serão aqueles que o próprio papa com a ajuda de Deus irá saber ler nos sinais do tempo que lhe compete viver.
Estou convencido com a fé da igreja que tudo aquilo que é preciso em cada momento da historia é Deus quem ajuda a resolver precisamente com o Papa escolhido por Deus. Não há nenhum Papa escolhido por distração ou que não seja o conveniente para a época em que vivemos.
Olhando humanamente vemos sinais de divisão na igreja, vemos também sinais de grande arrogância e prepotência por parte dos poderes políticos, desejo de de totalitarismo, as tendências para o populismo.
A nível micro também vemos problemas de saúde mental, as angústias das pessoas, se juntássemos todos estes sintomas, podemos dizer que é uma enorme anemia da fé.
Uma falta de abertura a Deus, é preciso reforçar imenso a relação com Deus.

O que espera o mundo do próximo Papa?
Não podemos responder, porque o mundo não é uma entidade homogénea. Sabemos olhar para as carências que o mundo tem, sente e vive, mas não as sabe formular, nem fazer um diagnostico.
Vemos um mundo bastante à deriva com muitas conquistas tecnológicas e inquietações, privações, mas muita pobreza material e solidão. Há um grito escondido, uma queixa não verbalizada do mundo que grita: curem-me rapidamente.
É um desafio para a igreja de sempre, mas que agora tem aspectos muito próprios.


