Rui Gonçalvez

A ESPERAR PELO PRÓXIMO APAGÃO

Rui Gonçalves, Arquitecto

Quando a vergonha escasseia, o deboche potencia e o povo leva nos olhos com areia. Aos climatéricos histéricos que andam por aí a exigir o fim do “fóssil”, convinha dizer que o gasóleo que alimenta os geradores que permitiram o funcionamento dos hospitais, não tem origem lunar, tem origem no tal “fóssil” que os coitados querem acabar, mas podem sempre é ir bugiar.

Os psicopatas climáticos da política, devem agora estar deslumbrados com as consequências dos atos criminosos que praticaram enquanto governantes. O governo socialista de António Costa, essa eminência parda da política nacional e agora internacional, em nove anos de governação danosa, deixou Portugal energeticamente dependente do estrangeiro, mandando desativar centrais elétricas que garantiam a produção de energia para o nosso consumo.

Mesmo que a habitual má gestão praticada pelo Estado português, não fosse capaz de garantir que a energia produzida em Portugal fosse mais barata do que a que compramos ao estrangeiro, jamais se deviam ter desativado as centrais em nome dessa esquizofrenia climatérica que por aí anda a ser proclamada de forma a amedrontar a população.

Um país cerca de 12 horas sem energia, causa prejuízos de tantos biliões que se tornam incalculáveis e claro que ninguém é responsável, porque todos são irresponsáveis e porque não está prevista no código penal a “criminalidade governativa”, de que os autores materiais de tomadas de decisão políticas danosas para o país, deveriam ser acusados, para que em casos como este fossem chamados a responder na justiça. Não se trata de uma mera divergência de opinião política, mas de um ato de gestão que implicou, como em outros casos, prejuízos de dimensão catastrófica a um país já de si economicamente debilitado.

Quem não se lembra do ministro do ambiente da altura, um tal de Matos Fernandes, vir às televisões com aquele sorriso de psicótico ambientalista, apregoar como “um dia feliz”, aquele em que foi desativada a central do Pego? E agora, onde anda essa criatura e outras criaturas da mesma estirpe incompetente? Pois, ninguém se lembra deles e lavam as mãos como pilatos, fazendo de conta que não têm nada a ver com o assunto, mas imagina-se que devem continuar por aí muito felizes a esta hora.

Deixar ao livre-arbítrio de estrangeiros, o fornecimento de energia, sem garantir as condições necessárias de produção nacional alternativa, para fazer face a acontecimentos como aquele que ocorreu no dia 28 de Abril, de má memória para Portugal, tem de ser considerado crime de lesa-pátria, porque é de facto um crime que lesa a pátria.

E aqueles que desde o governo de António Guterres, que vendeu a primeira tranche da EDP, até Passos Coelho, que vendeu a última, para arranjar dinheiro para pagar os salários de funcionários públicos deste país constantemente falido? que é feito dessas criaturas incapazes que tanto prejudicaram a nação? Claro que também não há culpados, como nunca há culpados neste país de coitados.

Mas as questões não foram só de âmbito económico, isso seria o mal menor, foram principalmente sociais. O alarme generalizado que se instalou junto da população, sem fazer a mínima ideia do que se estaria a passar, ou até quando iria durar o martírio da incerteza e as consequências que dali viriam. Evidente foi o pânico da população a correr para bombas de combustível e supermercados, à boa maneira portuguesa, claro que o papel higiénico foi, mais uma vez, tal como na pandemia, a vedeta do dia, é normal que cada um se tente precaver relativamente aquilo a que dá mais uso, e curiosamente não parece ter havido grande procura de chapéus.

E se a energia não tivesse sido restabelecida ainda em tempo útil antes da noite profunda, quem garantiria a segurança de pessoas e bens, com uma população em pânico, com medo de não ter o que comer no dia seguinte? Por muito menos do que isto, temos assistido em várias paragens do mundo, pela calada da noite sempre apetecível para a criminalidade, a assaltos e pilhagens, sem possibilidade de as forças de segurança serem contactadas, porque não havia qualquer tipo de meio de contacto possível. Isto é o que se chama um país e uma sociedade ainda mais à deriva, do que é habitual no dia normal.

Os comentadores, sempre prontos a opinar e a inventar teorias da conspiração, lá estiveram de “serviço”, a ganhar uns trocos, claro e a tratar de encontrar um qualquer bode expiatório que lhes servisse de apoio à teoria, alarmando ainda mais a população e obviamente os russos, sempre eles, eram os culpados ideais para o momento, mas não foram, olha que chatice e agora?

Afinal a culpa era exclusivamente nossa, dos portugueses, que geramos e elegemos governantes incapacitados e incompetentes, tão incapazes e tão incompetentes que 48 horas depois dessa trágica ocorrência, ainda ninguém sabe, ou faz a menor ideia sequer do que terá causado tudo aquilo e se já desconfiávamos, ficámos a ter a certeza que isto pode voltar a acontecer, por 12 horas ou por 12 dias, porque se não se sabe o que aconteceu, como é que é possível tomar medidas para o evitar? Não é possível fazer ou acreditar em nada nem em ninguém.

Sim, amanhã, ou no próximo ano, ou na próxima década, isto e muito mais pode suceder e tal como nos enchem os ouvidos e porque eles sabem melhor do que nós que tudo vai ficar na mesma, não se esqueçam e ter lá em casa o tal kit para estas situações, convém sempre um contrato com a “renova”, para fornecimento do último modelo de papel higiénico e umas velinhas à Nossa Senhora de Fátima, que é o que nos resta fazer nesta situação em que estamos, entregues à bicharada e já agora umas lanternas com as respetivas pilhas, etc…, é de perguntar aos comentadores e aos ministros, porque cada um tem a sua receita de kit ideal.

Foi penoso e com sentimento de vergonha alheia, que se ouviu o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já nas televisões, na rádio não valia a pena perder tempo porque o impacto não compensa, quando a luz já tinha voltado, aproveitar para fazer campanha eleitoral, a referir com aquele ar de estadista que imita por vezes, que o governo tinha feito tudo para resolver a situação, mas tinha feito o quê, se não sabia o que tinha acontecido e tinha estado fechado em conselho de ministros sem poder comunicar com ninguém? Claro que o outro moço, o Pedro, aquele da oposição, aproveitou a boleia e veio também, sem qualquer pudor, acusar o anterior, como se não tivesse ele próprio pertencido ao governo que afinal causou tudo isto e do qual foi dispensado por indecente e má conduta, nas funções que exercia como ministro.

Quando a vergonha escasseia, o deboche potencia e o povo leva nos olhos com areia.

Aos climatéricos histéricos que andam por aí a exigir o fim do “fóssil”, convinha dizer que o gasóleo que alimenta os geradores que permitiram o funcionamento dos hospitais, não tem origem lunar, tem origem no tal “fóssil” que os coitados querem acabar, mas podem sempre é ir bugiar.

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