Livro Portugal 900 anos – Vol. I. A diplomacia bilateral e o alargamento das relações diplomáticas

Mariana Lameiro

“O nascimento de Portugal em Espanha: Lançamento do livro Portugal 900 anos – Vol. I”, da editora Principia (2025) foi apresentado pelos autores José Ribeiro e Castro, José Eduardo Franco, João Paulo Oliveira e Costa, e Isabel Drummond Braga, no passado dia 12 de julho,  na Praça Roxa, da Feira do Livro, em Lisboa.

Os presentes diplomáticos portugueses da época moderna, retratados no livro, aparecem como uma forma mais significativa, focando duas realidades: a diplomacia bilateral e o alargamento das relações diplomáticas. O presente diplomático à época era visto como uma arma pacífica da diplomacia.

Um livro que pretende ilustrar um panorama, o mais abrangente possível, das várias realidades de Portugal, não apenas na Idade Média, mas daquilo que, de alguma forma, se liga ou é intrínseco ao Estado e também em relação a outros espaços com o nosso país.

Os presentes diplomáticos portugueses da época moderna, retratados no livro, aparecem como uma forma mais significativa, sobretudo a partir do momento em que temos duas realidades: a diplomacia bilateral e o alargamento das relações diplomáticas. A primeira, que se refere à relação entre Portugal e outros espaços para além da época moderna, começa no século XVI e vai-se desenvolvendo, sobretudo a partir da Restauração em 1640.

O presente diplomático é então visto como uma arma pacífica da diplomacia

Dos quais se destacam os presentes do Rei D. Manuel I e o Papa Leão X, em que o primeiro ofereceu ao segundo um elefante, sendo talvez o presente mais mediático da época moderna. Como de tantas formas foi retratado o episódio mais adiante na história. Como é o exemplo do livro de Saramago em “A Viagem do Elefante”. “Esta oferta foi feita no âmbito de uma embaixada de obediência levada a cabo por Tristão da Cunha, que chegou a Roma em 1514. Ou então, a escultura de Bernini,” diz Isabel Drummond Braga, autora.

“Esta oferenda é exemplo daquilo que hoje tanto se fala, ou seja, da globalização, e mostra claramente o conhecimento, o poderio, a diferença de um monarca que consegue, efetivamente, oferecer um animal pouco visto em termos europeus, ao Sumo Pontífice.”

Avançando cronologicamente, os presentes foram-se diversificando. Para além de animais, começaram a incluir alimentos – especialmente alimentos a que a Europa, por norma, não tinha acesso tão facilitado, como é o exemplo do chá e do cacau. Em termos alimentares são produtos novos, valorizados, e fazem parte das chamadas “bebidas exóticas”. “O cacau, durante toda a época moderna, bebia-se e não se comia”, explica a investigadora.

“Temos também doces, em que o açúcar desempenha um papel central, tecidos, particularmente ricos, como os de seda; porcelanas orientais e, a partir do século XVIII, também europeias, nomeadamente do Sacro Império Romano-Germânico, que foi o primeiro espaço europeu a produzir porcelanas há cerca de 200 anos”, segundo a autora.

Além disso, móveis de aparato e joias são exemplos de produtos oferecidos. São presentes provenientes tanto das metrópoles como de espaços ultramarinos dos impérios, no caso de países como Portugal, esses produtos revelam os contactos interculturais.

Os presentes aparecem como reveladores de interesse e da cooperação com quem se quer agradar, demonstrando a liberalidade do ofertante e podem ser instrumentos de pressão diplomática (no bom sentido) para conseguir a boa vontade do soberano ou daqueles que o rodeiam. É portanto, o que a historiografia recente intitula de soft power.

Em Portugal, podemos dividir a doçaria, de modo geral, em três grandes grupos: doces à base de frutos, como é o exemplo da marmelada; doces à base de ovos; e, finalmente, os doces à base de farinha, mais pobres e populares, como pães doces. A doçaria natalícia só ganha uma identidade mais específica no século XIX.

Uma curiosidade sobre o livro tem que ver precisamente com a capa do mesmo, uma vez que, contém uma fotografia de Zamora, “uma cidade que muitas pessoas não identificam de imediato”, que é uma cidade espanhola e tal como indicado no título do artigo, foi aí que Portugal nasceu.

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