“12 SOLUÇÕES PARA SUPERAR OS DESAFIOS DOS ECRÃS”

Susana Mexia, Professora de Filosofia

“12 SOLUÇÕES PARA SUPERAR OS DESAFIOS DOS ECRÃS”, da autoria do Dr. Miguel Ángel Martínez-González, apresenta-nos um conjunto muito significativo de sugestões que nos poderão ajudar a perceber quão perigoso poderá ser o uso e abuso que os nossos jovens fazem dos ecrãs que lhes oferecemos, sem nos ocorrer a problemática que lhes está subjacente.

Não obstante o livro não estar traduzido em português, e considerando-o muito útil e deveras pertinente, ocorreu-me partilhar com o leitor algumas passagens do mesmo.

«Não pretendemos assustá-lo, mas tomemos consciência de uma realidade que se está impondo há anos e que se não nos envolvermos todos na busca de uma solução, será o monstro nos devorará».

«É um livro agradável, claro, conciso e prático, ao mesmo tempo que nos dá uma visão abrangente da temática em questão com recurso a uma abordagem rigorosa e científica, o que pode ser de grande ajuda para esclarecer este tema tão complexo quanto polémico.

O iPhone surgiu em 2007 e no final daquela década, 95% dos adolescentes americanos já tinham acesso a telefones com conexão à internet e 45% admitiram estar online “quase constantemente”.

Na saúde pública, psiquiatras e psicólogos constactam que os seus danos têm aumentado e em idades cada vez mais jovens. Ano após ano desde 2007, aumentaram as mortes por suicídio. Entre 2010 e 2021, as taxas de suicídio em raparigas aumentaram 167% e em rapazes em 91%.

Suicídios são apenas a ponta do iceberg de “Uma crise de saúde mental juvenil sem precedentes: depressão, ansiedade, anorexia nervosa, deficit de atenção, vícios, automutilação e uma longa lista de patologias”.

Alguns riscos que talvez os nossos filhos e netos possam estar a correr numa infância e adolescência passada em frente dos ecrãs, enumerados no livro pelo autor:

1- Exposição precoce à pornografia;

2-Redução e fragmentação do horário de trabalho e de descanso;

3-Deficit de atenção e diminuição da concentração com consequências para a aprendizagem e desempenho escolar;

4- Fomentar a adição às redes sociais, que além de roubar tempo para outras actividades mais saudáveis e lucrativas, tem inúmeras consequências negativas para o desenvolvimento;

5- Fomentar o sedentarismo com graves consequências para a sua saúde (obesidade, etc…).

6-Risco de cyberbullying, assédio sexual e aliciamento. A criança que sofreu bullying continua sofrendo o insulto e a humilhação de seus colegas quando chega em casa. O bullying gera depressão, transtornos alimentares e, embora possa parecer exagerado, comportamento suicida.

7- Empobrecimento mental e redução da capacidade intelectual. A perda de habilidades de alfabetização é uma realidade. O relatório Pisa, bem como outras evidências semelhantes, confirmam a Resultados pouco animadores em relação à aprendizagem o que sugere a necessidade de utilizar melhores metodologias.

8-Um grande risco das tecnologias digitais é que destrói qualquer plano de trabalho, qualquer organização, qualquer ordem… Em vez de permitir que se organize racionalmente sua vida, eles atraem o caos e a desordem e acabam eliminando a maioria de outros objetivos e actividades».

MAS NEM TUDO É NEGATIVO E TEMOS ALGUMAS PROPOSTAS FEITAS PELO DR. MARTINEZ-GONZALEZ

«1-Liderar pelo exemplo, para ganhar autoridade sobre filhos. As crianças imitam seus pais, pelo que devemos fazer um uso adequado e limitado do telefone;

2-Manter um diálogo aberto e individual com cada um dos filhos gerando um clima de empatia;

3-Combine com os filhos regra claras e concretas para o uso de tecnologias. Este livro ensina como fazê-lo. Ofereça-lhes, em troca de regras digitais, algo bom que eles querem, mesmo que isso lhe custe: gaste tempo e ouça-os;

4-O controlo dos pais é obrigatório. Como instalar um sistema de controlo parental eficaz em casa?

5-Limite o uso de dispositivos conectados à rede a determinadas áreas compartilhadas da casa. Deixá-los fecharem-se no quarto pode levar a sérios perigos;

6-Defina uma programação para o uso do dispositivo e defina o toque de terminar o seu uso;

7-Definir um local onde todos os membros da família colocam os seus telemóveis, para poderem desfrutar dum tempo em amena e tranquila conversa;

8-Cancele as notificações, eles destroem a atenção e fomentam o medo de que se pode estar a perder algo importante;

(Os bipes, alarmes, notificações e ativações automáticas foram estrategicamente projectados para nos pressionar a usar esses aplicativos).

9-Evite phubbing (um termo anglo-saxão que se refere ao acto de ignorar as pessoas presentes numa situação social para prestar atenção ao telefone). O phubbing parental reduz a auto-estima e aumenta a ideação suicida em crianças;

10-Conte o seu próprio tempo de uso móvel. Isso permitirá que se consciencialize e o ajude a reduzi-lo;

11-Pense na importância de fazer planos familiares gratificantes e divertidos como alternativa ao “jejum móvel”;

12-Incentive desportos e actividades ao ar livre;

13-É importante não dar um smartphone ao seu filho antes dos 18 anos.

A união faz a força. Faça uma parceria com os pais dos amigos dos seus filhos, que compartilham os mesmos valores, para estabelecerem os padrões claros e comuns necessários. Se quer o bem de seus filhos, deve influenciar o ambiente para se sustentar de forma mais saudável. As desculpas “respeito pela liberdade” ou “privacidade” ou “cada um com sua própria responsabilidade” não são válidas. Não se esconda atrás do facto de que “é impossível” também.

Não se contente com esta pequena advertência. Procure ler este livro. Aproveite o tempo das férias para aprender e se informar.

É um livro agradável, claro, conciso e prático, ao mesmo tempo que nos dá uma visão abrangente do assunto e com uma abordagem rigorosa e científica, o que pode ser de grande ajuda para esclarecer um tema tão complexo quanto polémico.

Se achar interessante, divulgue e assim colaborará, ajudando outros pais na difícil tarefa de educar».

Miguel Ángel Martínez-González (nasceu em 1957 em Málaga, Espanha) é um médico, epidemiologista, professor e pesquisador de nutrição espanhol e professor visitante na Harvard T.H. Chan School of Public Health (Dept. Nutrition).

Fundador e Presidente (até setembro de 2022) do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade de Navarra. Ele também foi o Investigador Principal de uma Bolsa de Pesquisa Avançada do Conselho Europeu de Pesquisa para financiar o estudo PREDIMED-Plus.

Martínez-González também foi fundador e ‘investigador principal’ (até junho de 2022) do estudo de coorte SUN e foi (2006-2013) o coordenador dos vários centros incluídos na Rede PREDIMED  (um grande ensaio clínico que avalia os efeitos de uma dieta mediterrânea sobre a prevenção primária de doenças cardiovasculares.  Ele é um dos especialistas mundiais mais conhecidos na dieta mediterrânea e estudou de forma abrangente os determinantes nutricionais da obesidade na população espanhola. Seu livro de autoajuda em espanhol “Salud a ciencia cierta” (Planeta, 2018) fornece ferramentas úteis para melhorar hábitos saudáveis e escolhas alimentares.

Foi premiado com o Prémio Grace Goldsmith (American College of Nutrition, 2013 e a palestra Rankin-Skatrud (Univ. de Wisconsin, 2016).

Em setembro de 2016, foi nomeado Professor Adjunto no Departamento de Nutrição da Harvard TH Chan School of Public Health. É o co-PI com Frank B. Hu de duas bolsas  financiadas pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).

Em 2022 recebeu o prestigioso Prémio Nacional de Pesquisa Científica “Gregorio Marañón” em Medicina e Ciências da Saúde pelo Ministério da Ciência e Inovação do Governo Espanhol. Em 2024, foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Almería (Espanha).

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