Pedro Machado: “É função do Estado criar os instrumentos para gerir melhor o excesso de Turismo”

Marta Roque

As receitas da atividade turística resultaram em 1.514,48 milhões de euros, segundo dados revelados pelo Banco de Portugal (BdP) em novembro de 2025, o relatório demonstrou que o total acumulado em termos de receitas turísticas entre janeiro e novembro de 2025 se aproxima da meta dos 30 mil milhões de euros (foi de 27,500, 26 milhões de euros). O valor mais elevado de sempre para o País a nível de Turismo.

Ainda assim Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo e Comércio, considera que “não existe excesso de turismo”, e critica os “mitos urbanos” quanto ao aumento de circulação turística em Portugal.

No dia Europeu do Turismo o Secretário de Estado do Turismo e Comércio, Pedro Machado, foi o orador convidado da conferência, II Estoril Talks  sob o tema “Qual o futuro do turismo português num mundo em mudança?”, onde abordou alguns aspetos da estratégia  governo para o turismo para os próximos dois anos, que decorreu ontem à tarde no Hotel Londres, no Estoril, com 50 participantes do sector turístico.

Mil migrantes estão a receber formação para entrarem no mercado de trabalho através de um programa nacional que dá formação em 12 escolas de hotelaria de Portugal, revelou Pedro Machado quanto à mitigação para o excesso de turismo e a formação de mão-de-obra qualificada.

No protocolo com a Comissão do Trabalho (CT) foram identificadas 300 empresas a nível nacional disponíveis para receber os formandos migrantes a 3 níveis: ensino de língua portuguesa,  cultura portuguesa e a componente técnica para o qual querem ser recrutados; fizeram-se acordos com os CPLP, Pedro Machado deu como exemplo “Cabinda onde a  formação está a ser dada num hotel Escola,  existem ainda convénios, com São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola com o objectivo de angariar mão-de-obra qualificada ou qualificada no mercado de trabalho de Portugal e nos países da CPLP. O pograma também é dirigido a pessoas disponíveis para este sector de actividade turística.”

“O crescimento do setor do turismo rondou os 5,4% em 2025 o que significa que o turismo vale cada vez mais em Portugal e tem um potencial de crescimento muito grande”, declarou o ministro da Economia, Manuel Castro
Almeida, no dia 22 de janeiro e no âmbito da Feira Internacional de Turismo de Madrid (FITUR).

No dia 19 de janeiro, os dados revelados pelo Banco de Portugal (BdP) revelaram que em novembro de 2025, as receitas da atividade turística resultaram em 1.514,48 milhões de euros, sendo este o valor mais elevado de
sempre para o País no penúltimo mês do ano.

O relatório demonstrou que o total acumulado em termos de receitas turísticas entre janeiro e novembro de 2025 se aproxima da meta dos 30 mil milhões de euros (foi de 27,500, 26 milhões de euros).

Medidas para melhorar o excesso de turismo nas cidades portuguesas

Sobre este tema Pedro Machado não tem dúvidas: “não há excesso de turismo nas cidades portuguesas.” E acrescenta “é função do Estado criar os instrumentos” para gerir melhor o excesso de Turismo. Disse mesmo que este é um “não problema” para os 27 Estados membros da União Europeia, a Dinamarca defendeu em reunião com Comissário que este “mito urbano, over tour, não é aceite no debate europeu sobre os fluxos de Turismo”.

“Temos alguma concentração em alguns picos”, garante Pedro Machado ao Magazine Estado com Arte que “o governo está a sensibilizar para um modelo de gestão do território, nomeadamente espaços como museus, patrimónios nacionais onde há maior concentração”.

Adianta que as medidas de regulação do excesso turístico passa ainda por introduzir tecnologia para ajudar a mitigar e ainda regular os tuk  tuk que tiveram uma explosão de desenvolvimento nas cidades.

O “mito urbano de que imigrantes estão a comprar mais casas em Portugal”

Portugal, nos últimos 15 anos, construiu abaixo da média europeia, construiu menos 26 casas por cada mil habitantes abaixo da media europeia, o que para Pedro Machado “é um problema estrutural, não é conjuntural.”

Assegura que o turismo não é o responsável pela falta de habitação em Portugal. Explica que “em muitos casos permitiu até qualificar casas , qualificar aldeias, centros históricos que hoje encontraram não no turismo uma fonte de negocio e de financiamento, e por outro lado recuperar pequenos negócios que tinham desaparecido ou até mais segurança mais pessoas na rua.”

Espanha tem o mesmo problema da habitação, mas Pedro Machado acredita que em Portugal o turismo não aumentou o problema da habitação.

As projeções na medida em que o ano de 2025 não está fechado, apontam para 33 milhões de visitantes (ou turistas em Portugal). No final de 2025, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o turismo em Portugal cresceu e em várias dimensões. Até agosto, ao nível do alojamento, gerou 4.893 milhões de euros em proveitos totais.

Estoril Talks
A ideia base das Estoril Talks, projeto que nasceu em 2025 pelas mãos do Grupo BF, é conjugar o debate dos temais fulcrais da sociedade – a nível nacional e internacional – com a aposta na solidariedade social. O formato destes encontros é um almoço, no Hotel Londres (no Estoril), com cerca de 50 convidados, um orador e espaço para o debate.

A I conferência das Estoril Talks aconteceu no Verão de 2025, subordinada ao tema “O Futuro da Nato e da Defesa de Portugal face às alterações na Relação Transatlântica” e teve como orador convidado o Almirante Gouveia e Melo.

O projeto Estoril Talks conta com um Conselho Consultivo, integrado por nomes da área pública, académica e empresarial, entre os quais Carlos Carreiras, antigo Presidente da Câmara Municipal de Cascais ou Pedro Oliveira Dean da Universidade Nova USB (localizada em Carcavelos).

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