Seguro vs Ventura. Diferença evidente entre os dois candidatos?

Marta Roque

António José Seguro e André Ventura estiveram frente a frente ontem à noite, no único debate televisivo da campanha da segunda volta das eleições presidenciais nas três televisões. Mas terá ajudado a esbater diferenças?

Foi um debate “mais esclarecedor” do que os debates que ocorreram na campanha para a primeira volta, diz Teresa Nogueira Pinto doutorada em ciência política ao Magazine Estado com Arte.

Para Teresa Nogueira Pinto, António José Seguro manteve uma postura de moderação e uma interpretação apolítica do cargo de Presidente da República.

Já André Ventura “mostrou a sua interpretação mais política, e foi particularmente incisivo nos temas da saúde e imigração.”

No entender de Nogueira Pinto “o grande derrotado da noite foi o socialismo, com AJS a afastar-se tanto quanto possível do legado do partido socialista.”

Independentemente do resultado destas eleições, este é “o aspeto mais relevante para o futuro político do país”.

A diferença entre os dois candidatos não podia ser mais evidente, admite Alexandra Tavares de Moura, ex-deputada do PS.

“António José Seguro falou para todos. Falou do que realmente importa ao país. Explicou, de forma clara, qual é o papel do Presidente da República e mostrou, com exemplos concretos, como, quando e onde é possível, e necessário, mudar.”

André Ventura “falou apenas para os seus”, diz a socialista ao Magazine Estado com Arte.

“Enquanto Seguro assume o compromisso de cumprir a Constituição, a nossa, a que está em vigor, a que nos orienta nas decisões do dia a dia, Ventura defende uma nova Constituição. Não para moralizar o sistema, como afirma, mas para concentrar mais poder em si próprio, com poderes discricionários à moda de Trump,” resume ATM.

O que está em causa para  ATM “é sério: a ideia de permitir que decisões tomadas hoje tenham efeitos retroactivos abre a porta ao ataque a direitos adquiridos. No limite, nenhum direito dos trabalhadores fica verdadeiramente garantido. É uma estratégia clara: governar pelo medo.”

No final, fica uma certeza difícil de ignorar. “António José Seguro é candidato a Presidente da República. André Ventura comporta-se como candidato a Primeiro-Ministro.”

Mas no dia 8 não elegemos um chefe de governo, defende Tavares de Moura. “Elegemos o garante da Constituição”.  ATM nao tem dúvidas: “o voto é claro. É em Seguro, para Presidente da República.”

António José Seguro destacou-se por postura calma, sem grandes compromissos e, longe de polémicas.

O registo de André Ventura também se manteve, mas num volume mais baixo do que o habitual, em alguns momentos. Dia 8 saberemos qual a estrategia que funcionou melhor.

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