Rui Gonçalvez

FOI VOCÊ QUE PEDIU UM PRESIDENTE SOCIALISTA? AÍ O TEM

Rui Gonçalves, Arquitecto

Nem deram conta de que o número de “fascistas”, “racistas”, “xenófobos”, “incultos”, “malformados”, “burros”, “antidemocráticos”, ”extremistas”, “populistas”, “atrasados mentais”, de que anedoticamente apelidam aqueles que dão o voto a Ventura, aumentou em apenas três semanas, a módica quantia de quatrocentos mil. É isso, os culpados estão lá todos do lado do novo presidente, por que será?

Ouvimos e vemos por aí comentários de apoiantes do presidente eleito, eufóricos, não tanto com a vitória de Seguro. mas com a derrota de Ventura. Ora vamos lá a ver se eles percebem isto. Qualquer pessoa minimamente atenta sabia de antemão que Seguro ía ganhar as eleições e ser presidente, a dúvida centrava-se apenas na primeira volta, em saber quem iria disputar a segunda com Ventura e esse seria o eleito, isto é o óbvio, mas nem todos perceberam.

Mais, o “campeonato” do Ventura é outro e não tem nada a ver com presidenciais, ele quer ser e vai ser, primeiro-ministro de Portugal, só resta saber quando, daqui a três anos e meio, se o novo presidente cumprir a palavra dada na noite eleitoral de que manterá essa coisa horrível que nos desgraça a nação, a que ele e outros chamam de “estabilidade”, a tal que nos trouxe até onde estamos.

Felicitar o novo presidente e desejar-lhe os maiores sucessos, é o que é natural democraticamente.

De resto, o vazio ideológico que o caracterizou em campanha, será mais ou menos o mesmo que irá exibir ao longo do mandato, pelo menos do primeiro, porque não quer quebrar a tradição e ambiciona fazer o segundo, tal como todos os socialistas que o antecederam no cargo e para isso tem que continuar a manter o “bloco central” aconchegado no regaço, o tal “bloco” dos interesses (muitos), dos compadrios, da corrupção, dos amiguismos e responsável pela desgraçada governação que tem deixado o país no estado em que está.

Todos os que são pessoalmente responsáveis pelo serviço nacional de saúde moribundo, pela educação de pantanas, pela insegurança que todos sentimos, pelos serviços públicos que se degradam todos os dias, pelas fronteiras eliminadas e abertas a qualquer um em regime de self-service, em suma os culpados pela bagunça generalizada, estavam lá todos, mesmo todos, todos, todos, aninhados no colo de Seguro, ora, estando eles, não podiam estar os outros portugueses que de facto percebem que não é possível fazer diferente com os mesmos de sempre.

Já não falo por mim, cujas convicções jamais me permitem votar num socialista, porque até seria possível tirar um indivíduo de dentro do partido, que não foi o caso, mas nunca seria possível tirar o socialismo de dentro do indivíduo.

E ninguém sabe se o verdadeiro presidente foi aquele que durante a campanha da primeira volta pedia humilhante e insistentemente aos adversários dos partidos mais radicais para desistirem a favor dele, porque ele abarcava toda a esquerda, incluindo a radical que eles representavam, ou aquele que na segunda volta jurou por aí e os apoiantes dele, que corporizava o verdadeiro social democrata e assim arrebanhou os votos da Catarina Martins, da Mortágua, do Louçã, do Raimundo, do Tavares, completando a mixórdia com os votos do Portas, do Chicão, da Assunção e da Cecília, que feita a média, chegamos à conclusão que afinal são todos socialistas.

Mas curiosamente na noite das eleições, lá no momento da vitória e da euforia, nas filas da frente para as televisões mostrarem, só estavam socialistas, todos os socialistas, incluindo o líder José Luís Carneiro, o tal que tem no cadastro a extinção do SEF e permitiu assim a invasão cultural e religiosa de que estamos a ser vítimas, o que disse que “ganhou a democracia”, como se ele fosse o dono dela, tal a pobreza de espírito do coitado e é esta espécie de gente, ao serviço de agendas globalistas, que acompanha o novo presidente e que à primeira oportunidade ele fará chegar ao poder em Portugal e os responsáveis serão aqueles que agora levianamente vieram a correr votar nele, mas que na tal hora da vitória não apareceram, obviamente por vergonha.

Do outro lado está exatamente um terço do eleitorado, com um homem que em apenas meia dúzia de anos, garantiu já um milhão e setecentos mil votos, isso mesmo – 1.700.000, contra os 3.400.000 do resto do país e é isso que os deixa em pânico. O cerco, que infantilmente tentam todos os dias montar contra a “direita” e André Ventura, está cada vez mais apertado, mas para os próprios, porque eles não percebem que o avanço é imparável e nada vai ficar como antes e é isso que eles temem, o fim dos privilégios indevidos.

Nem deram conta de que o número de “fascistas”, “racistas”, “xenófobos”, “incultos”, “malformados”, “burros”, “antidemocráticos”, ”extremistas”, “populistas”, “atrasados mentais”, etc…, etc…, de que anedoticamente apelidam aqueles que dão o voto a Ventura, aumentou em apenas três semanas, a módica quantia de quatrocentos mil, de um milhão e trezentos, para um milhão e setecentos mil, qual vírus que por aí anda e é assim, que ao entrincheirarem-se pateticamente, vão abrindo espaço aos muitos mais que diariamente percebem que é este “bloco central”, agora mais evidente do que nunca, que vai ter que governar Portugal até às próximas eleições e sabem que mais? Com a AD e o PS amarrados, o espaço fica em aberto, o Chega cresce e cresce, porque os tais que votam Ventura vão aumentar e muito, porque o povo sabe que a conversa do “perigo para a democracia”, que eles apregoam, é isso mesmo, a conversa com que rematam e evitam o debate de ideias que não querem de maneira nenhuma.

E é isso, os culpados estão lá todos do lado do novo presidente, por que será?

Seja Apoiante

O Estado com Arte Magazine é uma publicação on-line que vive do apoio dos seus leitores. Se gostou deste artigo dê o seu donativo aqui:

PT50 0035 0183 0005 6967 3007 2

Partilhar

Talvez goste de..

Apoie o Jornalismo Independente

Pelo rigor e verdade Jornalistica