A primeira Presidência Aberta trouxe uma novidade: a promessa de um relatório final. Ou seja: depois de percorrer as áreas mais afetadas nas últimas tempestades que assolaram o nosso país, António José Seguro anuncia que colocará em papel o resumo do que viu, ouviu e sentiu; o balanço das principais queixas e apelos da população afetada. É estranho? É. É novo? Também. Será bem-recebido? Vamos ver.
O mandato do novo Presidente da República já tem um mês. António José Seguro tomou posse a 9 de março de 2026, tendo sido eleito a 8 de Fevereiro com a maior votação de sempre, cerca de 66,8% dos votos expressos. Desta forma, o novo Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas dispõe assim de uma legitimidade política e identificação sociológica ímpares. Condições que irão, certamente, favorecer a sua magistratura e proporcionar mais eco na governação.
Desde o discurso da tomada de posse que António José Seguro anunciou ao que vem: discreto e moderado prometeu dialogar e construir pontes para consensos. Avisou que evitará crises políticas e garantiu amparo institucional ao governo da AD para que se cumpra a legislatura sem mais sobressaltos.
A primeira Presidência Aberta trouxe uma novidade: a promessa de um relatório final. Ou seja: depois de percorrer as áreas mais afetadas nas últimas tempestades que assolaram o nosso país, António José Seguro anuncia que colocará em papel o resumo do que viu, ouviu e sentiu; o resumo das principais queixas e apelos da população afetada. É estranho? É. É novo? Também. Será bem-recebido? Vamos ver.
Um Relatório é “um documento que expõe, de forma estruturada e detalhada, os resultados de uma atividade, pesquisa, ou desempenho, com base em factos, dados e observações.” Desta forma, constitui uma base organizada que permitirá aferir necessidades, identificar possíveis soluções e estruturar medidas de intervenção. Este método administrativo utilizado pelas estruturas e organizações é, muitas vezes, alvo de críticas quando se revela redundante ou desnecessário. Neste caso, será necessário um relatório da atividade presidencial? Caberá nas funções presidenciais?
Há aqui uma novidade, nunca antes um Presidente anunciou ou veiculou um relatório depois de terminar uma atividade presidencial como a designada Presidência Aberta.
O modelo de Presidência Aberta, inaugurado pelo Presidente Mário Soares durante o seu primeiro mandato, constitui um estilo de exercer o poder presidencial que procura aproximar o Presidente da República da população do Estado que chefia. A saída do Palácio de Belém para as ruas ao encontro das pessoas e das empresas, humaniza a figura do Presidente da República e dá palco mediático às necessidades do país.
Com o propósito de captar a atenção para áreas mais afetadas pelo comboio de tempestades, António José Seguro sediou a primeira Presidência Aberta do seu mandato no centro do país. Durante uma semana fez perguntas e os seus consultores reuniram queixas e reclamações: Espera-se que o Presidente da República, depois de ouvir, no próximo dia 16 de abril, o Ministro da Economia e Coesão Territorial, apresente um documento escrito – um relatório – que servirá de balanço e avaliação sobre a atuação e as respostas das instituições perante as necessidades do país.
O relatório do Presidente revela-se, assim, um procedimento formal e cumpridor de um modelo de intervenção e gestão pública. Resta saber se o processo de etapas e a avaliação das políticas públicas também cabem nas funções presidenciais. Tenho dúvidas. Este não é um campo de atuação presidencial, mas creio que pode constituir uma novidade que revolucione a comunicação de Belém e instigue a responsividade de S. Bento. Vamos ver.


