VINHO A EXPORTAR

Jack Soifer, Consultor internacional nas áreas da gastronomia e vinhos

O Oeste pode exportar mais vinho e trazer turistas de wine market para desfrutar de uma bela e variada natureza, e muito mais. Aqui descreverei semanalmente o que os meus amigos empresários, a maioria ex-clientes, costumam comentar em conversas de negócios.

Grande parte do solo do Oeste é fértil, tem chuva na altura apropriada e o salitre do ar do mar proporciona castas com características inusitadas, o que torna os seus vinhos fáceis de harmonizar com pescado, frutos do mar e muito mais.

Alguns dos produtores da região já estão em grupos de exportação, mas estes nem sempre consideram a especificidade de cada nicho de mercado. Por exemplo há uma tendência de tentar vender aos grandes importadores, que vendem aos supermercados, mas a qualidade dos nossos vinhos é para quem vende a restaurantes topo de gama.

Para vender a estes importadores e ainda a clubes de vinho, que, em alguns países ou regiões, importam diretamente para os seus associados, devemos sair do mercado tradicional do vinho.

A maioria das empresas, associações e cooperativas para exportar vinhos de Portugal, trabalha com Consulados e Embaixadas, através de provas por estes organizados. Quando eu tinha a coluna de “Gastronomia e Vinhos” na Suécia, levei apenas três produtores de Portugal cada vez, para encontrar pequenos importadores gourmet e a imprensa especializada, num restaurante com pequeno hotel num distante clube de golfe.

Cada produtor levou apenas três vinhos, por mim selecionados, pois sei das preferências daquele público alvo. Um do Dão, um do Douro, um do Minho, pois são complementares. Foi um jantar onde a maioria dos participantes dormiu naquele hotel, pois não poderiam conduzir às suas casas e ir de táxi, o que se torna muito caro usar este transporte na Suécia.

Convidei apenas um cronista de uma TV, um de jornal semanário, outro comentador de um jornal diário, e um radialista. Sentiram-se privilegiados, sem concorrência. Convidei apenas um importador de cada uma das quatro grandes regiões da Suécia, especializado em restaurantes, e dois de clubes de vinho.
Já ao final do jantar, após as provas, fiz uma ronda com cada produtor, apresentei-os a cada um dos participantes, que eu acreditava ser a pessoa certa para conversarem mais. E a maioria agendou uma curta conversa.

Na manhã seguinte, durante ou após o pequeno almoço, levei cada um dos três, em sessões de uns 15 minutos cada, a conversar com algum destes importadores/diretores de clubes. No final deste wine meeting os comentadores convidados dos media ficaram com as garrafas que sobraram da prova. A maioria solicitou aos produtores de vinho algumas caixas para testar com os líderes dos seus clientes.

Esses importadores indagavam de tudo, do solo, localização, produção, idade dos rancas, etc. A última questão era o preço, pois quem realmente aprecia o melhor, paga.

Um desses produtores começou a exportar para a Suécia um branco, produção biológica, ainda não certificada, mas por mim avaliada. Quando sugeri que ele fosse comigo a St. Petersburgo para exportar para a Rússia, não acreditou que este sonho se concretizaria. Será a próxima coluna!

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