A Arquitectura é uma linguagem e usa a sua gramática para comunicar e dialogar. Com a publicação recente do Estatuto das Pessoas Idosas, em Fevereiro último, nele vem expresso…” o direito a uma habitação condigna, adequada às necessidades e condições de vida”… Por isso deixo aqui algumas reflexões que considero muito importantes.
PARA OS MAIS VELHOS, tem especial impacto a forma como usamos a gramatica da arquitectura, de modo a facilitar a interpretação dos espaços, o uso, a fluidez, a apropriação, factores conducentes ao conforto e ao bem estar.
Os espaços que nos rodeiam provocam em nós sensações advindas quer da nossa mente, quer dos nossos sentidos. Por isso, os percepcionamos como atraentes, apetecíveis e confortáveis ou confusos, desagradáveis e difíceis.
A Acessibilidade não é somente física é também sensorial.
É fundamental introduzir os aspectos sensoriais no projecto e na obra dirigida aos mais velhos, seja ela comunitária, colectiva ou comum.
A percepção sensorial que os espaços nos transmitem através dos nossos sentidos determina se nos estamos a integrar e a usufruir de um espaço, ou se nos sentimos peixe fora de água e nos isolamos. Por exemplo, se eu não me perco, sei onde estou e para onde vou é porque leio facilmente os espaços onde me encontro; se gosto de os percorrer é porque são quentes e não inóspitos, e porque a luz natural não me encharca a visão e a sombra não me oprime; porque não me confundem as cores e materiais dos pavimentos, paredes e tectos e não tenho receio de ver mal.
Gosto de ir ler para a sala e gosto de ir tacteando as paredes, por vezes rugosas que me ajudam a orientar, gosto da cor do meu quarto, gosto da entrada na salinha onde tenho as fotografias dos meus netos, gosto de jantar na sala, onde a luz artificial não me causa desassossego nem é fria e intensa, gosto de ouvir a rotina dos sítios, faz-me sentir acompanhada, e gosto dos cheiros…..o aconchego do cheiro!
Ou seja, precisamos de SENTIR os espaços, COMUNICAR BEM com eles e que eles se nos entranhem e pertençam.


