Paulo Franco, ex-vereador do PS Alenquer, em Grande Entrevista ao Podcast “Esta Semana” nas instalações do Parque Tecnológico de Óbidos.
Com um vasto curriculum na área económica e do Marketing Research, foi vereador do PS na autarquia de Alenquer durante 12 anos, esteve ao lado do socialista Pedro Folgado, Presidente da CMA, durante 3 mandatos, onde aplicou as suas competências para o desenvolvimento do tecido económico e vertente internacional do concelho.
Na área da economia, Alenquer tem uma produção de negócios de cerca de 1.8 mil milhões de euros, em 1º lugar está a industria agro-alimentar, a seguir vem o cluster de indústria automóvel em que 6 entidades de componentes de automóvel, atingem uma faturação de 300 milhões de euros.
O ex-autarca saiu da vida política em setembro e está agora dedicado a um novo desafio profissional na área dos vinhos.
Na mudança do sector publico para o privado admite Paulo Franco diz ao Podcast “Esta Semana” que “são culturas de organização diferentes”. O ex-vereador do PS, Paulo Franco saiu em setembro da autarquia de Alenquer, tendo deixado a militância no PS, trabalha agora no sector privado, onde assumiu a área da Internacionalização na Empresa Condado Portucalense Vinhos onde é responsável pela Exportação.
A grande diferença que sentiu no sector publico e tem que ser resolvido: “os decisores devem ter ao seu dispor métricas objetivas, reais e concretas que possam valorizar os recursos humanos.” Muito está por fazer no mérito dos recursos humanos, “quem está nas câmaras municipais e tem responsabilidade de gerir é necessário ter métricas de avaliação das pessoas.” Diz mesmo que no “público é muito complicado reconhecer o mérito das pessoas. Se eu quero ter um território competitivo, só tenho uma câmara competitiva, se for um devido parceiro com o mérito e o empenho para com as pessoas e as empresas do concelho.”
O gestor admite que o “que o move no trabalho na autarquia são as estratégias para as pessoas, e as empresas”.
12 anos como Vereador do PS na Câmara de Alenquer
Nos 12 anos de trabalho na autarquia de Alenquer Paulo Franco nomeia como o momento mais marcante a fase do Covid-19, diz que “foi muito desafiante, enquanto político e como cidadão. Eram dias de muita incerteza, colocava-se em causa a vida das pessoas. Ajudou-nos a crescer.”
Recorda sobre esta época que “os municípios tiveram um papel determinante nas várias áreas, têm um papel congregador na liderança do seu território”.
O Presidente Pedro Folgado atribuiu-lhe um gabinete com um conjunto de áreas, desde a cidadania, atividades económicas, empreendedorismo, que fazem hoje parte de um modelo orgânico da Câmara Municipal.
Aposta na área da saúde
A saúde foi dos pelouros que mais gostou de ter trabalhado, mas confessa que teve “um sentimento agridoce, os municípios tem competências na área da promoção e prevenção da saúde”. É pena que o Estado Central não tenha esta ótica e que não tenha apostado nestas áreas.”
Durante a sua vereação Alenquer recebeu o PPR para fazer novas infraestruturas para fazer grande investimento. “Um pacote de 3 milhões de euros para fazer um Centro de saúde e requalificar um outro Centro de Saúde.
Teve de enfrentar o grande problema na área da saúde: a falta de médicos. O concelho de Alenquer tem actualmente 9 médicos de família, mas faltam 16 médicos. São quase 30 mil utentes sem médicos de família.
Adianta que a autarquia “tem limitações na área da saúde, por não poder contratar médicos e enfermeiros. No âmbito de transferência de competências é um problema grave”, conta ao “Esta Semana”.
Durante dois dos mandatos fizeram milhares de rastreios de saúde, destaca a Feira da Saúde com a participação de 40 parceiros, tais como farmácias e ginásios. “ Para a saúde a atividade física é muito importante, assim como os bombeiros no desenvolvimento de parcerias paras as respostas de cuidados de saúde à população.”
A Ação social – Projeto piloto de apoio a medicamentos regulamentado
Desenvolveu um conjunto de ações de apoios na área de ação de social da Câmara de Alenquer. É com certo orgulho que o projeto piloto lançado na COVID-19 de apoio à aquisição de medicamentos está hoje regulamentado. “Este projeto piloto surgiu para apoiar na aquisição de medicamentos, estando centralizado nas quatro doenças decretadas pela OMS ( Organização Mundial de Saúde) com maior incidência: diabetes, oncológicos, respiratórios, cardio vasculares. Regulamento que tem um valor de apoio que tem crescido. Num trabalho em articulação com as IPSS- Instituições de Solidariedade Social. Em 2025 atingiram uma despesa acima de 100 mil euros.”
Networking empresarial. “Quase 2 bilhões de euros, não há praticamente desemprego”
No sector empresarial a aposta consistiu em estimular todos os actores do território, com desenvolvimento da competitividade, Franco concretiza que “se queremos um território competitivo temos de contar com os nossos empresários”.
Na área da economia em Alenquer o tecido empresarial, no ponto de vista de produção de negócios, produz 1.8 mil milhões de euros, onde a industria tem um papel determinante no volume de negócios no concelho.
“Quando entramos na câmara em 2014 perguntei ao tecido empresarial o que precisavam da CM de Alenquer , disseram-me que precisavam de networking, começamos nessa altura com os jantares de empresários, a nível local e regional, e mais tarde a nível internacional com Espanha, depois com empresários da Europa, África, América Latina, China.
E o que saiu destes encontros internacionais? Paulo Franco não tem dúvidas “quase 2 bilhões de euros, não há praticamente desemprego, o que contribui para a dinâmica do concelho”.
Dos encontros de networking dá como exemplo de sucesso uma padaria local que fez negócio com uma empresa que desconhecia, começou a vender pão para o refeitório desta empresa do concelho de Alenquer.
Em Alenquer tem uma economia em crescimento, Franco explica que em 1º lugar está a industria agro-alimentar, a seguir vem um cluster indústria automóvel de 6 entidades de componentes de automóvel, 300 milhões de euros. Empresa líder MCG – de Manuel da Conceição Graça, sediada no Carregado (Alenquer) é a referencia do grupo de seis. Empresa familiar que fez 75 anos no ano passado, com exportação 100%. Era conhecido como um empreendedor visionário e faleceu aos 93 anos em 2017.
Seis castas croatas plantadas em Portugal no âmbito do acordo entre Portugal e Croácia
O protocolo de investigação de castas foi feito entre os dois municípios – Alenquer e Benkovac – e dois institutos – INIAV e Universidade de Zagreb. O protocolo “nasce quando Alenquer, em 2014, quis criar castas autóctones, o objetivo era a valorização destas castas autóctones, privilegiando a identidade do território,” conta Paulo Franco.
Em 2017, foi celebrado o protocolo entre os municípios para preservar as castas. A Adega cooperativa da Labrugeira, parceira do protocolo, lançou um novo vinho no mercado, um vinho branco, o Empatia, “é uma monocasta, casta vital, produzida não só em Alenquer, mas também no Cadaval, e avenal.”
“Em 2019 fizemos esta permuta de castas. Os nossos parceiros na Croácia tem uma coleção de castas portuguesas, e Alenquer tem castas croatas.”
Na primeira fase do projecto, em 2017, foram apresentados vinhos feitos de castas autóctones de cada país. Do lado de Portugal, a casta Vital (típica da zona de Alenquer) deu origem ao vinho “Empatia”, elaborado pela Adega Cooperativa da Labrugeira. Do lado da Croácia, foram feitos dois vinhos monovarietais das castas Maraština (branca) e Svrdlovina (tinta).
Já em 2019, foi realizada uma permuta de castas: seis castas portuguesas (Vital, Arinto, Fernão Pires, Touriga Nacional, Touriga Franca e Vinhão) seguiram para Croácia, e de lá vieram seis castas autóctones (Pošip, Maraština, Vugava, Plavac Mali, Plavina e Svrdlovina).
Em 2023, lançamos o primeiro vinho pleno de casta portuguesa, vital e a casta poshit, casta branca croata. “É um projecto de investigação, tem a componente de identidade territórios, com intercâmbio de investigação, vinhos de estudos não entraram ainda na vertente comercial”, sustenta Paulo Franco.
Os institutos de Politécnico de Santarém e a Universidade de Zagreb na Croácia, são os institutos de investigação parceiros deste intercâmbio vitivinícola.
“Esta experiência vai-nos permitir que os nossos vinhos possam entrar na Croácia. No ano passado houve apresentação de vinhos portugueses na embaixada de Portugal na Croácia,” comenta.
Orçamento participativo em 4 edições
Durante a sua vereação, a Câmara de Alenquer lançou o orçamento participativo jovem. “São projetos de prioridade dos municípios, a Câmara de Alenquer determina uma verba para ser usada em função das pessoas”.
Ano após ano houve cada vez mais participação de pessoas, que propõem projetos para o território.
Fizeram um regulamento para o Orçamento ter projetos em várias áreas como a Cultura, com a inclusão ( a 1a sala slozen no município), e a área de natureza protegida.
Paulo Franco defende que o Orçamento participativo permite às pessoas apresentar as suas ideias. Cria uma proximidade junto das pessoas: técnicos e a população.”
Durante 4 meses as propostas do O.P. desciam à analise técnica em que havia reuniões com os técnicos e as pessoas do município. Por Exemplo: “é preciso explicar que fazer uma obra em contratação pode levar 3 meses. Mas considera que “as pessoas tem de lutar pelos seus projetos.”
Pelouros de eleição
Elenca vários pelouros da sua preferência como a área Internacional, saúde e ambiente, mas tem um gosto especial pelo empreendorismo nas escolas, “pensar no dia de amanhã, dar competências como as soft skills, como ser um bom ser humano” é importante para as novas gerações.
Refere ainda o projeto junto das comunidades que acompanha 60 nacionalidades diferentes, em que a câmara de Alenquer desenvolveu um “espaço de cidadania para e com as pessoas.”
Sobre o futuro não se compromete em voltar à política, no entanto afirma que “jamais não é uma palavra que costume utilizar.”
- Este Podcast é um artigo patrocinado.


