Noites de queluz regressam com cinco concertos intimistas com o património

Estado com Arte Magazine

De 8 a 30 de outubro de 2026 Programa do Palácio Nacional de Queluz integra artistas de referência internacional, nomeadamente, Raúl da Costa, Samuel Mariño, Musurgia Ensemble, Orquestra Divino Sospiro e Quartetto Altemps.

Neste outono, a música, elemento fundamental da vida na corte, volta a ecoar nas sumptuosas salas do Palácio Nacional de Queluz, trazendo novas emoções e experiências, que tiram partido do diálogo entre património, história e música. Entre 8 e 30 de outubro, as Noites de Queluz levam o público numa viagem que atravessa mais de três séculos de história da música. Serão cinco concertos, protagonizados por artistas de referência internacional e jovens intérpretes, nos quais serão escutadas obras de compositores geniais como Johann Sebastian Bach, Alessandro Scarlatti, Antonio Vivaldi, Muzio Clementi, Ludwig van Beethoven ou Wolfgang Amadeus Mozart.

Após um interregno de quatro anos, as Noites de Queluz, iniciativa da Parques de Sintra, com direção artística de Massimo Mazzeo e organização conjunta com a Divino Sospiro – Centro de Estudos Musicais e Setecentistas de Portugal, voltam com ambição renovada, reforçando o compromisso da empresa com a valorização do património enquanto espaço de criação, interpretação e fruição cultural.

João Sousa Rego, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, defende que “o património cultural encontra a sua maior expressão quando é vivido, interpretado e partilhado. Através da música, da criação artística e da interpretação do património, os monumentos deixam de ser apenas espaços de visita para se afirmarem como lugares de conhecimento, emoção e experiência, em diálogo com a sociedade contemporânea”.

Sublinhando que o regresso das Noites de Queluz integra plenamente esta visão, o responsável salienta “a programação de elevada qualidade artística, construída em torno da música historicamente informada e da valorização de um património único, estabelecendo uma relação entre repertório, contexto histórico e espaço arquitetónico”.

O primeiro concerto das Noites de Queluz, a 8 de outubro, na Sala da Música, está a cargo do conceituado pianista Raúl da Costa, que regressa ao pianoforte Clementi do século XVIII, pertencente ao acervo do Palácio, para lhe devolver vida. Do classicismo luminoso de Muzio Clementi às primeiras paisagens sonoras românticas de John Field, passando pela força transformadora de Beethoven, este recital acompanha um momento decisivo da história do piano.

Na noite seguinte, a 9 de outubro, Raúl da Costa volta a atuar na Sala da Música, partilhando o palco com o sopranista venezuelano Samuel Mariño, cuja rara voz de soprano lírico se destaca pela pureza cristalina dotada de uma extraordinária agilidade vocal. Entre a expressividade do Barroco, a elegância clássica e a intensidade romântica, ambos interpretam obras de John Dowland, Bellini, Viardot e Rossini, que testemunham diferentes formas de dar voz ao amor, à melancolia, ao desejo e à contemplação.

No concerto de 16 de outubro, na majestosa Sala do Trono, o Musurgia Ensemble, composto por quatro especialistas em música antiga, com direção musical de João Távora, conduz o público ao coração da música barroca.

Da elegância coreográfica de Marin Marais ao contraponto magistral de Johann Sebastian Bach, passando pela inventividade de Georg Philipp Telemann e pelo equilíbrio expressivo de George Frideric Handel, o programa revela a riqueza de um repertório em que o diálogo entre as vozes se torna o verdadeiro motor da criação musical.

A 23 de outubro, na Sala do Trono, a Divino Sospiro apresenta, em estreia mundial moderna, a versão de concerto da ópera La Statira de Alessandro Scarlatti, um dos principais arquitetos da ópera italiana entre os séculos XVII e XVIII. Fruto do trabalho de investigação, edição crítica e recuperação do património musical setecentista desenvolvido pela Divino Sospiro e pelo Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal, bem como de um projeto multidisciplinar em colaboração com o Conservatório “Santa Cecilia” de Roma, a Escola Superior de Música da Catalunha e a Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, a apresentação desta ópera no Palácio de Queluz é particularmente simbólica. Mais do que um mero cenário, o local torna-se parte integrante da experiência artística, aproximando o público do universo cultural em que esta música nasceu e foi originalmente escutada.

As Noites de Queluz terminam no dia 30 de outubro, com a atuação do Quartetto Altemps que, através de uma abordagem inovadora e original, apresenta um programa dedicado ao classicismo vienense. De Joseph Haydn, fundador do quarteto de cordas moderno, ao génio expressivo de Wolfgang Amadeus Mozart e à força transformadora de Ludwig van Beethoven, este concerto acompanha uma das mais extraordinárias linhagens criativas da história da música ocidental.

Os bilhetes, no valor 18€, estão disponíveis no site da Parques de Sintra. Todos os concertos começam às 21h00.

Noites de Queluz 2026 | Programa

Músico Raul da Costa abre o programa das Noite de Queluz a 8 de outubro

8 outubro | 21h00 | Sala da Música

Raúl da Costa

“O Despertar do Piano”

9 outubro | 21h00 | Sala da Música

Samuel mariño e Raúl da Costa

“Alma & Canto”

16 outubro | 21h00 | Sala do Trono

musurgia ensemble

“Sonatas e Suites em Trio do Barroco”

23 outubro | 21h00 | Sala do Trono

Divino Sospiro

“La Statira: O Nascimento da Ópera Moderna”

30 outubro | 21h00 | Sala do Trono

quartetto altemps

 

Divino Sospiro – Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal

Divino Sospiro é um projeto dedicado à interpretação historicamente informada do repertório antigo, aliando rigor e fidelidade musical a uma abordagem criativa que procura renovar a experiência de escuta e despertar novas formas de relação com a música. Ao longo do seu percurso, afirmou-se como uma referência no panorama musical português e internacional, apresentando-se em importantes salas e festivais, como a Fundação Calouste Gulbenkian, CCB, Casa da Música, Teatro Nacional de São Carlos, Philharmonie de Paris, Folle Journée de Nantes e Muzikfest Bremen, entre muitos outros.

Com um percurso marcado pela internacionalização, pela colaboração com prestigiados intérpretes e pela recuperação de repertório português dos séculos XVII e XVIII, o Divino Sospiro trabalhou com artistas de renome internacional como Andreas Scholl, Michael Spyres, Katia e Marielle Labèque, Christina Pluhar, Rinaldo Alessandrini, Enrico Onofri e Giuliano Carmignola, entre muitos outros. Conta ainda com diversos registos discográficos e gravações para instituições como a Radio France, Antena 2 e RAI. Entre os seus trabalhos destacam-se a estreia moderna de obras como Antigono de Antonio Mazzoni, e várias composições de Pedro António Avondano, tendo recebido reconhecimento de publicações especializadas internacionais. Atualmente, o repertório do Divino Sospiro estende-se do Barroco aos períodos Clássico e Romântico, incluindo também algumas incursões na música contemporânea.

A Parques de Sintra é detentora de treze World Travel Awards para Melhor Empresa do Mundo em Conservação, que venceu consecutivamente entre 2013 e 2025.

Nos últimos dez anos, as áreas sob gestão da empresa (Parque e Palácio Nacional da Pena, Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, Chalet da Condessa d’Edla, Castelo dos Mouros, Palácio e Jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos e Escola Portuguesa de Arte Equestre) receberam cerca de 25 milhões de visitas.

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