EUROPA

Nuno Lumbrales, Advogado

Sendo verdade que é prioritário o rearmamento da Europa, para nivelar o equilíbrio de forças e reforçar a dissuasão, é importante ter em conta que a forma de fazer quebrar o esforço de guerra russo passará provavelmente pelo aumento da pressão económica.

Existem várias formas de projecção de poder na esfera internacional, e duas das principais são a militar e a económica.

A Europa é uma potência económica, mas deixou-se ficar bastante para trás no plano militar, deixando, desde a Segunda Guerra Mundial, a sua segurança muito dependente dos EUA.

A Rússia, pelo contrário, é uma potência que projecta a sua força essencialmente por meios militares, mas não tem um poder económico significativo.

Os EUA são um potência tanto militar como económica, tradicionalmente aliada da Europa, mas na questão da Guerra da Ucrânia tem, desde o início da Administração Trump, mostrado grandes reticências em se opor à Rússia, pelo que nesta questão a Europa terá que contar essencialmente consigo própria.

Na Guerra Fria, o poder militar da NATO teve um importante factor de dissuasão, mas foi o colapso económico da URSS que levou à queda, não só, do Muro de Berlim, como de toda a Muralha de Ferro.

Por isso, e da mesma forma, sendo verdade que é prioritário o rearmamento da Europa, para nivelar o equilíbrio de forças e reforçar a dissuasão, é importante ter em conta que a forma de fazer quebrar o esforço de guerra russo passará provavelmente pelo aumento da pressão económica.

Isso passará não apenas pela continuação e aceleração dos esforços de redução de importações de energia – o que implica a coragem política de suportar um aumento dos custos da energia, e competência política de explicar às populações a necessidade desse sacrifício – e também pela utilização dos activos russos congelados (e não apenas dos respectivos juros) em benefício da Ucrânia e do seu esforço de guerra, bem como, no pós-guerra, na respectiva reconstrução.

Tal medida levaria a que fosse a Rússia a suportar a totalidade dos custos directos da guerra, aliviando a pressão da mesma sobre as economias europeias, e o mesmo é dizer, sobre o nível de vida dos cidadãos europeus.

E nada mais justo do que ser a Rússia a suportar os custos de uma guerra que ele própria iniciou.

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